América Latina

Triunfo do chavismo abre novo ciclo de vitória da esquerda no continente, diz Maduro

O triunfo eleitoral da Revolução Bolivariana, ao conquistar 54% dos votos e eleger 75% dos governadores do país, abre um novo ciclo de vitórias progressistas no continente, avaliou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro durante uma entrevista coletiva concedida a meios de comunicação internacionais, na tarde de terça-feira (17). “Essa vitória inicia um processo de acumulação de forças para a construção de algo novo, no setor econômico, cultural e politico”, acrescentou o presidente.

Por Fania Rodrigues no Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

Venezuela realiza eleição de número 22 desde a Revolução Bolivariana. - Créditos: Foto:TeleSUR
Venezuela realiza eleição de número 22 desde a Revolução Bolivariana. / Foto:TeleSUR

O triunfo eleitoral da Revolução Bolivariana, ao conquistar 54% dos votos e eleger 75% dos governadores do país, abre um novo ciclo de vitórias progressistas no continente, avaliou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro durante uma entrevista coletiva concedida a meios de comunicação internacionais, na tarde de terça-feira (17). “Essa vitória inicia um processo de acumulação de forças para a construção de algo novo, no setor econômico, cultural e politico”, acrescentou o presidente.

Maduro disse ainda que a participação eleitoral de 61% dos votantes é mais alta que a de muitos países desenvolvidos, assim como o percentual de votos conquistados pelo chavismo. “Na Espanha, Mariano Rajoy foi eleito com 30% dos votos e 14% do padrão eleitoral (total de pessoas habilitadas a votar). Na Alemanha a chanceler alemã, Angela Merkel ganhou com 33% dos votos e as manchetes nos outros diziam: ‘Merkel arrasou’. Merkel ganhou com 18% do padrão eleitoral e é considerada uma grande democrata. Nos EUA, Donald Trump teve 3 milhões de votos a menos que Hillary Clinton. Ninguém no mundo tem a força política que tem a Revolução Bolivariana na Venezuela”, destacou.

Sistema eleitoral

Durante a entrevista, o presidente venezuelano garantiu que as eleições na Venezuela são limpas, seguras e imune à fraudes. “O processo eleitoral venezuelano é o mais seguro e auditado do mundo. São realizadas dez auditorias prévias. Realizamos auditorias com a presença das testemunhas de todos os partidos políticos”, disse.

O presidente apresentou as atas de todas as auditorias prévias de todo o sistema, inclusive dos software utilizados nas urnas eleitorais. “Aqui está a assinatura de todos os partidos políticos. Eles certificaram tudo, confirmaram que estava tudo bem, que tudo estava perfeito. Aqui também estão as atas com as assinaturas das testemunhas internacionais, das testemunhas independentes e as testemunhas da força política revolucionária”, apontou Nicolás Maduro.

Maduro anunciou que acionou a Assembleia Nacional Constituinte e o poder eleitoral para que realizem auditoria de todos votos das eleições regionais. “A oposição venezuelana nunca reconheceu nenhuma eleição das que ganhamos. Só reconhecem as eleições quando eles ganham. Sabendo disso, na noite de domingo, pedi para completar a auditoria em 100% da máquinas e dos papeis de votação das  eleições de 15 de outubro, para confirmar e certificar a grande vitória que obtivemos”, relata Maduro.

O sistema venezuelano já prevê auditoria e a recontagem dos votos em 30% das urnas eleitorais, no entanto, dessa vez será realizado a verificação de todas elas. Nesse caso os votos eletrônicos são confrontados com os papeis depositados nas urnas. Na Venezuela, depois de votar, o eleitor imprime o voto, verifica o papel e o deposita na urna também.

Segundo Maduro, o PSUV reconheceu a derrota eleitoral dos cinco estados onde os partidos opositores saíram vencedores. “A oposição ganhou em cinco estados. A democracia é assim, um dia se ganha outro dia se perde. E quando perdemos, nós reconhecemos sem pestanejar. E quando ganhamos saímos, cobramos a vitória e governamos”, destacou.

Além disso, o mandatário disse que está disposto a mudar o sistema eleitoral, caso a oposição tenha outra proposta para modificar ou melhorar o sistema venezuelano. “A oposição venezuelana disse que quer mudar o sistema eleitoral. Pergunto: qual é a proposta? Estou pronto, vamos dialogar. Querem que não seja automatizado? Querem que seja manual, com papel? Que sistema eleitoral querem, o de que Colômbia? O sistema mais fraudulento do mundo. Ou querem o medieval da Alemanha? Querem o colégio eleitoral dos EUA? Escolham. Estou pronto para debater”, afirmou Maduro.

Diálogo com a oposição

No final da entrevista, Nicolás Maduro convidou o principal líder da oposição na atualidade, o deputado Henry Ramos Allup, para um diálogo público, que poderia ser transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão. “Quero enviar uma mensagem a Henry Ramos Allup, porque ele deu uma declaração que considero audaciosa. Se quiser aceito dialogar e se quiser fazemos em cadeia nacional. Como quiser. Acredito na palavra e no diálogo. Quero diálogo, quero paz”, disse o presidente.

Em entrevista no canal privado Globovisión, na terça-feira, Allup, presidente do Ação Democrática, partido que elegeu quatro dos cinco governadores da oposição, disse que caso fosse dialogar com o governo isso não seria feito às escondidas, mas em um diálogo público. “Se algum dia eu tiver que falar não será na clandestinidade, nem às sombras. Se for em cadeia de rádio e televisão muito melhor”, afirmou em entrevista ao jornalista venezuelano Vladimir Villegas.

Ramos Allup também reconheceu que desde o início da tarde de domingo, a oposição havia notado que o fluxo de votante entre os opositores não era o esperado e que isso poderia resultar na derrota eleitoral. “Quando a fluência eleitoral não subiu começaram a produzir as primeiras informações de que na medida em que o número de eleitores não subia nos centros de votação em que esperávamos, que isso poderia produzir resultados negativos, mas sem termos uma precisão”, relatou o deputado da Assembleia Nacional.

Ele disse que o resultado que mais surpreendeu foi o do estado Miranda, onde o partido Primeiro Justiça, de Henrique Capriles, foi derrotado pelo PSUV, partido chavista. Capriles governava o estado há oito anos e tentava eleger seu sucessor, o engenheiro Carlos Ocariz.

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