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DataFolha: Crescimento de Bolsonaro não é tão grande assim… mas esquerda segue perdendo por “WO”

Bolsonaro tem em torno de 1/3 do eleitorado brasileiro. O crescimento da aceitação dele no ultimo período ainda o mantém neste patamar. Não é o suficiente para ganhar em 2022. Mas é bem mais que suficiente para avançar e eleger muitos Prefeitos e Vereadores mais fiéis do que tucanos, pmdbistas e outros que tais. Em 2016, ano da eleição dos atuais Prefeitos e Vereadores, o bolsonarismo ainda era uma criancinha que não chegava a 10% do eleitorado brasileiro. Aquele foi o ano de selar o certeiro golpe contra o projeto nacional desenvolvimentista, encetado pelas mesmas redes que se fortaleceram a partir de 2013 e que tinham por propósito da hora, destruir o PT e a maior liderança que a Classe Trabalhadora havia forjado no ocidente até então. Não se falava em Bolsonaro. Se falava em “combater a corrupção”. Fruto destes tempos, temos até hoje uma esquerda enredada entre narrativas que falam de moral e exigem uma “autocritica” sobre uma corrupção que nunca foi dela e que segue campeando solta e outras narrativas que falam de identidades várias, e que nenhuma localiza o que unifica a todos os que são de baixo: o trabalho ou a falta dele.

A narrativa bolsonarista avança sobre as trincheiras da esquerda manietada pela falta de narrativa, que a faz reproduzir a própria narrativa bolsonarista ao contestá-la, ampliando ainda mais a dimensão da mesma, repetindo atos com sinais invertidos como o #EleNão.

A “esquerda” foi as ruas durante a pandemia para gritar um “Fora Bolsonaro” e dizendo “Fique em Casa”. Bolsonaro foi as redes, as mesmas com as quais ele se relaciona desde a campanha de 2018 dizer: “Quem tem que trabalhar, saia de casa. Quem tem que morrer, vai morrer”. E mostra uma solução mágica pra curar a doença: a Cloroquina. Fala portanto em TRABALHO, fala com o senso comum ao dizer que “quem tem que morrer morre de qualquer jeito” e oferece uma solução imediata para a doença: a Cloroquina. E toma pau da esquerda nas redes…e nas ruas. e cresce. Não muito, Mas cresce. E mantém o patamar de 1/3. Toda as falas de Bolsonaro sempre foram dirigidas a manter a sua Bolha unificada. E mesmo durante a tragédia da pandemia, vê-se agora, que ela continua bem sólida, capaz inclusive de se ampliar.

A Comunicação via Redes Sociais, que levou a nossa fragorosa derrota ideológica da qual a eleição de 2018 foi só o símbolo, continua sendo o caminho pelo qual Bolsonaro mantem sua base. Investimentos milionários internacionais e nacionais mantem times profissionais atuando na defesa e no ataque dos times que disputam o “campeonato” do Mercado Mundial. Aqui por hora, o time que tem Bolsonaro no ataque esta vencendo. O outro time tenta arregimentar jogadores antes emprestados ao bolsonarismo. Trás youtubers, artistas e outros que tais para o outro lado do campo. Mas nenhum dos dois times joga “pela esquerda”. Estes aí são os times do “Mercado” e quem os comanda são os “deuses do Vale do Silício” e os “senhores do dinheiro do mundo”.

É um campeonato de narrativas atiradas diuturnamente pela “arma” da Tecnologia e da Comunicação.

Já a esquerda que tem time e jogadores de carne e osso, por hora não tem mandado o time a campo e continua perdendo por ¨WO¨.

WO é a sigla para a palavra em inglê walkover, que traduzido para a língua portuguesa significa “vitória fácil”. … O WO é a atribuição de uma vitória dada a determinada equipe ou competidor individual quando a equipe adversária está impossibilitada de competir ou quando não existem adversários.

Leia também o artigo : Enquanto a esquerda “treina” com intermináveis lives, em campo a direita vai ganhando quase todas por “WO”

E repito os argumentos acima, por que acredito mesmo, como o Paulo Moreira Leite no comentário que reproduzo a seguir, que Bolsonaro continua com números que cabem dentro de sua própria Bolha, que ainda cresce mais lentamente.

Ela pode ser contida e derrotada. Mas para isto a esquerda tem que entrar em campo, apresentar uma narrativa clara e compreensível e ter estratégia e foco na razão da sua existência: a Defesa do Valor do Trabalho e dos Trabalhadores com todas as diferenças que entre eles possa haver.

Por que os outros dois times que estão em campo não jogam pelos trabalhadores.

Segue ocomentário do Paulo Moreira Leite:

NUMEROS E FANTASIAS EM TORNO DO DATAFOLHA

A mais recente pesquisa do Datafolha pode até animar vozes a espera de qualquer pretexto para enfraquecer a oposição a Bolsonaro mas há pelo menos cinco razões para acautelar-se, escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia:

1. Na soma geral, Bolsonaro foi avaliado como “bom e ótimo” por 37% da população. Recebeu “ruim e péssimo” por 34%. Uma diferença irrisória, quando se recorda que a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos, para cima ou para baixo.

2. Bolsonaro segue um dos piores presidentes desde a democratização. Após 18 meses de mandato, sua avaliação só é um pouco menos ruim que a de Fernando Collor — aquele que tungou a poupança e foi expulso do Planalto dois anos depois da posse.

3. A credibilidade de Bolsonaro resume-se a uma matemática simples. Para cada cidadão que acredita na palavra do presidente, dois dizem que nunca fala a verdade: 22% contra 41%, segundo o Datafolha.

4. O único setor social onde Bolsonaro consegue um apoio superior a 50% é aquele com menor peso social: entre empresários, onde 58% aprovam o governo. Um dado preocupante para Bolsonaro, quando se recorda ali nasceu a debandada de vozes neo-liberais que deixaram (e ameaçam deixar) o governo.

5. O modesto movimento a favor da avaliação de Bolsonaro tem origem no benefício emergencial de 600 reais. Prevista para terminar em setembro, a medida foi iniciativa dos partidos de oposição, em particular do PT, PSOL, PC do B.

A proposta do bolsonarismo era de 200 reais, demonstração definitiva da falta de compromissos deste governo com o bem-estar da população, fantasia improvisada que o Planalto tenta vestir num esforço para 2022.

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