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Desmoralizar para destruir (Por Fernando Brito)

POR FERNANDO BRITO No TIJOLAÇO

Para onde quer que se olhe, os cenários se parecem.

Tudo, no Brasil, das intituições às empresas, caiu num estado de desmoralização e de balbúrdia que não é gratuito.

Trata-se de uma trajetória de destruição de um país, onde toda uma geração está sendo levada a não acreditar em nada, a não ser na autoexibição e no dinehiro, muito mais do que no trabalho.

Os casos da Petrobras e do STF são em simbólicos disso.

Primeiro, a empresa aumenta como quer os preços de seus produtos. Em seguida, toma um “chambão” do Presidente. O mercado, então, grita e o governo responde que a intervenção nos preços “era brincadeirinha” e que a Petrobras é livre para fixar seus preços. Servindo-se do desapreço criado para a empresa mais importante do país, anuncia-se a venda de metade de suas refinarias, para “quebrar seu monopólio”, embora não exista monopólio no setor de refino.

Caminha-se, portanto, para entregar um setor da economia importantíssimo para empresas – estrangeiras, decerto – sem que elas tenham investido um tostão sequer para construir plantas de refino. Estão prontinhas, com capacidade ociosa e num país onde os preços dos combustíveis são lucrativos, principalmente depois da alucinada política desenvolvida por Pedro Parente, a quem Temer entregou a empresa.

No STF, o inquérito de Dias Toffoli é algo como o telefonema do capitão foi para a Petrobras.

Detonou uma verdadeira baderna institucional, depois que a extrema-direita que o Judiciário alimentou por anos passou a exibir, sem disfarces, seus dentes para a Corte Suprema. A CPI “Lava Toga”, embora semi-sepultada, foi o sinal de emergência que marcou a reação contra a expansão do lavajatismo sobre o Supremo que agiu também em outras frentes, como a quebra do sigilo bancário de Gilmar Mendes e a desmoralização pessoal do presidente ‘amigo do amigo’.

A confusão de ontem, com a entrada “de sola” de Raquel Dodge “mandando arquivar” o inquérito e o “cotovelaço” de Alexandre de Moraes dizendo que não arquiva nada, foi mais água no moinho que, desde que se deu superpoderes a Sérgio Moro e a seus procuradores de Curitiba, está moendo o Judiciário brasileiro.

Tornar frágeis empresas e instituições sempre foi a melhor forma de comprá-las ou controlá-las.

Num caso e noutro, quem pagará o preço é o Brasil civilizado. Aquele, talvez vocês lembrem, que estava começando a marcar sua presença no mundo.

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