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China exige pedido de desculpas e Itamaraty critica embaixador

Com ao menos sete mortes pelo coronavírus e 621 casos confirmados, filho de presidente mantém estratégia de buscar polêmicas

Do Valor Econômico

 Filho do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) abriu uma crise diplomática com a China ao culpar o país pela pandemia do coronavírus. A reação do governo chinês foi imediata, com a exigência de um pedido de desculpas da embaixada no Brasil, mas o Itamaraty respondeu com críticas e exigiu uma retratação da China. Coube ao vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e ao comando da Câmara e do Senado tentar amenizar o embate, ao isolar Eduardo e afirmar que o filho do presidente não fala em nome do governo brasileiro.As críticas de Eduardo à China começaram na noite de quarta-feira, pouco depois de o presidente ter sido alvo de panelaços em pelo menos 22 capitais, com cobranças por ações concretas para enfrentar a crise decorrente do coronavírus.Pelo Twitter, o deputado culpou a China pela doença e acusou o governo chinês de ocultar informações sobre o coronavírus. “Quem assistiu Chernobyl vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. Mais uma vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas. A culpa é da China e liberdade seria a solução”, disse Eduardo.Em tom inusual para declarações no mundo diplomático, a Embaixada da China no Brasil reagiu também publicamente, via Twitter, e reproduziu postagem feita pelo embaixador Yang Wanming: “As suas palavras são um insulto maléfico contra a China e o povo chinês. Tal atitude flagrante anti-China não condiz com o seu estatuto como deputado federal, nem a sua qualidade como uma figura pública especial”, afirmou o embaixador. “A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty e à Câmara.”O perfil oficial da embaixada chinesa chegou a fazer um tuíte – apagado minutos depois – mais forte: “As suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizade entre os nossos povos”.A resposta do Itamaraty, ontem, seguiu a linha do confronto. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, criticou o embaixador da China no Brasil e cobrou uma retratação do governo chinês. Em nota divulgada pelo Twitter, Araújo disse que é “inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao Chefe de Estado do Brasil”. O ministro afirmou que as críticas feitas por Eduardo à China não refletem a posição do governo, mas defendeu o filho do presidente.“A reação do embaixador foi, assim, desproporcional e feriu a boa prática diplomática. Já comuniquei ao embaixador da China a insatisfação do governo brasileiro com seu comportamento. Temos expectativa de uma retratação por sua repostagem ofensiva aos chefes de Estado”, disse Araújo. “O Brasil quer manter as melhores relações com o governo e o povo chinês, promover negócios e cooperação em benefício recíproco, sem jamais deixar de lado o respeito mútuo.”Com a ameaça à relação bilateral entre Brasil e China, o vice-presidente da República buscou apaziguar o embate, ao reforçar que Eduardo não fala pelo governo. “Eduardo Bolsonaro é um deputado. Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha, não era problema nenhum. Só por causa do sobrenome. Ele não representa o governo”, disse o vice-presidente, em entrevista à “Folha de S. Paulo”. “Não é a opinião do governo. Ele tem algum cargo no governo?” A crítica de Mourão ao filho do presidente tornou-se um dos assuntos mais populares ontem no Twitter, com o “Eduardo Bananinha”.Em 2019, o Brasil exportou US$ 62,7 bilhões à China e teve superávit de US$ 27,6 bilhões no comércio bilateral. O país é o maior comprador de soja e minério de ferro, entre outros produtos, e tem aumentado a presença como investidor.O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu desculpas à China e ao embaixador chinês “pelas palavras irrefletidas” de Eduardo. “A atitude não condiz com a importância da parceria estratégica Brasil-China e com os ritos da diplomacia. Em nome de meus colegas, reitero os laços de fraternidade entre nossos dois países. Torço para que, em breve, possamos sair da atual crise ainda mais fortes”, afirmou, no Twitter.Na mesma linha conciliatória, o Senado fez um ofício, também pedindo desculpas. No documento assinado pelo vice-presidente da Casa, Antonio Anastasia (PSD-MG) – o presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP) está em isolamento por ter sido infectado pelo coronavírus, mas apoiou a mensagem -, a Casa pede ao embaixador da China no Brasil que leve ao presidente da China, Xi Jinping, a manifestação de respeito e solidariedade ao povo chinês.Com a gravidade do cenário brasileiro por conta do aumento de pessoas contaminadas pelo coronavírus, com ao menos sete mortes e 621 casos, o filho do presidente preferiu manter as declarações polêmicas. Pelas redes sociais, Eduardo reiterou ontem as críticas ao governo chinês e afirmou mais uma vez que a China censura dados sobre o coronavírus. O parlamentar, no entanto, disse que “jamais ofendeu o povo chinês”, afirmou que não teve a pretensão de falar pelo governo e que “não desejamos problema com a China”.O governo chinês, novamente, reagiu e a embaixada disse que as falas de Eduardo são “absurdas, preconceituosas e irresponsáveis”. “Não vale a pena refutá-las. Aconselhamos que busque informações científicas e confiáveis nas fontes sérias como a OMS, úteis para ampliar a sua visão”, disse no Twitter.

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