SAÚDE/Vacina

É campanha de vacinação ou “me engana que eu gosto”?  (Por Fernando Brito)

É campanha de vacinação ou “me engana que eu gosto”?  — Brasdangola Blogue

Já se escreveu aqui no post Vacina: qual, quando, quantas. Está na hora de saber a verdade.

Ontem à noite, Jair Bolsonaro editou Medida Provisória permitindo a compra antecipada de vacinas, mesmo antes de sua certificação pela Anvisa.

Não é novidade e já podia ser feita, mediante condições, como aconteceu com a Sinovac/Butantan e com a Astrazêneca/Fiocruz.

Só que não se anuncia início de vacinação – como fez ontem o general Eduardo Pazuello – sem ter vacinas para isso.

Os dois milhões de doses indianas – ainda uma promessa – não são o suficiente nem para uma semana de uma vacinação nem mesmo restrita aos chamados públicos prioritários definidos no pretenso Plano Nacional de Vacinação (veja à página 43).

O público da “Fase 1” definida pelo Ministério – trabalhadores de Saúde; pessoas de 75 anos ou mais; pessoas de 60 anos
ou mais institucionalizadas; população indígena aldeada em terras demarcadas e comunidades tradicionais ribeirinhas da Amazônia – soma 14,8 milhões de pessoas e, com intervalo de duas semanas entre as vacinas, tomará um mês ou pouco mais e consumirá 30 milhões de doses.

Portanto, as vacinas indianas, numa vacinação disposta a ter esta abrangência e prazos, teria de ser aplicada em quantidades diárias entre 500 mil e um milhão e durariam entre dois e quatro dias. E depois?

Não ache o leitor que estou exagerando: para atingir os 170 milhões de brasileiros com duas doses nos 16 meses (480 dias) previstos oficialmente para a vacinação, seria necessária uma média de 700 mil aplicações por dia!

Se os meus colegas da grande mídia duvidarem, peguem o velho papel e lápis e façam a conta. Mas, por favor, perguntem então como vai se operar este “milagre”.

Das duas uma: ou teremos uma vacinação para a mídia ver – e isso não está sendo raro no mundo – ou o governo federal terá de lançar mão dos quase 11 milhões de doses em poder do governo de São Paulo, as únicas vacinas que o país tem, fisicamente.

Nem é preciso falar das reações que isso irá causar e do quanto isso vai desorganizar um plano de vacinação que está sendo montado há tempos e com razoável planejamento.

Para lançar uma vacinação em janeiro, só assim, até porque não há possibilidade de que antes do final do mês a produção esperada da Fiocruz esteja em condição de estar pronta para ser distribuída, uma vez que não chegaram os bulks com o ingrediente ativo da vacina de Oxford, que terão de ser diluídos, envasados, verificados em controle de qualidade, empacotados e despachados para os centros regionais de vacinação.

Há um mês, talvez bastassem planos e declarações de intenção. Agora, porém, é dever da imprensa exigir do governo (e de suas instituições) respostas objetivas a estas questões.

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