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Fora Temer, Diretas Já e nenhum direito a menos #OcupaBrasília (Por Paulo Pimenta)

diretas-japor Paulo Pimenta

O Brasil ficou impactado com as revelações que vieram à tona com a gravação feita pelo empresário delator Joesley Batista mostrando a relação promíscua que mantinha com Michel Temer, Aécio Neves e outros encarregados de intermediar os esquemas entre o dono da JBS e o governo golpista.

Embora tenha contestado a gravação para que não sirva de prova, ao se justificar, Temer confirmou a conversa obscura que teve com o empresário e acabou validando partes importantes desse diálogo, tornando fidedignos os fatos e o rolo em que está metido.

O episódio Temer, Aécio Neves e Rodrigo Loures é o elo que faltava para que a trama do golpe fosse confirmada aos olhos da opinião púbica.

As declarações soberbas e mentirosas de Temer após o episódio da gravação em que trata das propinas que compram o silêncio de Eduardo Cunha na prisão revelam uma desesperada tentativa de sobrevivência de quem já entrou para história como um “Judas” que conspirou contra o projeto de governo popular do qual era vice. Um traidor da soberania e a democracia brasileira.

Após um ano de governo desastroso, com a popularidade a patamares mínimos e taxado de conspirador, arrogante, misógino, Temer disse que não renunciaria, mas deverá sair agonizando como um político golpista e corrupto.

Nesta quarta-feira, grandes movimentos estarão nítidos na conjuntura política do país.

Temer tentando se agarrar de todas as formas ao poder usurpado de forma ilegítima, outras forças políticas da coalizão golpista seguirão a articulação da nova conciliação que, descartada a figura de Temer, pretendem dar continuidade do projeto dominante por meio da eleição indireta que assegure um presidente comprometido com a agenda econômica neoliberal e, em oposição a essas duas faces da mesma moeda, o povo nas ruas contestará as reformas e exigirá eleições diretas.

Depois que se valeu da cretinice e da traição de Temer, o novo acordão político se prepara para seguir alegre e contente a lógica antidemocrática de atropelar a participação popular impondo os interesses do poder econômico.

O discurso dessa nova fase de rearticulação do golpe apela para o cumprimento da Constituição que rasgaram quando, indiferente aos princípios e valores constitucionais, confabularam o impeachment para legalizar o golpe de 2016.

Nós conhecemos essa história! Essa é a versão atualizada de ditadura que pretende que o povo acredite em uma normalidade, que um Congresso calcificado pela propina tem condições de eleger indiretamente o sucessor golpista e, como num passe de mágica, mudar toda a estrutura de corrupção da qual é refém.

Essa é a arapuca! Nos salões do parlamento os mesmos atores que derrubaram a presidenta Dilma Rousseff para colocar Temer no poder agora se encarregam de moldar um novo caminho para o golpe prosseguir.

No plano da opinião pública, tentam desqualificar o debate com a síntese “político é tudo igual”, impedindo que se diferencie quem tem compromisso com a justiça social e a democracia no país e quem tem compromisso com o empresariado que fornece as malas de propina.

Também querem encobrir o fato de que existem empresários corruptos que saem impunes com essas delações e vão gozar parte de tudo que roubaram do país, bem como, o fato de que há figuras públicas no judiciário e nos meios de comunicação que são corrompidas e corruptoras e, portanto, são criminosos.

Nesse contexto, o perigo de cair na cilada do fascismo é grande. As ditaduras se instalam quando governos sem apoio e voto popular tentam se sustentar com autoritarismo e violência. Somente as eleições poderão interromper o golpe, reverter os retrocesso e impedir mais perda de direitos.

Não se trata apenas da escolha do próximo presidente ou presidenta, principalmente, da discussão do programa de governo que se posicionar sobre o congelamento dos investimentos sociais, as reformas trabalhistas e da previdência.

Esse é o sentido de neste momento tomar conta das ruas com a bandeira das “diretas já”. Não podemos abrir mão de ouvir a população, de debater os compromissos que o novo governo deverá assumir em relação à política econômica, à democratização da imprensa, à educação pública e democrática, a não violência e tantas outras questões que dizem respeito às diversas populações que estão sendo massacradas por um sistema de exploração e exclusão que reorganiza e se fortalece no Brasil com o golpe.

Não existe pacto possível para enfrentar a grave crise sem um banho de democracia.

Paulo Pimenta é deputado federal PT/RS

no VIOMUNDO

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