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‘O pior prefeito do Brasil’: como se constrói uma manipulação nas redes

Sociólogo Sergio Amadeu explica tentativa de apoiadores de Bolsonaro de manipular, com robôs, mecanismos de busca da internet para associar Fernando Haddad a “título” que nunca lhe foi dado
TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL
sergio amadeu explica desafio do google

“Organizam-se campanhas com esses sites de extrema-direita para ‘bombar’ uma matéria”

São Paulo – Apoiadores do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) têm incentivado pessoas a digitar no Google a expressão “pior prefeito do Brasil”, pedindo que sejam feitos prints dos resultados em que aparece entre os resultados o nome do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad. Quase todos os retornos das buscas que aparecem com melhor ranqueamento são “matérias” de páginas de extrema-direita, algumas que imitam veículos da mídia tradicional, numa tentativa de passar mais credibilidade.

“Tudo que acontece nessas plataformas como Google, Facebook, nas chamadas redes sociais on-line e mecanismos de busca, é com base em algo difícil de acompanhar, que é o sistema de algoritmos. Ele define o que vai acontecer na plataforma, quem vai ver o post que você publicou no Facebook, qual vai ser a hierarquia de uma busca que você fez. Quem vai decidir isso é um sistema algorítmico com base nos dados que eles coletam das pessoas. Em geral esses sistemas tentam descobrir quem é você”, explica o sociólogo e professor da Universidade Federal do ABC Sergio Amadeu, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual.

Amadeu conta como em geral são feitas as ações para que os resultados possam aparecer nos primeiros lugares dos mecanismos de busca. “Organizam-se campanhas com esses sites de extrema-direita para ‘bombar’ uma matéria, colocando robôs de vários IPs diferentes ou grupos de pessoas acessando insistentemente uma matéria que pode ser uma notícia falsa ou descontextualizada. E a tendência é subir na hierarquia das respostas que o mecanismo de buscas vai dar”, aponta. “Essa obscuridade, essa opacidade que existe por trás dessas plataformas permite que você possa fazer uma campanha e dizer que o Haddad foi o pior prefeito do Brasil.”

O sociólogo destaca que boa parte das informações que circulam nas redes sociais como Facebook e WhatsApp muitas vezes retratam momentos específicos ou mesmo que não têm relação com o fato em si.

Como exemplo, cita fotos que circulavam nos meios sociais mostrando um suposto “fracasso” das manifestações do #EleNão, com imagens tiradas no início da concentração. O mesmo pode acontecer ao se tentar caracterizar um governo de forma negativa.

“Você pode pegar momentos de uma gestão onde um prefeito estava muito bem ou muito mal, e dependendo do seu interesse recorta esse pedaço e faz com que tudo o que aconteceu seja em torno daquele momento. Isso é descontextualizar, fazer parecer como se determinada situação fosse a realidade, você exagera e isso é muito perigoso na rede”, pontua. “É preciso alertar os eleitores e também um espalhamento de notícias que reponham a verdade, isso é muito importante para aqueles que querem ajudar para que a formação da opinião tenha critérios, seja baseada no que aconteceu e não naquilo que é uma desinformação. Nos próximos dias vamos ter uma enxurrada desse tipo de coisa.”

Sergio Amadeu ressalta ainda a responsabilidade que cada um deve ter ao fazer circular uma informação. “É importante tentar também não entrar no jogo de, para beneficiar aquele com que você concorda, fazer o exagero, porque aí você perde o argumento e se iguala àqueles que querem ganhar a qualquer preço. Não tente fazer sua opinião virar um fato.”

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