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O Fim do Império do Dólar: Como o BRICS e o Brasil Estão Desenhando o Futuro do Dinheiro Global

Se tu acompanhas o noticiário econômico, com certeza já cruzou com a palavra desdolarização (o processo de reduzir a dependência do dólar americano nas transações internacionais).

Mas, afinal, o que parecia um plano distante para o futuro está ganhando datas e testes bem concretos.

O BRICS está acelerando o passo.

O objetivo? Colocar de pé novas plataformas multilaterais de pagamento que substituam o SWIFT, pelo menos entre os Países Membros do BRICS, que representam bia parte da Economia Mundisl.

Novos testes práticos estão previstos para o biênio de 2027-2028, inclusive com o DREX Brasileiro.

Para entender o que está mudando e como o Brasil se encaixa nessa história, simplifico o cenário.

Por que o mundo quer e precisa de um “plano B” diante do dólar?

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o dólar funciona como a moeda universal.

Se o Brasil quer vender soja para a China ou comprar componentes eletrônicos da Índia, essa negociação geralmente passa pela moeda norte-americana e por sistemas financeiros controlados por Washington — como a rede bancária global SWIFT.

O problema é que centralizar tudo em uma única moeda dá aos Estados Unidos um poder geopolítico imenso. Em momentos de conflitos, sanções econômicas americanas podem simplesmente “desconectar” países inteiros desse sistema da noite para o dia.

Para os países em desenvolvimento, criar alternativas não é apenas uma escolha econômica; é uma questão de soberania e segurança.

O cronograma do BRICS: O horizonte 2027-2028

As discussões do bloco deixaram de ser apenas discursos políticos. O BRICS está desenvolvendo sistemas de pagamentos independentes baseados em tecnologias modernas, como redes descentralizadas (blockchain) e moedas digitais emitidas por Bancos Centrais (as chamadas CBDCs).

Com o início das fases de teste mirando as metas de 2027 e 2028, a meta é viabilizar um ecossistema onde empresas e governos consigam liquidar contratos bilionários diretamente em suas moedas locais, contornando gargalos tradicionais e o câmbio obrigatório para o dólar.

Isso promete baratear o comércio internacional e proteger essas economias de crises inflacionárias externas.

E qual é o papel do Brasil nessa engrenagem?

O Brasil não é um mero espectador desse movimento; nosso país atua hoje como um dos principais motores políticos e técnicos da desdolarização na América Latina e dentro do próprio BRICS.

Podemos destacar as frentes onde o governo brasileiro e as instituições nacionais têm concentrado esforços:

  • Parcerias Estratégicas em Moeda Local: O Brasil firmou acordos históricos com a China (nosso maior parceiro comercial) para realizar transações comerciais diretamente em Real e Yuan. Parcerias semelhantes e linhas de crédito alternativas também vêm sendo desenhadas junto à Argentina e outros vizinhos da América do Sul para fortalecer o comércio regional sem queimar reservas em dólares.
  • A Liderança no NDB (O “Banco do BRICS”): Sob o comando brasileiro de Dilma Rousseff, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) estabeleceu como meta estratégica que pelo menos 30% de todos os seus empréstimos para projetos de infraestrutura sejam concedidos nas moedas locais dos próprios países membros, diminuindo o risco cambial.
  • Vanguarda Tecnológica com o Drex: O Banco Central do Brasil é referência global em digitalização financeira. O desenvolvimento do Drex (o Real digital) cria a infraestrutura técnica perfeita para se conectar nativamente às futuras plataformas do BRICS que Tulio Ribeiro sinalizou, permitindo transações internacionais instantâneas, seguras e totalmente rastreáveis sem depender de correspondentes bancários norte-americanos.

O que esperar daqui para frente?

A desdolarização não significa que o dólar vai sumir ou perder o valor do dia para a noite. Ele continuará sendo uma moeda gigantesca e influente. A grande transformação é a transição para um mundo multipolar — onde existem várias opções na mesa.

Até 2028, à medida que os novos sistemas do BRICS saírem dos laboratórios e ganharem o mercado financeiro real, o comércio global tende a ficar mais barato, ágil e menos refém das decisões de um único país. E o Brasil caminha para estar muito bem posicionado nessa nova arquitetura financeira.


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