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Brasil: O que já fomos e o que voltaremos a ser! (Por Miguel Rossetto*)

Por Miguel Rossetto em seu Facebook

Nestes dias ocorre a COP 26, em Glasgow, Escócia. As COPs, Conferências das Partes, são encontros importantes promovidos pela ONU e dedicados ao tema do aquecimento global.

Acompanho o encontro e compartilho com vocês aquilo que Jamil Chade, jornalista do UOL, descreveu durante cobertura da agenda de Bolsonaro, em Roma, no G-20 prévio à COP 26. Escreveu Jamil: “Num canto daquela sala em Roma, não era um homem que parecia isolado. Mas um país que tinha perdido seu lugar no mundo”. Impressionante o isolamento imposto ao Brasil internacionalmente por conta do governo Bolsonaro, um isolamento que traduz a rejeição mundial a um governo irresponsável com seu povo e com a comunidade internacional, um produtor da morte, da violência, da destruição. As mais de 600 mil mortes por Covid, os milhões que passam fome, a violência contra os povos indígenas, os incêndios nas florestas da Amazônia, Pantanal e Cerrado são um retrato deste desastre. Um psicopata violento morando em Brasília e comandando a morte e a destruição de um país. Um presidente ausente em Glasgow, na COP 26, ausente de suas responsabilidades com seu país e com o mundo. Escrevo isto com indignação e tristeza.

Certa vez, Celso Furtado disse que nunca estivemos tão distantes daquilo que sonhávamos em ser, criticando a condição do Brasil; hoje dramaticamente é possível afirmar que nunca estivemos tão distantes daquilo que já fomos: um país respeitado e admirado pelo mundo, pelo esforço em superar a pobreza de seu povo, em construir igualdade a partir do respeito a sua linda e enorme diversidade, em buscar um desenvolvimento com respeito ambiental, por participar ativamente das agendas globais levando a bandeira da paz, da justiça e do desenvolvimento soberano para todos os povos. Participei e acompanhei vários destes momentos como ministro dos presidentes Lula e Dilma. Compartilho com vocês um momento especial vivido em Copenhague, Dinamarca quando da COP 15, que registra bem o que fomos. Um encontro muito difícil por falta de acordo entre vários governos sobre as obrigações, financiamentos e controles internos para assegurar a redução dos gases de efeito estufa. Os países ricos, em especial, buscando impor redução do crescimento dos mais podres, sem oferecer alternativa de desenvolvimento. Mas o que interessa aqui é a presença impressionante do presidente Lula. Plenária final tensa, ainda sem acordo, lotada, para a fala final dos presidentes, presidentas, chefes de governo. Delegações atentas, de ministros e assessores principais, de lideranças internacionais. Muitas falas, e pela ordem, as três mais esperadas: Hu Jintao, Lula e Obama. Aí estávamos nós, China, Brasil e EUA! Depois de Hu Jintao, com uma fala escrita cautelosa e defensiva, entra Lula. Impressionante, lembro da sua postura e fala. Sem ler, conversa com o plenário, entusiasma o plenário. Fala dos enormes desafios do Brasil para garantir renda e dignidade ao seu povo, das dificuldades de todas as nações pobres, chama os países ricos a assumirem sua responsabilidade e também anuncia os compromissos do Brasil com a redução do desmatamento da Amazônia, ampliação do uso de energias renováveis, e financiamento brasileiro aos fundos internacionais para o desenvolvimento sustentável nos países mais pobres. Não sei, cinco, sete, doze vezes aplaudido por um plenário de chefes de governo, ministros, lideranças ambientalistas e populares do mundo inteiro. Obama entrou depois.

Por aí andamos, por aí estivemos, com nossas obras e compromissos, com nosso entusiasmo por estarmos mudando nosso país e participando ativamente da agenda global necessária. Por aí estivemos, animando os povos a buscar um outro mundo, um mundo melhor. Voltaremos, mais experientes e mais ousados, para a reconstrução do nosso Brasil e para estarmos ao lado de todos os povos na construção de um outro mundo… agora já sabemos que é possível….

Miguel Soldatelli Rossetto (São Leopoldo4 de maio de 1960) é políticosociólogo e sindicalista brasileiro. Como metalúrgico e petroquímico, ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Foi ministro do Desenvolvimento Agrário nos governos Lula e Dilma; foi presidente da Petrobras Biocombustível de maio de 2009 até março de 2014; e ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República e do Trabalho e Previdência Social, no governo Dilma. Foi também vice-governador do Rio Grande do Sul durante a gestão de Olívio Dutra e candidato ao Governo do Estado em 2018.

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