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Mais de 80% dos britânicos querem que o Estado volte a controlar serviços públicos

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Do SINTERGS

Ao contrário do que pregam os defensores do Governo Sartori, a Europa volta a reivindicar a presença forte do Estado em serviços públicos. A notícia vai de encontro ao que argumenta o Governo Sartori, segundo o qual a única solução para a suposta crise financeira do RS é aprovar o Regime de Recuperação Fiscal, o que implicará venda e eliminação de estatais, congelamento de salários dos servidores públicos e de concursos para ampliação de serviços públicos.

Segundo o colunista Will Hutton, do jornal The Guardian, na Inglaterra pesquisas recentes mostram que 83% da população britânica quer que o Estado volte a controlar serviços públicos.

De acordo com o artigo, 75% da população é a favor da nacionalização da água, 77% a favor de que os serviços de eletricidade e gás sejam públicos e 76% a favor do transporte ferroviário nas mãos do Estado.

Enquanto isso, no RS e no Brasil, os governantes caminham na direção oposta. Os serviços públicos para a população vão sendo esmagados, precarizados. E a culpa da suposta crise financeira por que passa o Estado recai sobre o servidor público.

“Podemos evitar que isso ocorra no RS. Na Inglaterra, após experimentarem a prestação de serviços essenciais por empresas privadas, os cidadãos deram-se conta de que a melhoria dos serviços não passou de uma promessa. Podemos aprender com os erros dos outros, sem cometer os mesmos, sobretudo porque quem sofrerá será a população em geral. Fazer experimentos com a vida alheia é fácil”, salienta o presidente do Sintergs, Nelcir André Varnier.

Serviços públicos x lucro

Conforme artigo de Hutton no The Guardian, publicado no início de janeiro, entregar os recursos, ações, serviços e produtos públicos dos ingleses para a iniciativa privada e apenas confiar em uma regulamentação leve para garantir que eles fossem gerenciados e entregues a um interesse comum maior sempre foi uma aposta arriscada. “E essa aposta não se pagou”, destaca o colunista.

Ainda de acordo com o texto publicado no jornal britânico, isso não representa uma queda de confiança nos setor empresarial em geral. É sentido que os serviços privatizados estão em uma diferente categoria: são serviços públicos. Existe uma ampla visão de que a demanda por lucro sobrepôs as obrigações do serviço público. E o público é o certo.

“A água do Tâmisa, que está sob administração privada, é o maior exemplo, criando dívidas astronômicas enquanto distribui dividendos excessivos para seus acionistas da holding em Luxemburgo, uma negociação designada inicialmente para minimizar as obrigações fiscais do Reino Unido. Como mostra o Cuttill Report, com os índices atuais, levarão 357 anos para o Tâmisa renovar as reservas de água de Londres. No Japão são necessários apenas 10 anos.”, conlui o jornalista.

“Qualquer semelhança com o que se vê no Brasil e principalmente no Rio Grande do Sul não é mera coincidência. Estamos alertando isso. Não somos contra empresários. Mas defendemos serviços públicos de qualidade”, acrescenta Varnier.

Votação do RRF e “lobby” de empresários

Durante a convocação extraordinária da AL, causou espanto e preocupação ao Sintergs a notícia de que empresários de diferentes setores do RS estão dispostos a, como pessoas físicas, fazer doações para candidatos que “encampem uma visão moderna de Estado”.

“Resta saber o que significa essa visão moderna de Estado. Se é o modelo inglês, por exemplo, já sabemos que está mais para modelo antigo. No Reino Unido as pessoas querem serviços públicos com o Estado. Por que aqui tem que ser diferente?”, questiona o presidente do Sintergs.

Segundo a notícia publicada pelo jornal Zero Hora, o Governo Sartori tem o apoio de um grupo de empresários que trabalhará para convencer os deputados da necessidade de aprovação do Regime de Recuperação Fiscal.

Trata-se de um movimento que reúne empresários de diferentes setores e, segundo a reportagem, embora o financiamento empresarial esteja proibido, os empresários, como pessoas físicas, estão dispostos a fazer doações para candidatos que encampem a visão deles – empresários – do Estado. Isso vale tanto para o Executivo quanto para o Legislativo, segundo a matéria.

Depois do fracasso da convocação extraordinária da Assembleia Legislativa, o Governo Sartori aposta na aprovação, nesta terça-feira (06/02), do projeto que autoriza o Estado a aderir ao Regime de Recuperação Fiscal da União. Dessa vez, a base aliada planeja vencer a oposição “no cansaço”, já que a análise do texto – que tramita em regime de urgência e passa a trancar a pauta – poderá entrar noite adentro.

2 pensamentos sobre “Mais de 80% dos britânicos querem que o Estado volte a controlar serviços públicos

  1. O setor privado é vendido como o melhor sistema para qualquer tipo de atividade, mas não é. Basta vermos o q aconteceu na maioria dos acidentes ao redor do mundo.
    – Desastre no GOLFO DO MÉXICO causado pela BP.
    – Desastre de MARIANA causado por uma subsidiária da VALE DO RIO DOCE.
    – Desastre de FUKUSHIMA causado por um terremoto que expôs como era de fato administrado a Usina Nuclear por uma empresa privada.
    – etc
    Se as empresas privadas fazem isso o que dirá com os PREÇOS. Sem falar que no caso de acidentes o custo das indenizações serão repassadas para os consumidores dos serviços e produtos dessas empresas.

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  2. Quando a tramitação é entre empresàrios e deputados, é certo q a opinião pùblica em segundp plano, acarretará na segregação de valores p o setor público.Porque esta gente nunca fala em produtividade e assentamento do homem na terra? O paìs tem 80% das mrlhores terras do mundo…qual é o problema? So concentração de riqueza a um grupo pequeno….e a massa entregue ao desespero total…Vjo a população diminuido de uma certa maneira.Repensar no assunto produtividade e melhoria de vida p as pessoas.

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