Eleições/Rio Grande do Sul

Breve análise sobre a pesquisa AtlasIntel no RS (por Marcel Frison)

Por Marcel Frison (*)

O instituto Atlas apresentou relatório de pesquisa sobre as eleições de 2022 no Rio Grande, realizada entre os dias 17 e 23 de dezembro de 2021, envolvendo 1001 entrevistas feitas online através de convites randomizados e distribuídos por raking algorítmico constituindo uma amostra pelas variáveis de renda, idade e sexo.

A amostra constituída (estratificada por renda, idade e sexo) parece-me consistente e reflete o universo social do Estado. O que de resto, segue o padrão geral das pesquisas de opinião com as quais me deparei ao longo da minha vivência como dirigente político.

Isto posto, sigamos para os elementos políticos. O primeiro aspecto relevante é que a polarização político-ideológica, que tem pautado o cenário nacional, passa a refletir, igualmente, no Estado. Como podemos observar nos resultados colhidos no segundo cenário (em que um maior número de candidaturas estaduais é apresentado) pelas candidaturas de Lula (45,2%) e Bolsonaro (31,8%) e de Edegar Pretto (17,8%) e Onyx (17,3%).

Evidente que no RS, em relação às candidaturas ao Governo do Estado, a fragmentação dos campos da direita e da esquerda neste momento do processo eleitoral, torna menos nítida esta polarização. Porém, ainda levando em consideração o 2º cenário, tomemos as candidaturas ditas de esquerda (e centro-esquerda) Edegar (PT) (17,8%), Ruas (PSOL) (9,7%), Beto (PSB) (6,4%) e Bolzan (PDT) (4,5%) perfazem um somatório de 38.4%; e as de direita (e centro-direita) Onyx (DEM) (17,3%), Heinze (PP) (9,2%), Ranolfo (PSDB)(4,4%) e Alceu (MDB) (3,1%) perfazem 35%, portanto, uma leve vantagem para a esquerda.

Contudo, considerando-se o comportamento destes atores na conjuntura atual, adotando-se critérios mais rígidos na caracterização do que se apresenta como esquerda e direita, e delineando o campo do Centro (continuando cenário 2) temos:

a) Esquerda – Edegar (17,8%) e Ruas (9,7%) totalizando 27,5% das intenções de voto.

b) Direita – Onix ( 17,3%) e Heinze (9,2%) totalizando 26,5% das intenções de voto.

c) Centro – Ranolfo (4,4%), Alceu (3,1%) e Beto (condição que será explicada ao longo do texto) (6,4%), Bolzan (4,5%) totalizando 15,8%.

d) E, por fim, temos indecisos (21,7%) e voto nulo/branco (5,9%) num total de 26,7%

É mantida uma leve vantagem da esquerda, sendo capitaneada pela candidatura do deputado estadual Edegar Pretto. No cenário 1, em que não consta a candidatura do PDT, esta liderança se amplia.

As alternativas de centro ou de terceira via, continuam patinando na adesão do eleitorado,

Na aferição sobre o pleito estadual, é relevante levarmos em consideração a parcela do eleitorado que se manifesta indecisa, atingindo o índice de 21,7%. Entretanto, em relação às eleições presidenciais, este índice cai para 5,9% (e considere-se, neste caso, que a instituição juntou os indecisos com os brancos e nulos).

Interessante observar que, a julgar pelos resultados colhidos para a disputa nacional, há uma tendência clara destes indecisos se posicionarem em favor da candidatura do PT na disputa estadual, na medida em que, a maioria destes já manifesta seu voto em Lula (45,2%).

Inclusive, isto pode ser um dos elementos que explica a inesperada posição de vanguarda ocupada pelo Edegar neste momento, bastante distante do pleito do ano que vem. O deputado chegou rapidamente perto do “piso” da representatividade eleitoral do PT/RS que gira em torno de 20% da preferência do eleitorado gaúcho. Certamente crescerá nas pesquisas, a partir do momento que se tornar mais conhecido, intensificar sua ligação com o Lula e o partido começar a discutir o seu projeto para o Rio Grande.

O outro elemento crucial foi a decisão acertada do PT/RS em definir antecipadamente sua candidatura e mobilizar sua militância, dentro dos marcos legais, para se organizar e incidir sobre suas áreas de influência.

Mas, seguindo nossas reflexões, a pesquisa nos traz luzes para outras discussões relevantes sobre as eleições de 2022.

A primeira é sobre a unidade da esquerda gaúcha e qual a candidatura que poderia melhor representá-la na disputa pelo Piratini. Quatro nomes estão em evidência: Edegar Pretto (PT), Manuela D’Ávila (PC do B), Beto Albuquerque (PSB) e Pedro Ruas (PSOL).

Manuela quando colocada nesta condição (retirando-se os nomes de Edegar e Beto) no cenário 4, atinge 18,9% das intenções de voto, uma performance praticamente igual a de Edegar no cenário 1 (18,6%) com o nome de Beto mantido, e no cenário 2 (17,8%) com Beto e Bolzan inclusos. Neste cenário, crescem bastante os votos nulos e brancos que pulam de 5,9 (do cenário 2) para 11,7%, certamente resultado dos brutais ataques que a Manuela tem sido vítima nos últimos tempos. E crescem também as intenções de voto no Heinze que passam de 9,2% (no cenário 2) para 11,6 (no cenário 4), o que pode ser explicado pelo fato de tanto Edegar como Heinze tem relações muito fortes com uma base social comum, os agricultores familiares, na ausência do Edegar, alguns podem ter migrado para a candidatura do PP.

Beto Albuquerque, quando colocado como referência da esquerda (retirando-se o nome do Edegar e da Manuela) no cenário 3, percebe-se um pequeno crescimento alcançando 9,2% (contra 6,4% do cenário 2) a metade da performance do Edegar, um significativo aumento de Ruas de 9,7% (cenário 2) para 16,4%, dos indecisos de 21,7% para 26,4% e dos nulos/brancos de 5,9% para 10,5%.

Beto e o PSB/RS colhem o que plantaram ao longo das suas histórias, com posições dúbias na intensa disputa político-ideológica no estado e no país, nos momentos em que o PT estava em ascensão eram aliados, quando fomos duramente atacados e buscaram nossa desconstituição, muitos do PSB e o próprio Beto se somaram aos discursos antipetistas ou, no mínimo, se abstiveram de se posicionar em defesa da democracia.

Além disso, o PSB compõe o governo Leite, compôs o governo Sartori, e parte da sua bancada federal apoiou o Golpe contra a Dilma, assim como, atualmente, vota em favor do governo Bolsonaro.

Evidente que todos nós, apesar de tudo, devemos realizar múltiplos esforços para reconstituir nossas relações com o PSB, mas independente da pesquisa é fácil perceber que a candidatura do Beto não tem condições mínimas de unificar a esquerda.

Na esteira desta discussão, a unificação da esquerda gaúcha, a pesquisa nos demonstra a singularidade do desempenho eleitoral de Pedro Ruas e o PSOL, em todos os cenários, mantiveram seu espaço junto ao eleitorado (entre 8% e 10%) ou ampliaram dependendo das possibilidades apresentadas (16% quando Edegar é retirado da disputa), o que nos permite pensar que na ordem de prioridades na construção desta unidade, a aproximação com o PSOL adquire grande importância.

Por fim, este texto está sustentado nas informações disponibilizadas pela instituição em tela, representa uma análise a respeito de uma “fotografia” do momento, com todos os seus possíveis equívocos e lacunas.

É inegável que a candidatura do companheiro Edegar Pretto encerra 2021 em excelentes condições para enfrentar o ano que vem em posição de liderança e com grande potencialidade de crescimento recuperando nossa representatividade (a do PT) junto ao povo gaúcho. Para tanto, é de fundamental importância apresentar um projeto de mudança e de reconstrução do estado, e ainda, enfrentar com muita nitidez política os debates e os desafios que virão pela frente.

Edegar está preparado para exercer seu papel histórico, resta a nós dispor da confiança necessária, exercer com todas as forças a nossa militância e disputar a consciência de cada gaúcho e de cada gaúcha para reconstruir uma hegemonia popular, voltar a vencer e governar o nosso Rio Grande!

(*) Ex-Secretário Estadual da Habitação e Saneamento, Secretário Municipal de Saúde e vereador eleito do PT em São Leopoldo/RS

Reblogado do SUL21

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