SAÚDE

Saída de médicos cubanos pode significar que 37 mil crianças vão morrer até 2030, diz Opas

Resultados preliminares de estudo indicam impacto do programa Mais Médicos para crianças menores de cinco anos até 2030

Do Portal Terra

 

BRASÍLIA – O fim da atuação de profissionais cubanos no programa Mais Médicos pode gerar um aumento de 37 mil mortes de crianças menores de cinco anos até 2030, mostram resultados preliminares de um estudo encomendado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). O número é um pouco menor do que o estimado se todo o programa chegasse ao fim. Neste caso, o cálculo é de que o País teria, em 11 anos, 42 mil mortes a mais dentro nessa faixa etária.

Movimentação no Aeroporto Internacional de Brasília (DF): médicos cubanos do programa "Mais Médicos" embarcam em retorno a Cuba

Movimentação no Aeroporto Internacional de Brasília (DF): médicos cubanos do programa “Mais Médicos” embarcam em retorno a Cuba

Foto: Fátima Meira / Futura Press

Apresentado pelo coordenador do Mais Médicos da Opas, Gabriel Vivas, o trabalho foi encomendando no ano passado. Antes, portanto, do anúncio do fim da cooperação entre Brasil e Cuba. O estudo teve como ponto de partida os ganhos nos indicadores alcançados na saúde do País desde a implantação do programa, em 2013.

Renato Tasca, integrante da Opas no Brasil, diz ser necessária a confirmação dos dados apresentados nesta terça-feira, 27. Mas levanta uma hipótese para o impacto significativo da atuação de profissionais cubanos no Mais Médicos estimada pelo trabalho. “Eles atuavam em regiões onde a carência na assistência era muito significativa. Nesses locais, crianças morriam por diarreia, por falta de assistência básica.”

Algo diferente do que ocorre em cidades maiores. “Ali crianças morrem de doenças que exigem atendimento especializado”, diz Tasca. “No primeiro caso (cidades pobres), a assistência dada pelos profissionais era essencial. No segundo (cidades maiores), residual.”

As afirmações foram feitas durante o lançamento do Relatório 30 anos de SUS – Que SUS para 2030?, preparado pela Opas. No estudo, foram dedicadas 20 páginas para a análise do Mais Médicos. Além da expansão da cobertura na assistência básica, o relatório mostra que dos municípios que tiveram um aumento de mais de 15% nos médicos em atuação por causa do programa, houve uma redução de internações de 8,3%, passados dois anos da iniciativa. No terceiro ano, a redução foi de 13,6%.

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