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Bom Dia, Literatura: Vidas Secas (Por Sérgio Lima de Oliveira

Sérginho

Por Sérgio Lima de Oliveira (Serginho)

 

  

VIDAS SECAS

“Se a única coisa que de o homem terá certeza é a morte; a única certeza do brasileiro é o carnaval no próximo ano.” Graciliano Ramos (1892-1953)

Graciliano Ramos marcou a literatura brasileira com obras que retratam a vida do homem nordestino no sertão. Por ter vivido grande parte da vida no interior de Alagoas, Graciliano conhecia de perto essa realidade.

Ramos foi preso durante  o regime do Estado Novo. O período na prisão foi retratado em sua obra “Memórias do Cárcere”(1953).

O romance ‘Vidas Secas’ publicado em 1938 foi sua obra de maior destaque. É considerado o melhor ficcionista do Modernismo e o prosador mais importante da Segunda Fase do Modernismo. Suas obras embora tratem de problemas sociais do Nordeste brasileiro, apresentam umavisão crítica das relações humanas, que as tornam de interesse universal. Nada ali está por acaso.

Sobre os personagens do romance temos: Fabiano,  é explorado pelo dono da fazenda, seu patrão o rouba nas contas, cobra preços abusivos pelos mantimentos e juros altíssimos. Baleia: cachorra da família, muito querida pelas crianças; Sinhá Vitória esposa de Fabiano, tenta evitar que o marido caia nas mentiras dos trapaceiros. Menino mais velho e Menino mais Novo, filhos do casal, não são identificados com nomes. O mais novo admira o pai e o mais velho tem interesse pelas palavras, procurando ficar mais próximo da mãe; Tomás da Bolandeira, amigo de Fabiano, aparece apenas em suas lembranças. Além desses aparecem ainda: Patrão, dono da fazenda onde Fabiano mora com sua família e  Soldado Amarelo, militar que convida Fabiano para jogar cartas e acaba prendendo o vaqueiro. Ao longo de toda a narrativa, Fabiano oscila entre a condição de homem e a de animal.

Os temas sociais é a ‘matéria-prima’  para a literatura que tem o papel de denunciar a miséria e aexploração. Outra característica marcante é o aprofundamento psicológico das personagens. Assim, Graciliano consegue a proeza de apresentar de maneira sintética uma visão da sociedade brasileira em seus níveis mais profundos.

“Entrava dia e saía dia. As noites cobriam a terra de chofre. A tampa anilada baixava, escurecia, quebrada apenas pelas vermelhidões do poente. Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram-se as suas desgraças e os seus pavores.” Graciliano Ramos

OBRAS (entre outras)

Caetés, romance, 1933
São Bernardo, romance, 1934
Angústia, romance, 1936
Vidas Secas, romance, 1938
A Terra dos Meninos Pelados, literatura juvenil, 1942
História de Alexandre, literatura juvenil, 1944
Dois Dedos, literatura infantil, 1945
Infância, memórias, 1945
Histórias Incompletas, literatura infantil, 1946
Insônia, contos, 1947
Memórias do Cárcere, memórias, 1953
Viagem, memórias, 1954
Linhas Tortas, crônicas, 1962
Viventes das Alagoas, costumes do Nordeste, 1962

FILMES

Vidas Secas, 1963

São Bernardo, 1971

Memórias do Cárcere, 1984

FRASES (entre outras)

“Qualquer romance é social. Mesmo a literatura ‘torre de marfim’ é trabalho social, porque só o fato de procurar afastar os outros problemas é luta social,” Graciliano Ramos

 “Não há talento que resista à ignorância da língua.” Graciliano Ramos

“Não conheço pior tortura que ouvir gritos.” Graciliano Ramos

 

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