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Começa julgamento de nazifascistas acusados de atacar três jovens judeus

Antes mesmo da ascensão de Bolsonaro, grupos nazifascistas já atacavam no RS.

Tentativa de matar ocorreu na Cidade Baixa, em Porto Alegre, em 2005

Julgamento dos supostos agressores deve ocorrer até a sexta-feira | Foto: Guilherme Testa

Do Correio do Povo

O julgamento de mais três skinheads, acusados de atacar três jovens judeus em 2005, começou na manhã desta quinta-feira e deve ser encerrado nesta sexta-feira no plenário da 2ª Vara do Júri do Foro Central I, em Porto Alegre. A sessão de julgamento é presidida pela Juíza de Direito Cristiane Busatto Zardo. A promotora Lúcia Helena Callegari faz a acusação. Material de propaganda neonazista, como livros e bandeiras, foram expostos. As defesas dos réus convocaram dez testemunhas para depor em plenário. Os advogados negam as acusações contra seus clientes e alguns entendem que não está sendo julgado a motivação étnica racial, mas a agressão. Álibis serão apresentados pela defesa. A magistrada avaliou o caso como “complexo” ao referir-se aos 13 anos que durou todo o processo.

No processo judicial, com 18 volumes e mais de 4 mil páginas, os réus foram acusados de tentativa de matar apenas um dos jovens judeus cuja suposta motivação seria discriminatória pelo fato da vítima ser da religião judaica. O trio responde por tentativa de homicídio triplamente qualificada (motivo torpe, recurso que dificultou a defesa e meio cruel). Em setembro, outros três skinheads foram condenados pelo mesmo crime, com penas entre 12 e 13 anos de reclusão. O julgamento dos últimos três réus está marcado para os dias 22 e 23 de março do próximo ano.

Antes do primeiro dia do julgamento, a promotora Lúcia Helena Callegari declarou que as vítimas foram atacadas por “uma comunidade neonazista organizada”. De acordo com ela, os skinheads atacaram de “forma militar os jovens inocentes sem qualquer chance de defesa”. Segundo Lucia Helena, a agressão não pode ser compactuada e que ocorra na sociedade. “Medidas severas precisam ser tomadas e espero que não sejam tolerados crimes de preconceito. Existem provas contundentes contra os réus”, afirmou. “Diziam que tinha de matar pois eram judeus”, recordou. A Promotora de Justiça lamentou que apenas um dos três jovens figurou como vítima de tentativa de homicídio ao longo do processo que demorou 13 anos. “Foi uma decisão do Tribunal de Justiça que critico muito”, observou.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o ataque ocorreu na madrugada de 8 de maio de 2005, no Bairro Cidade Baixa. Os jovens judeus, com os quipás na cabeça, passaram em frente a um bar na esquina das ruas Lima e Silva e República, quando foram agredidos a socos, pontapés e golpes de faca por um grupo que saiu do estabelecimento. Outras duas pessoas teriam sido golpeadas, mas a denúncia de tentativa de homicídio contra elas foi desclassificada para lesão corporal e prescreveu. Vários skinheads foram arroladas como réus nos processos, ocorrendo cisão dos mesmos. No entanto, apenas nove agressores foram a júri. Houve ainda despronúncia dos crimes de racismo e formação de quadrilha para todos.

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