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O “Putsch” de Bolsonaro: Camarilhas e Chantagens (Por Ilton Freitas)

O “Putsch” de Bolsonaro: Camarilhas e Chantagens

A mobilização bolsonarista para o sete de setembro tem muito menos a ver com uma tentativa de  “putsch”, ou de golpe de estado, e muito mais com a lógica de sobrevivência das camarilhas que assaltaram o estado brasileiro, tendo em vista a acomodação de interesses de rapina e de preservação de postos no governo. O que Bolsonaro e seus mentores pretendem com ameaças às instituições democráticas desgastadas é se cacifar a seu modo para a reeleição em 2022, e sonham em reproduzir o mesmo arco de alianças do campo golpista e conservador de 2018. No entanto, o grande capital já emitiu sinais suficientes de que Bolsonaro e seu grupo serão descartados. 

           Desfile militar para Bolsonaro: tanque soltando fumaça e presença de poucos blindados foram chacota nas redes

                                                                                    (fotos: reprodução Twitter)

O “Putsch” de Bolsonaro: Camarilhas e Chantagens

Putsch é uma palavra de origem alemã que significa golpe ou tentativa de golpe de estado por setores vinculados a forças militares e/ou policiais. Na história das repúblicas ocorreram muitos putschs como é de conhecimento de um público mais ou menos familiarizado com o tema. No Ocidente se tornou paradigmático uma tentativa de golpe (putsch) na Alemanha em 1923, a partir de uma cervejaria em Munique. Na oportunidade parte minoritária da soldadesca desmobilizada e desmoralizada pelos resultados da I Guerra Mundial e pelos pesados fardos (indenizações de guerra) que recaíram sobre a república alemã, foram exortados por fanáticos racistas liderados por um ex-cabo sifilítico (A. Hitler) a depor o governo de turno. Foram todos presos e processados, porquanto a Alemanha nos anos vinte  – em que pese a crise econômica profunda – se pautava com todos os seus limites pelo estado democráticos de direito. Dos anos trinta em diante sabemos da tragédia que se abateu sobre aquele país e que resultou na ditadura de extrema direita e seu séquito de monstruosidades.  


Pois bem, o “golpe” planejado pelo bolsonarismo para o próximo 07 de setembro, no “Dia da Independência“ pode até ter alguma inspiração nos putchs nazis do século passado, assim como as “motociatas“ se inspiraram no chefe dos fascistas italianos, Mussolini, aquele mesmo que o povo italiano pendurou de cabeça para baixo no final da Segunda Guerra, em 1945. Contudo, a mobilização bolsonarista para o sete de setembro tem muito menos a ver com uma tentativa de  “putsch”, e muito mais com a lógica de sobrevivência das camarilhas que assaltaram o estado brasileiro, tendo em vista a acomodação de interesses de rapina e de preservação de postos no governo.


Em outras oportunidades remarquei que a “Guerra Híbrida”[1] desatada sobre o Brasil pelo imperialismo norte-americano e seus aliados internos, cujo ponto de inflexão foram as “Jornadas de Junho” de 2013, objetivaram em produzir o caos no País. As malfadadas “Jornadas” – e outras ações combinadas para desgastar a presidente Dilma – criaram as condições para o golpe parlamentar  em 2016 e o impeachment ilegal do governo , a perseguição jurídica e a prisão do ex-presidente Lula e seu impedimento de concorrer às eleições presidenciais de 2018. Bolsonaro é o resultado de todo esse processo e os generais entreguistas, que são os seus mentores, o fazem atuar como agente da destruição da nação e da mais abjeta subjugação do País, de sua população e de suas riquezas a uma potência estrangeira. Grosso modo o “governo” Bolsonaro atua como uma força de ocupação externa sobre o Brasil e é sustentado pelos setores e pelas camarilhas mais degradadas das classes empresariais, agentes corrompidos do estado e das elites nativas.


Entrementes, à destarte dos objetivos logrados com o caos e a destruição nacional induzida e  representada pela repugnante figura de Bolsonaro, os seus promotores e financiadores externos e internos colheram efeitos indesejados. O pano de fundo disso tudo é a crise e destruição dos fundamentos da economia nacional e a gestão criminosa e ridícula da pandemia da Covid-19. Por conta do cenário econômico, sanitário e social desolador colheram efeitos indesejados. 


O primeiro efeito diz respeito a inelutável ascensão da alternativa política e eleitoral representada pelo ex-presidente Lula e o fracasso até então de construção de uma “terceira via” neoliberal, ou, de um bolsonarismo sem Bolsonaro. Posto que a tentativa de criminalização e banimento do ex-presidente fracassou e as pesquisas de intenção de voto mais recentes revelam a possibilidade de Lula se eleger em primeiro turno, o fenômeno carrega inúmeras perplexidades e contradições ao campo golpista. O segundo efeito indesejado tem relação com a insustentabilidade de num País complexo e relevante em termos de recursos e de população ser governado por camarilhas depredadoras dos recursos públicos. São inúmeras as camarilhas que assaltaram o Estado brasileiro[2] com o beneplácito do grande capital forâneo, que as utilizou para derrubar os governos desenvolvimentistas do PT.

Bolsonaro tem relação orgânica com milícias cariocas, com o crime organizado, com os generais e oficiais entreguistas das forças armadas e com elementos fascistas das polícias militares. Além desses atuam com desenvoltura os “pastores” narco-evangélicos, os setores degradados da classe empresarial que atuam em diversos ramos, da indústria farmacêutica à extração ilegal de madeira na região Norte, grileiros e criminosos ambientais, traficantes de armas, privatistas neoliberais e sub-representantes dessa malta. Por óbvio que esse conserto de meliantes avançariam vorazmente contra os recursos e negócios públicos e em algum momento as contradições transbordariam colocando em risco um certo ambiente de negócios do País e as reputações, afugentando desse modo os investidores e  transformando o País num estado pária.
Contudo, o desenvolvimento dos efeitos indesejados (ascensão de Lula/governo de camarilhas) numa conjuntura de profunda crise econômica, sanitária e social, catalisam uma enorme tensão política.

O que Bolsonaro e seus mentores pretendem com ameaças às instituições democráticas desgastadas é se cacifar a seu modo para a reeleição em 2022, e sonham em reproduzir o mesmo arco de alianças do campo golpista e conservador de 2018. Por outro lado, o grande capital e seus representantes mais lúcidos sabem que a fórmula do bolsonarismo se esgotou e seu potencial eleitoral declinante (15 a 20% de eleitores) será insuficiente para fazer páreo à oposição nas presidenciais. Bolsonaro e seu grupo perceberam que serão descartados e reagem com o objetivo de demonstrar que são viáveis politicamente e tem “apoio” na sociedade, ou, outra hipótese que não pode ser descartada é de que se utilizarão de bravatas e chantagens às instituições para forçar uma “solução de compromisso” que os livrem da cadeia num futuro próximo. Simples assim.


Do que foi dito acima não se depreende que os movimentos sociais, cívicos, partidos políticos do campo democrático e popular e as instituições que tem a missão de defender o estado democrático e de direito, façam “vistas grossas” as ameaças de baderna e de “golpe” dos bolsonaristas.  Pelo contrário. Devem condenar veementemente e demonstrar força e vigor suficientes para devolver Bolsonaro e os bolsonarismo às fossas da história. 

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