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Não deixar pedra sobre pedra é “construir” a ruína do Brasil

POR  no TIJOLAÇO

 ruinass

 

Há quatro anos, o Brasil começou a viver uma histeria, com movimentos de classe média dos quais só muito tempo depois deu-se conta de que, sob a bandeira tosca do “padrão Fifa”, era uma direita de DNA lacerdista que os animava, embora muitos de seus integrantes não o fossem e alguns, ali paridos, sustentem ser de extrema-esquerda. Deram, como se está vendo, a volta ao mundo e prestam à direita o inestimável serviço de inviabilizarem qualquer manifestação popular.

Puco tempo depois, o “padrão Fifa” encontraria outra encarnação, Sérgio Moro. Era o anjo vingador da honestidade, que cavalgando o corcel-delator Alberto Yousseff, seu “perdoado” de outras falcatruas, brandia a espada da cognição sumária e a todos mandava para a cadeia.

Não é preciso repisar cada passo de uma história que é de todos conhecida e que nos acostumou a viver no terreno das denúncias, dos escândalos, das violações e do banditismo que agora chega a seu auge quando os irmãos Batista passam a ser, virtualmente, os donos do destino do Brasil, claro que visto do alto de seu andar em Nova Iorque.

Se é que é deste lugar nos EUA que se comanda a nossa sorte.

Transfira mentalmente, agora, tudo o que se passou na nossa grande casa comum, o Brasil, para cada uma de nossas pequenas realidades.

Estaríamos todos loucos e prontos a reagir com brutalidade, primeiro. E, depois, prostrados num desânimo e desesperança de que a vida possa voltar à paz, ainda que com defeitos e mazelas.

A realidade, porém, é que nada acontecerá se o país não apelar para a fonte de legitimidade de suas instituições, que é a emanação da vontade popular, sem a qual são simples ditaduras corporativas.

É absurdo dizer que a convocação de eleições diretas atenta contra a Constituição, quando é a única forma de preservá-la.

A falácia deste argumento é visível, escancaradamente, no fato de que aqueles que o levantam não abrem mão de que se faça nela, já e com este congresso que habita os últimos círculos do inferno, as mudanças gentis ao patronato e ao capital. E, de quebra, o poder de eleger alguém que, óbvio, tenha compromisso com a preservação dos caciques políticos avariados pelas delações.

Se não apelarmos para aquela fonte primeira da democracia, o que teremos serão os “esquadrões da morte” do MP vagando em busca de vítimas e os juízes do Paraná (leia o conto infernal do Nassif) arvorados em senhores das cadeias. E eles imperarão sobre a miséria, o atraso, a exclusão e nossa volta inexorável à barbárie colonial.

Praticar a política do “não deixar pedra sobre pedra” é, óbvia e literalmente,  o mesmo  que “construir ruínas”.

E a ruína – horrenda, disforme, pobre fortaleza sem defesas – é a do Brasil e do povo brasileiro.

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