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O que acontece na Bolívia é luta de classes, não identitarismo

Reproduzo artigo da Causa Operária. Concordo com a Essência do artigo: É a Luta de Classes na fase mais aguda que esta em andamento na Bolívia. O que interessa a Burguesia, ao capital financeiro e ao Império, são as riquezas existentes na Bolívia e que o Governo Evo Morales decidiu distribuir um pouquinho melhor. Nada muito diferente dos governos do PT no Brasil. Ao tentar fazer movimentos mais concisos no sentido de mexer com os interesses do Capital, a burguesia chamou seus cães de guarda de sempre e deu o golpe. Estamos falando de Luta de Classes. E da burguesia chamando o fascismo pra defender seus interesses contra a Classe Trabalhadora, que na Bolívia é em sua maioria indígena. Não se trata de não compreender a existência das diferenças, mas sim de compreender que os interesses em jogo são econômicos. É claro que a esquerda precisa por na mesa a questão das identidades, mas não pode abandonar o que move o mundo, qual seja, o trabalho, que é o que unifica a todos os explorados. Ou alguém, independente de identidade, sobrevive sem trabalho, seja ele rudimentar ou altamente tecnológico? Não se trata portanto de desconhecer a questão identitária, mas de compreendê-la sob o tema da questão econômica. A seguir, o texto da Causa Operária:

Ao afirmar que o problema indígena é central na discussão do golpe na Bolívia, a esquerda acaba caindo numa política de tipo frente-populista

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 Foto: bandeiras Whipala.

O golpe militar em marcha na Bolívia está servindo para esclarecer aonde vai parar a política da esquerda pequeno-burgesa. Entre as muitas ideologias da burguesia, repetidas por essa esquerda, está o chamado identitarismo.

No caso da Bolívia, muitos setores da esquerda se confundem com o fato de que a direita fascista está atacando os representantes indígenas, que são parte fundamental, não só da massas de trabalhadores bolivianos e do seu setor mais combativo – a classe operária – como também do próprio governo Evo Morales.

Uma das organizações da esquerda pequeno-burguesa que apresenta uma interpretação um tanto quanto identitária para a situação na Bolívia é a MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores). Em seu sítio na internet, o Esquerda Diário, o MRT afirma que “enquanto no Equador e no Chile os levantes populares trouxeram o protagonismo das populações indígenas e seus símbolos, na Bolívia o movimento “cívico” queima bandeiras Whipala, símbolos dos povos originários quíchuas e aimarás.”

Segundo o autor do texto, Marcello Pablito, o essencial da situação política no continente seria o identitarismo. No Chile e no Equador, as mobiliações “levantam as bandeiras mapuches e indígenas” e a diferença na Bolívia  é que esses símbolos são queimados pelos golpistas. Para o MRT, esse seria o problema central da luta política nesses países, se não central, com certeza muito mais importante do que outros.

Para não deixar dúvidas, logo depois, o texto afirma que “o imperialismo busca, através de um golpe de Estado racista, dar uma resposta reacionária ao ascenso da luta de classes na região.” A resposta do imperialismo, portanto, seria o racismo. Para o MRT, a luta de classes está determinada pelo racismo.

Adolf Hitler, na Alemanha, perseguia os judeus. Pela lógica do MRT, issso seria a resposta da burguesia alemã diante da classe operária. O problema essencial não seria justamente a destruição dos sindicatos, dos partidos operários, do terror contra o povo para impor uma derrota aos trabalhadores alemãs. Para o MRT, que não por coincidência é o que afirma a “história oficial” contada pela burguesia, o central do nazismo era a perseguição ao judeus.

O que o MRT e a esquerda pequeno-burguesa em geral não entendem é que a perseguição aos judues, embora tenha sido um dos absurdos do nazismo, foi uma cobertura ideológica para a perseguição política da classe operária e de suas organiações. Ou seja, o central era a luta de classes, não em palavras, mas em ação efetiva da burguesia contra os trabalhadores.

Os ataques racistas contra os indígenas na Bolívia é uma cobertura para a política de extermínio do povo. É preciso denunciar esses ataques, mas é preciso situá-los corretamente na luta de classes. Chamar simplesmente o golpe de “racista” só ajuda a confundir o panorama.

O que está acontecendo na Bolívia, assim como o que ocorre no Brasil, é a ofensiva do imperialismo e da direita contra os trabalhadores e o povo. É um ataque político que visa destruir as organiações operárias, populares, reprimir os trabalhadores, acabar com direitos seus democráticos. O objetivo de tudo isso é um enorme ataque econômico contra o País, em primeiro lugar contra os trabalhadores.

E qual é o problema dessa confusão política? Ao atribuir esse viés identitário ao golpe militar, o MRT e a esquerda pequeno-burguesa que defende tal política caem num política de tipo frente populista. Isso porque apaga-se a questão de classe – ou, na melhor das hipóteses, dissolve em outras questões. Existe luta de classes, mas a luta do povo indigena tem o mesmo peso. Segundo essa lógica, deveríamos então defender um indígena seguidor de Luis Fernando Camacho?

Esse é o extremo da política que a esquerda pequeno-burguesa coloca em prática no Brasil. Quando Manuela D’Ávila se solidaria com a fascista Ministra de Bolsonaro, Damares Alves, ou com a socialite fascista Joice Hasselman, o conteúdo disso é uma suposta identidade pelo fato de serem mulheres. Ignorando com isso o fato de que são mulheres que agem com muito mais energia e poder contra os direitos das próprias mulheres do que a maioria dos homens.

Também na Bolívia, se levarmos até o fim a ideia do MRT, nem devemos atacar a presidenta golpista autoproclamada Jeanine Añez, afinal, ela é mulher.

O que está em jogo na Bolívia é o caminho de uma guerra civil, ou seja, a expressão mais aguda da luta de classes: o imperialismo contra a classe trabalhadora. A burguesia racista e a “não-racista”, se é que existe isso, deve ser combatida. Esconder esse conteúdo fundamental da luta é não só confundir os trabalhadores, como é jogar o movimento para uma política de aliança com a burguesia, desde que ela esconde seu racismo ou não queime as bandeiras Whipala.

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