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ESPERANÇA (Por Selvino Heck)

mstarroz                Dou os `parabéns mil’ tradicionais de aniversário, acrescidos de um ‘e sempre na boa luta’, para Daniel Seidel, da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política, dias atrás. Ele responde: “Obrigado, Selvino. E as modas no Sul, como vão? Tem esperança por aí?” Respondo: “Aqui tem. Tô pensando no meu artigo da semana e querendo dar o título ESPERANÇA, a partir da colheita do arroz orgânico no Assentamento Capela, município de Nova Santa Rita, com presenças de centenas de assentados, de João Pedro Stédile e Leonardo Boff” (Ler MST: projeto popular de cultivo de arroz é exemplo para a agricultura brasileira, Marco Weissheimer, www.sul21.com.br, 20.03.17).

Foi distribuído jornal do MST com números da safra e da evolução da cultura do arroz orgânico que começou a ser plantado em 1999 nos Assentamentos da Região Metropolitana de Porto Alegre. Para a safra 2016/2017, a estimativa é colher cerca de 549 mil sacas do grão, numa área plantada de mais de 5 mil hectares. A produção envolve 616 famílias, em 22 Assentamentos e 16 municípios gaúchos. Já a produção de sementes envolve 25 famílias de 9 Assentamentos e 8 municípios. A estimativa do MST é colher mais de 22 mil sacas de semente. O MST é considerado hoje o maior produtor de arroz orgânico da América Latina.

Não é para ter esperança?

Disse João Pedro Stédile: “Essa atividade é um símbolo de resistência do povo brasileiro. Vocês que vêm se dedicando nestes 15 anos a produzir arroz orgânico são motivo de orgulho do nosso Movimento e representam a prova de que é possível outra agricultura, sem usar veneno e transgênicos. Isso aqui representa um grande projeto popular para a agricultura brasileira, baseado na agroecologia, no cooperativismo e no controle da agroindústria pelos trabalhadores. Vocês são uma espécie de vanguarda apontando qual o caminho a ser seguido.”

Disse Leonardo Boff: “O Brasil é uma das grandes potências ecológicas do planeta, com recursos naturais fabulosos. Hoje, há dois projetos em disputa no nosso país: o entreguista e o popular. Temos que derrotar este projeto entreguista nas ruas e, quando for possível, também nas urnas, com Lula presidente em 2018.”

Não são sinais de esperança?

Falou João Pedro deu outros sinais de esperança no debate sobre a conjuntura que estamos vivendo e atravessando: “O navio começou a afundar e a burguesia brasileira está na linha de cada um por si. Em 2017, novos ventos estão soprando.” E apontou, principalmente, três sinais dos ventos em virada: o carnaval e os gritos de Fora Temer em todos os Blocos e desfiles em todo Brasil em fevereiro; as grandes manifestações no Dia Internacional da Mulher, 8 de março; as enormes manifestações Brasil afora, maiores dos últimos tempos, contra a Reforma da Previdência em 15 de março, com 200 mil pessoas na rua em São Paulo e milhares de outras em centenas de cidades. E a Operação Carne Fraca estava acontecendo no dia da abertura da colheita (e suas consequências sentidas nos dias seguintes) e ainda não tinha acontecido o grande ato das águas do São Francisco, com presença de Lula e Dilma em Monteiro, Paraiba.

Para coroar tudo, o almoço oferecido no Assentamento Capela – carreteiro, feijão, recheado de tomates, repolho, cebola – estava tri bom. Olívio Dutra e eu, todas e todos mais, comemos à farta, até demais, servindo-nos duas vezes, (dez ‘pilas` davam direito ao almoço, um boné do Movimento e um quilo de arroz orgânico, e direito a toda celebração e reencontro de companheiras e companheiros de luta).

Óbvio que a esperança, nestes tempos bicudos, muitas vezes está longe, muito longe, quase inalcançável, tanto quanto a utopia, na descrição de Eduardo Galeano, “sempre no horizonte”. Mas não é para ter esperança, Daniel Seidel, leitoras e leitores, com tudo que está descrito abaixo do título ESPERANÇA? E sem esperança, viver e sobreviver como?

Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)

Em vinte e quatro de março de dois mil e dezessete

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