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Papa defende redução de horário de trabalho para os mais velhos

GREGORIO BORGIA /AFP / GETTY IMAGES

“É uma sociedade míope aquela que obriga os mais velhos a trabalharem demasiado durante muito tempo, em vez dos mais jovens”, defendeu Francisco perante os delegados reunidos num congresso de sindicatos

O Papa propôs esta quarta-feira, na Confederação Italiana de Sindicatos, a criação de um novo pacto social, no sentido da redução do horário de trabalho dos mais velhos que permita a contratação dos mais jovens.

“É uma sociedade míope aquela que obriga os mais velhos a trabalharem demasiado durante muito tempo, em vez dos mais jovens”, defendeu Francisco perante os delegados sindicais reunidos no XVIII congresso nacional da Confederação Italiana de Sindicatos.

O Papa frisou que “quando os jovens ficam fora do mundo laboral, as empresas ficam sem energia, entusiasmo, inovação e alegria”. “É por isso urgente um novo pacto social para o trabalho: a redução do horário para quem já está no último período laboral, para se criar emprego para os mais jovens que têm o direito e o dever de trabalhar”, salientou.

Num longo discurso, o líder da Igreja Católica definiu o trabalho como a “forma mais comum de cooperação criada pela Humanidade” e denunciou a existência de “muitas pessoas sem trabalho”, assim como de “demasiadas crianças que trabalham e que não estudam”, como deveriam.

No mesmo discurso, criticou a marginalização dos trabalhadores doentes porque, disse, o emprego exerce também uma função terapêutica, acrescentando que nem sempre se reconhece o direito a uma pensão justa.

“PENSÕES DE OURO SÃO UMA OFENSA TÃO GRAVE COMO AS POBRES”

Neste sentido, o Papa afirmou que as “pensões de ouro” são “uma ofensa ao trabalho, tão graves como as (pensões) pobres porque fazem com que as desigualdades sejam perenes”.

Perante os dirigentes, Francisco assinalou que se devem encarar os “compromissos históricos” caso se queira continuar a desenvolver “o papel essencial em favor do bem comum”.

Assim, disse que é preciso “dar voz a quem não tem voz”, defender os estrangeiros e os “excluídos” e a “desmascarar os mais fortes que pisam sobre os direitos dos trabalhadores mais fortes”. E alertou que na “sociedade capitalista avançada o sindicato corre o risco de se afastar da natureza profética (defender os mais fracos) e a ficar a parecer-se com as instituições e os poderes que deveria estar a criticar”.

“O sindicalismo, com o passar do tempo, começou a assemelhar-se demasiado com a política. Ou melhor, aos partidos políticos, na sua linguagem e estilo”, lamentou.

O Papa acrescentou que os sindicalistas devem ser as “sentinelas” que protegem os empregados, mas também têm de estar atentos aos “excluídos do trabalho” que, afirmou, “são também excluídos dos direitos e da democracia”.

Denunciou também que “às vezes a corrupção entra no coração de alguns sindicalistas” e animou-os tratar bem das “periferias” para transformar “as pedras soltas da economia em pedras angulares”.

O chefe da Igreja Católica concluiu a intervenção recordando a raiz grega da palavra “sindicato” que etimologicamente significa “justiça com todos” para frisar que a “justiça não existe se não for exercida lado a lado com os excluídos”.

Com Informações de EXPRESSO-ECONOMIA

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