Brasil/democracia

Repensar e construir o futuro! (Por Jaime Rodrigues)

Hoje vivemos uma profunda “Transição de Tempo Histórico” onde a sociedade sofre mudanças completas em suas bases estruturais e os valores do desenvolvimento se relacionam entre si de maneira muito diferente do que foi em outros períodos. É praticamente impossível tentar a definição desta dinâmica porque nada evolui por previsão. Os caminhos para se inserir nesta realidade são construídos e se fazem reais a partir da qualidade de análise, dos objetivos e como evoluirmos pela Práxis. Trata-se de um processo a ser construído. A Democracia deve ser Participativa.

Este fenômeno é internacional e se apresentam das mais diversas maneiras. É necessário definir que em nosso país existe uma diferença de forças políticas para o enfrentamento desta realidade e suas mudanças. É evidente que nem uma das posições é absoluta, única e sem dinamismo que não possa evoluir. Ocorre que não se trata de questões somente eleitorais. É necessário responder por questões de valor histórico. Estas exigências não se suprimem com respostas vazias. É hora de propor o próprio futuro da Nação. Neste sentido é necessário dizermos que os conservadores e progressistas estão organizando suas partes e hoje temos a possibilidade de um confronto bastante oposto.

Não se trata somente do “modo de fazer política”, como a “direita tradicional” procura caracterizar para estabelecer uma diferença, que existe, mas não alcança ainda uma separação, entre os que procuram se apresentar como “ponderados”, da “velha política” em separado dos “loucos” que estão no governo. É evidente que existem diferenças entre os dois lados, mas alcançam semelhanças significativas de compreensão e orientação para a sociedade.

Estes dois lados conservadores não se preocupam e não se definem ou têm mesmo desprezo da grave situação social do Brasil. Procuram iludir a população com uma linguagem arcaica de que vendendo o Estado o mercado soluciona tudo com sua “prática moderna, ágil e rápida”. A diferença entre os diversos setores conservadores a partir desta definição é pequena e até podemos dizer que não existe.

Deixar uma enorme população de mais de duzentos milhões de pessoas e toda nossa Nação às mãos desta suposta proposta é absolutamente absurdo. É jogar no escuro e sem rumo. Na verdade será o grande capital que irá definir com seus interesses o caminho a ser seguido. Ocorre que toda a direita política no Brasil além desta falta de orientação tem outras graves atuações na política a serem respondidas. Quem foi responsável pelo “Golpe de Estado no Governo da Presidenta Dilma?”. Quem defendeu o programa “Ponte para o Futuro”? Quem aceitou eventos e fatos políticos negando os valores da justiça brasileira como o julgamento em Curitiba? Quem colocou uma Mídia anti Democrática em atuação? Aqui estão algumas perguntas, mas poderíamos levantar muitas outras como a gravíssima posição política de impedir o Presidente Lula ser candidato a presidente da República.

Além destas dívidas com a sociedade a direita deve responder pelo que efetivamente fizeram nestes cinco anos de governo. Baixaram salários, tiraram as garantias de trabalho, destruíram intencionalmente empresas particulares brasileiras, destruíram empresas estatais, aumentaram o desemprego e atentaram à cultura, saúde, a estrutura administrativa do Estado e muitos outros elementos estruturais da Nação.

Não responder a tudo isto e ainda propor vender o Estado é propor voltarmos a ser Colônia ou destruir a Nação e ter total desprezo pela população brasileira! Na política é necessário responder pelos seus propósitos, sua organização e respeitar os valores.

Esta resposta profundamente amarga e cruel ao País foi apresentada por este Neo Liberalismo que não deu certo em lugar algum. É solução do passado e foi conservador sempre. Trump nos EUA e Bolssonaro no Brasil foram “soluções” de que se valeu da Milícia como sustentação organizacional e ideológica (questão destas dimensões relativamente nova na política brasileira), junto existe importantes setores religiosos que procuram espaços políticos e reconhecimento na sociedade. Estes setores conseguiram “juntar” toda a direita e, com a participação das Forças Armadas Brasileiras, o STF e toda a Justiça do Brasil, a Mídia, o Congresso e uma elite que nunca demonstrou desejar um país com Autonomia e Grandeza própria. Hoje opta direto pela submissão total ao grande capital internacional. A nossa Democracia nunca se afirmou por muito tempo e carece da participação do próprio povo. Para enfrentar todas estas distorções estruturais e, principalmente fazer estas enormes reformas estruturais é preciso ampliar e transformar a Democracia.

A disputa política é grave e está em um contexto de Transição Histórica no mundo todo. Nos EUA um importante setor da burguesia esta tentando uma alternativa diferente do Neoliberalismo superado. Está no começo, todos nós sabemos, mas já existem indícios que a intenção é esta. O confronto de grandes dimensões com a China, Rússia e os muitos países com soluções das “Rotas das Sedas” retomou em novas condições. O imperialismo oriundo com o capitalismo, principalmente ocidental está muito fragilizado e o lado asiático está muito forte, com ascensão significativa.

Sinceramente é melancólico, para dizermos o mínimo. Todo o nosso povo, com cultura própria, história e grandeza está a perigo por uma “alternativa” mesquinha e miserável como ainda é defendida pelas orientações conservadoras. Acredito que na medida da evolução histórica deste processo político e esta divisão de forças deverá mudar. Não existe só falta de nomes eleitorais na direita. Falta autocrítica e proposta. A direita está mal, mas não está morta! Devemos entender que não é hora de aproveitamento oportunista da fragilidade com que se apresentam. Os setores conservadores existem, é preciso que alcancem superar seus equívocos e limitações de maneira a construirmos o futuro com debates e disputas claras e não com práticas de desunião e imposição aos outros. É um momento de respeito e de questionamentos, com diferenças, mas construindo a Nação.

As forças de esquerda tendem a um caminho que poderá ser positivo e é possível que, mais do que superarmos os dramas do momento venhamos a conseguir um enorme “Salto Histórico para o Brasil”. Nosso maior mérito é o compromisso com a população. Ocorre que como proposta para a realidade atual é preciso construir com conhecimento e prática. Superar os malefícios que permanecem de um passado de escravidão em nossa sociedade. Nosso tema central como proposta política é a relação social. São resquícios que perduram de um escravismo de mais de 350 anos. Valores ideológicos, sociais e políticos que aparecem, principalmente hoje porque as exigências são novas, com participação, como enorme obstáculo de desenvolvimento. Este tipo de domínio nos trouxe características do patriarcalismo e de estrutura da sociedade que impõe e limita muito a reação contrária. Nós temos uma força enorme em outros aspectos de nossa realidade com Universidades de grande valor, uma mão de obra altamente qualificada, uma importante estrutura industrial instalada, o início importante de serviços, uma natureza maravilhosa e, algo que nos faz poderosos, uma Cultura Universal.

Temos que recomeçar do que somos. Não precisamos ficar esperando o grande capital chegar, aliás, ele está saindo. Nós temos qualidades suficientes para enfrentarmos nossas dificuldades atuais se valorizarmos a população, construir também junto com a pequena e média empresa, retomarmos a grande empresa com nosso conhecimento ou renegociando com o grande capital. Mas a economia é um aspecto, na verdade devemos alcançar transformarmos tudo. A própria burguesia brasileira poderá modificar e deixar de se iludir com “soluções” pequenas e impostas. É fundamental que aprenda a ter coragem, respeitar os outros e construir seu espaço na sociedade.

Tudo deve ser construído, e o panorama atual apresenta indícios que começa a mudar. Também devemos saber que é fundamental termos uma alta Democracia Participativa para construir as forças populares!

Jaime Rodrigues

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