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The Guardian: O pior das queimadas na Amazônia ainda está por vir, ao contrário do que diz Bolsonaro

Ao contrário do que diz Bolsonaro, a situação não está controlada e os incêndios devem se intensificar nas próximas semanas, afirma especialista ouvido pelo jornal estrangeiro

No Jornal GGN 

Por Tom Phillips No The Guardian

Os incêndios na Amazônia brasileira devem se intensificar nas próximas semanas, alerta um importante especialista em meio ambiente, a despeito das alegações do governo de que a situação foi controlada.

Cerca de 80 mil focos de incêndio foram detectados no Brasil este ano – mais da metade na Amazônia -, embora no sábado o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro tenha afirmado que a situação estava “voltando ao normal”.

Na segunda-feira, o ministro da Defesa do Brasil, Fernando Azevedo e Silva, disse aos repórteres: “A situação não é simples, mas está sob controle e já está esfriando bem”.

Mas em um artigo para o jornal O Globo na quarta-feira, um proeminente especialista florestal alertou que a temporada anual de queimadas do país ainda não foi cumprida e pediu medidas urgentes para reduzir o dano potencial.

“O pior do incêndio ainda está por vir”, escreveu Tasso Azevedo, engenheiro florestal e ambientalista que coordena o grupo de monitoramento de desmatamento MapBiomas.

Segundo Azevedo, muitas das áreas atualmente consumidas pelas chamas eram trechos da floresta amazônica que foram derrubados nos meses de abril, maio e junho. Mas as áreas desmatadas em julho e agosto – quando os sistemas de monitoramento do governo detectaram um grande aumento na destruição – ainda não foram incendiadas.

A Amazônia brasileira perdeu 1.114,8 quilômetros quadrados (430 milhas quadradas) – uma área equivalente a Hong Kong – nos primeiros 26 dias de agosto, de acordo com dados preliminares da agência de monitoramento por satélite do governo. Uma área com metade do tamanho da Filadélfia teria sido perdida em julho, com a mídia brasileira denunciando uma “explosão” de devastação na Amazônia.

Azevedo escreveu: “O que estamos vivenciando é uma crise genuína que pode se tornar uma tragédia anunciada com incêndios muito maiores do que os que estamos vendo agora, se não forem imediatamente interrompidos”.

Ele pediu medidas urgentes, como a repressão ao desmatamento em territórios e unidades de conservação indígenas e a proibição de queimadas deliberadas na Amazônia até pelo menos o final de outubro, quando a estação seca terminar.

Essa advertência veio depois que mais de 400 membros da agência ambiental brasileira, Ibama, publicaram uma carta aberta sobre o estado da proteção ambiental sob Bolsonaro, um nacionalista de direita que assumiu o poder em janeiro prometendo abrir a Amazônia ao desenvolvimento.

Na carta ao presidente do Ibama, Eduardo Bim, os funcionários disseram que sentiam que era seu dever expressar publicamente sua “imensa preocupação” com a direção que a proteção ambiental estava tomando.

“As taxas de destruição da floresta amazônica não serão reduzidas a menos que uma posição firme seja tomada contra os crimes ambientais”, escreveram eles.

Ativistas acusam a administração de Bolsonaro de prejudicar a própria agência que deveria estar combatendo o desmatamento ilegal e dando luz verde aos criminosos ambientais com sua retórica pró-desenvolvimento.

Na quarta-feira, a Reuters informou que, apesar do aumento do desmatamento, um grupo de elite de agentes do Ibama – chamado Grupo Especializado de Fiscalização ou Grupo de Inspeção Especializado – não foi enviado para a Amazônia uma vez em 2019.

Em uma cúpula de governadores da Amazônia na terça-feira – supostamente convocada para discutir as respostas aos incêndios -, Bolsonaro repetidamente atacou ambientalistas e ativistas indígenas que ele alegava estar atrasando a economia brasileira.

Muitos, embora não todos, os governadores da Amazônia apoiaram a visão de Bolsonaro para a região.

“A Amazônia ainda está em chamas, mas Jair Bolsonaro conseguiu mostrar que não está sozinho”, escreveu Bernardo Mello Franco em O Globo na quarta-feira.

Na quarta-feira foram 18 marcas de moda globais, incluindo Timberland, Vans e The North Face relatou ter compras de couro suspensos do Brasil com a crise.

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