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Vergonha: Para a elite, Brasil é um circo e até animador de auditório serve pra ser presidente

Temer “é o que temos”; candidato “é o que não temos”

 

latavelha

Oito da manhã e você já está bem acordado, café e banho tomados, pensamentos no lugar, qualquer sonho da noite já esquecido e aí lê no jornal, na coluna de Vinicius Torres Freire que “as conversas sobre Luciano Huck candidato não são brincadeira nem para políticos nem para parte da elite econômica à procura de um líder para suas reformas, ainda mais depois de certo desencanto com João Doria”.

A gente acaba pensando se não seriam melhor dormir mais um pouco, porque não deve ter acordado.

Um dos maiores países do mundo, uma sociedade complexa quase como um continente, lutando contra um atraso de séculos e uma crise gigante, tem elites que cogitam seriamente em entregar a nação a alguém que não tem qualquer trajetória política e limitou-se, até agora, limitou-se a brincadeiras de TV e propaganda de vitaminas…

Mas aí você lê, linhas adiante, que está, sim, acordado e a elite brasileira é que é, sim, o pesadelo: “não se fecha a porta para qualquer “outro” que seja capaz de bater Lula e manter o programa reformista.”

Qualquer outro, qualquer um. Já seria uma péssima piada.

Mas o “manter o programa reformista” supera qualquer outro delírio? O Brasil está sendo posto abaixo em nome do combate á corrupção e, para esta obra hercúlea temos a liderança de um extorsionista de quinta categoria, acompanhado dos que ainda sobram de sua quadrilha de ladrões?

Pouca coisa retrata tão bem o que a elite brasileira pensa sobre seu país, Nada além de um corpo imenso a drenar, retalhar, vender apregoar numa feira como “oferta imperdível”. E ainda com trabalhadores, agora já quase literalmente reduzida à escravatura, com a inacreditável portaria que “naturaliza” a exploração desumana de homens e mulheres.

Há razão, infelizmente, no que disse Fernando Henrique Cardoso quando, com sua ajuda – sim, porque ainda que sem votos, ainda tinha autoridade sobre a oposição para dizer “golpe, não!” – instalou-se a mediocridade temerista no governo: “é o que temos”.

Sim, é o que temos e mesmo desmoralizado inteiramente, com zero de popularidade e muito menos que isso em respeito, a votação de ontem mostrou e a da semana que vem mostrarão que ficará, estropiado, no Governo, mesmo que surja um filme mostrando que foi ele quem matou Dana de Tefé.

Temer não é um problema para esta gente sem país, sem povo, sem humanidade, mas com sede de vantagens e dinheiro fácil de negócios predatórios.  Serve “qualquer um”.

Todo o problema está em como manter isso e um processo eleitoral.

Ontem à noite, num debate, Franklin Martins lembrou que, no início do século, votavam para presidente apenas 2% dos brasileiros. Agora, votam 56% de mais de 200 milhões.

Já não se vai ao poder apenas por um acordo de elites, num salão. É preciso ser um personagem público, capaz de significar algo, ter sentido para a multidão, simbolizar um caminho, um rumo que seja, e a confiança de que vamos para um futuro que não é esta selva de horrores, onde a vida é feita de medos, ódios, desesperança.

Então, preocupam-se em impedir que suba ao palco quem tem este sentido e volte a nos fazer nos sentirmos um povo, uma coletividade..

E colocar, no lugar dele, um animador de auditório  que nos mantenha como platéia.

Afinal, a política não é um circo?

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