Eleições

‘DAR O TROCO’ (Por Selvino Heck)

graficod-1200x545_cHá um sentimento que cresce. Quando você tripudia sobre as pessoas, quando você zomba da sabedoria popular, quando você espezinha as dores de um povo sofrido, quando você não respeita quem está à beira da estrada, quando você não é capaz de enxergar o outro, a outra como portadoras/es de direitos, quando você não respeita a democracia, chega a vontade e a decisão de fazer alguma coisa, de não calar mais, de enfrentar o medo e as Globos da vida.

O golpe passou de todos os limites. Ultrapassou todas as fronteiras, foi além do suportável, atravessou qualquer espaço de liberdade, deixou o encanto de lado, pisou sobre os pés e os dedos dos pobres, machucou cabeças, consciências, prendeu inocentes, fecha os olhos para os poderosos de plantão, castiga um lado, salva o outro, abandonou a Justiça.  

Hora de dar o troco. O povo quer e vai dar o troco, falou-me outro dia Miguel Rossetto, candidato a governador no Rio Grande do Sul. Por isso, entre outras muitas razões, Haddad e Manuela ‘crescem vertiginosamente’, como até um comentarista da Globo News reconheceu ou foi obrigado a reconhecer dias atrás. Nas pesquisas, crescem 1% ao dia, numa curva ascendente poucas vezes vista em qualquer eleição.  

Não é ódio, não é vingança. É dizer não a tudo que está acontecendo, às mentiras, ao ódio, ao desemprego, à intolerância, à retirada dos direitos, à destruição da democracia. É dizer sim à diferença, à vida, ao cuidado com todos os seres vivos, à participação popular, à convivência pacífica, à dignidade, ao compromisso com o Bem Viver.   

A História mais uma vez é feita pelos de baixo, pelos historicamente desprezados, humilhados e ofendidos, os que, com suas mãos, destemor e força, construíram ao longo do tempo a liberdade, os que, com sua coragem e determinação, abriram cercas, romperam muros, abraçaram de coração aberto quem estava do seu lado, assumiram a fraternidade como bandeira e a justiça como norte.

É o que escreveu Lula dia 16 de setembro em bilhete, de dentro da cadeia injusta: “Faltam 3 semanas para a eleição e temos uma grande missão pela frente. É hora de defender nosso projeto, de bater de porta em porta, lembrando o Brasil que construímos juntos.”

‘Faltam 3 semanas’: tempo de amadurecer e ‘dar o troco’. 3 semanas que podem mudar vidas, podem construir futuro e esperança, podem trazer o amanhecer e a primavera.

‘Uma grande missão pela frente’: tempo de dedicação, tempo missionário, tempo de entrega, tempo de largar tudo e jogar-se, manhã, tarde, noite, madrugada, como militantes missionários no que é preciso fazer acontecer, pregadores da Boa Nova e do cuidado com a Casa Comum que é o Brasil.

‘Hora de defender NOSSO projeto’: há um projeto, que não é de um ou de outro, não é meu, não é teu, é nosso. Projeto onde cabem todas e todos, projeto que garante vida e dignidade, projeto que constrói um país democrático, uma Nação soberana, um povo altaneiro, de nariz em pé e sonho coletivo.  

‘Bater de porta em porta’:  é simples, não precisa dinheiro, não precisa grandes estruturas. Precisa vontade, pés que caminham, vozes que falam, ideais e valores, práticas de solidariedade, olhar terno, fé. Basta bater de porta em porta, conversar com as pessoas, ouvir as gentes, trocar ideias e experiências, relembrar o que já foi feito e por quem foi feito, lembrar o muito que ainda há por fazer, a semente que precisa ser lançada à terra, e que vai brotar, vai crescer,  vai dar frutos, e anunciar o novo de casa em casa, de mão em mão, de consciência em consciência, juntar os corações, alimentar o pão que é comum e é de todos, vizinho a vizinho, corpo a corpo, igual companheiras e companheiros que caminham juntos rumo à Terra Prometida.

‘O Brasil que construímos juntos’: o Brasil que é nosso, de todas e todos, não é ‘deles’ e suas ilhas paradisíacas, não é ‘deles’ e seus condomínios fechados, e sua sede de lucro e acúmulo. Brasil que construímos juntos e distribuímos igualmente, para que qualquer um, todas e todos dele usufruam, nele possam beber sua água, nele possam ter acesso ao bom vinho, nele comam seu pão sagrado, nele possam formar conhecimento, nele possam acordar plenos de lucidez. Este Brasil que construímos juntos, onde haja paz, garanta-se a biodiversidade, viva-se a justiça dos mansos e dos justos, levante-se de manhã com vontade de viver, trabalhe-se durante o dia com disposição e alegria, chegue-se à noite no aconchego do lar, disfruta-se a madrugada nos bares da felicidade.

Isso é `dar o troco’: sem violência, sem facas nem armas, sem palavras torpes, sem desprezo a ninguém, sem pisar nos direitos de pessoa nenhuma, sem castigar a natureza e seus encantos, sem acabar com a voz de quem quer falar e participar, sem atiçar rancores, ódios e intolerância, sem estilhaçar a beleza, sem esmagar a democracia, sem acabar com a liberdade.

Os tempos urgem e rugem. E exigem ‘dar o troco’ na hora certa da História.

Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)

Em vinte e um de agosto de dois mil e dezoito

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s