
RIO – O Brasil chegou nesta quarta-feira no auge da pandemia com quase cem brasileiros mortos por hora. Entre 20h de terça e 20h de quarta-feira, foram registrados 2.349 óbitos, segundo o consórcio de veículos de imprensa.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o mundo registrou, até às 22h desta quarta-feira, 7.413 mortes nas últimas 24h. Isso significa que o Brasil, sozinho, teve 31% de todos os óbitos do planeta.
O recorde brasileiro ocorreu na véspera de um ano da classificação da crise sanitária global como pandemia — a declaração foi feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 11 de março de 2020.
O consórcio é formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h.
A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde. O governo do Distrito Federal não divulgou o seu boletim nesta quarta-feira.
Cientistas condenam ‘fracasso’ do governo
Para a epidemiologista Gulnar Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), os números atuais da pandemia são reflexo do “fracasso” da resposta do governo federal à pandemia.
— Não era para o Brasil estar nesta situação. Essa quantidade de óbitos é inaceitável — condena. — Já vínhamos alertando há muito tempo sobre o crescimento deste índice.
A associação defende um lockdown de rigor máximo para combater a pandemia no país.
— Precisamos de pelo menos 14 dias de restrições fortes para conseguirmos ter um quadro menor (de casos e infecções) dentro de algumas semanas — diz. — Mas não estamos vendo medidas restritivas organizadas e bem feitas. Não há sequer uma campanha forte de comunicação mostrando que este momento é gravissimo, e que só devemos sair de casa em caso de última necessidade.
Para a microbiologista Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência e colunista do GLOBO, a campanha de vacinação não deve ter efeito na taxa de infecção da Covid-19 em curto prazo no Brasil. Até o momento, o Brasil imunizou apenas 4,26% de sua população com a primeira dose (9.013.639 aplicadas). Somente 1,5% tomou a segunda dose (3.166.189), de acordo com o boletim da imprensa.
— Nossa campanha de vacinação ainda está muito incipiente, porque não temos doses suficientes. Precisamos pressionar o governo para comprar mais vacinas ou destitui-lo dessa função.
Para a microbiologista, novas variantes mais transmissíveis do coronavírus podem ter influenciado as estatísticas, mas não está claro qual seria o seu peso.
Leia também: Ministério da Saúde diz que vacinação no Brasil pode parar por falta de doses e pede ajuda a chineses
Os relatos e dados regionais que indicam uma maior contaminação de jovens por Covid-19 podem não estar relacionados a novas variantes como a P1, mas a um recorte de idade entre os infectados, avalia Pasternak.
— Pode ser que tenha havido uma maior exposição ao vírus entre quem frequentou carnaval ou balada nesse período — cogita. — É uma questão de probabilidade. Se temos mais jovens contaminados, então haverá mais jovens internados.
Com Informações de O GLOBO
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