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BOM DIA! LITERATURA: TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA (Por Sérgio Lima de Oliveira)

BOM DIA! LITERATURA

                         POR SÉRGIO LIMA DE OLIVEIRA

“O Brasil não tem povo, tem público.” Lima Barreto (1881-1922)


Policarpo

Dividida em três partes, a obra foi publicada em 1911 nos folhetins do Jornal do Commercio. Ela representa uma das mais importantes do movimento pré-modernista. Narrada em terceira pessoa, apresenta uma linguagem coloquial e trata-se de uma crítica à sociedade urbana da época. Nela o autor conta o drama de um velho aposentado, O Policarpo, em sua luta pela salvação do Brasil.

As histórias de Policarpo se passam durante os primeiros anos da República; precisamente durante o governo de Floriano Peixoto (1891 – 1894). Porém, a obra foi escrita e publicada por Lima Barreto em 1911, vinte anos após esse contexto. Os fatos histórico-sociais são bastante discutidos por Lima durante o enredo, já que o personagem principal é um engajado e revolucionário.

Lima Barreto foi um dos principais escritores do pré-modernismo brasileiro. Além de escritor, ele foi jornalista e suas obras estão relacionadas com temáticas sociais e nacionalistas.

As obras de Lima Barreto apresentam uma linguagem coloquial e fluida. Uma das características é o teor satírico e humorístico presente em seus escritos.

Em grande parte, suas obras estão pautadas na temática social, expressando muitas injustiças como preconceito e o racismo.

Policarpo Quaresma é um homem completamente alucinado pela ideia de fazer do Brasil um país grandioso. Para conseguir esse objetivo, cria estratégias amalucadas, prega o retorno do tupi-guarani e insiste em redigir documentos oficiais (ele é funcionário público) nesta língua. Finalmente, ele é enviado a um hospício, onde acaba convencendo o médico Dr. Mendonça, de que ninguém ali é louco.

A partir daí, Quaresma resolve se dedicar à agricultura, cedendo, inclusive, boa parte de sua propriedade aos que necessitavam de um pedaço de terra. Conta, também, o episódio da Revolta da Armada, quando Policarpo oferece seu apoio ao então Presidente Floriano Peixoto.

Policarpo Quaresma é, em suma, nosso D. Quixote. Aliás, esta comparação chega a ser literal no momento em que o personagem está exterminando as saúvas de seu milharal. Além disso, é maravilhoso seu amor pelo nosso país e o que ele é capaz de fazer para conseguir alcançar seus objetivos.

Lima Barreto fez de suas experiências pessoais canais de temáticas para seus livros.

Policarpo Quaresma está vivo dentro dos que querem um país que abrigue todos os brasileiros.

“O grande inconveniente da vida real e o que a torna insuportável ao homem superior é que, se se transferirem para ela os princípios do ideal, as qualidades tornam-se defeitos, de modo que, muito frequentemente, o homem completo tem bem menos sucesso na vida do que aquele que se move pelo egoísmo ou pela rotina vulgar”. Lima Barreto

OBRAS (entre outras)

Recordações do escrivão Isaías Caminha, 1909

Triste fim de Policarpo Quaresma, 1911

Numa e ninfa,1915

Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, 1919

Os bruzundangas,1923

Clara dos Anjos, 1948

Diário Íntimo, 1953  (um relato humano e sensível da consciência que tinha do absurdo que é separar os homens pela cor de sua pele, considerar inferiores aqueles de pele mais escura. E também uma comovente denúncia do racismo)

Cemitério dos Vivos, 1956

(Além de romances publicou sátiras, contos, artigos e crônicas).

FILME

Policarpo Quaresma, Herói do Brasil

Direção: Paulo Thiago

Elenco: Paulo José, Guilia Gam, Othon Bastos, Bete Coelho, José Lewgoy, Jonas Bloch, entre outros.

Ano: 1998

FRASES (entre outras)

“Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa.” Lima Barreto

“É chegada no mundo – escrevia em 1948 – a hora de reformarmos a sociedade, a humanidade, não politicamente, que nada adianta; mas socialmente, que é tudo.” Lima Barreto

“O football é uma escola de violência e brutalidade e não merece nenhuma proteção dos poderes públicos, a menos que estes nos queiram ensinar o assassinato”.  Lima Barreto

“Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro”. Lima Barreto  

“Queimei meus navios; deixei tudo, tudo, por essas coisas de letras”. Lima Barreto

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