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Recorde e vergonha: Mais de 1.600 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo no campo este ano

Mais de 1.600 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo no campo este ano. É o maior resultado desde 2013, informa a Comissão Pastoral da Terra. E isto acontece apesar do Governo ter cortado praticamente todos os recursos para fiscalização e combate ao trabalho escravo. Sinal é de que o número é bem maior do que este, apesar de já ser o maior da série. O Brasil voltando com tudo a barbárie, depois de ter provado os anos de bonança e melhorias dos Governos do PT, de Lula e Dilma, para a Classe trabalhadora.

Da CSP CONLUTAS com Informações da Comissão Pastoral da Terra

Mesmo com dados parciais até o dia 9 de dezembro, neste ano, o número de vítimas resgatadas no campo da prática criminosa de trabalho análogo à escravidão já é o maior desde 2013. Segundo levantamento da CPT (Comissão Pastoral da Terra), em 2021, foram registradas 1.636 vítimas de trabalho escravo.

O total de resgatados representa um aumento de 102% em relação ao número de vítimas em 2020, segundo dados coletados pela campanha nacional da CPT “De olho aberto para não virar escravo”. O levantamento identifica o número de casos fiscalizados, a quantidade de trabalhadores envolvidos na denúncia e o número de pessoas resgatadas.

Foram 151 casos de trabalho escravo no meio rural, dos quais 142 foram fiscalizados. O estado de Minas Gerais lidera com 49 casos e 731 pessoas resgatadas.

Minas Gerais é, mais uma vez, o estado com o maior número de casos de trabalho escravo e de pessoas libertadas dessa prática no meio rural. Foram 49 dos 151 casos identificados e 731 dos 1.636 resgatados do trabalho escravo rural. O estado do Pará ocupa a segunda posição com o maior número de casos (21), e Goiás a terceira (15). Goiás teve 291 libertados, e o Pará, 94.

Quase um terço dos casos de trabalho escravo identificados no meio rural aconteceram na Amazônia Legal. Foram 45 casos, dos quais 38 foram fiscalizados. 193 trabalhadores foram libertados na região.

Pecuária lidera prática criminosa

Segundo a CPT, a pecuária foi a atividade que, em 2021, mais utilizou mão de obra escrava no campo. Responde por 23% do total de casos, seguida das lavouras permanentes (19%), lavouras temporárias (18%) e produção de carvão vegetal (11%).

Mas, foi nas lavouras temporárias o maior número de resgatados da escravidão: 600 pessoas, 37% do total de resgatados no ano. Em segundo lugar, das lavouras permanentes foram resgatadas 382 pessoas, 23% do total, seguida da produção de carvão vegetal, de onde foram resgatadas 158 pessoas, ou seja, 10% do total.

Goiás foi responsável pelo maior resgate de trabalhadores escravizados do ano de 2021. 116 trabalhadores que colhiam palhas de espigas de milho para a produção de cigarros em Água Fria de Goiás foram resgatados por Auditores-Fiscais do Trabalho do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM).

A operação foi realizada a partir de um trabalho de inteligência fiscal, com a finalidade de apurar indícios de trabalho escravo no entorno do Distrito Federal. As vítimas eram oriundas de várias partes do país, tendo sido aliciadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Piauí.

Fiscalização deficitária

A CPT destacou que o fato do estado mineiro liderar o ranking do trabalho escravo rural nos últimos sete anos, se deve, também, à destacada atuação das equipes de fiscalização do trabalho da região.

“Com um quadro de auditores fiscais do trabalho reduzido em 44% do seu efetivo normal em todo o país (estão preenchidos hoje apenas 2.039 dos 3.644 cargos criados em lei), além das reiteradas tentativas do governo federal em fragilizar ainda mais essa atuação, o empenho das equipes garantiu um número elevado de estabelecimentos fiscalizados em 2021”, afirmou a entidade.

Quatro fatores podem definir a escravidão contemporânea: trabalho forçado, servidão por dívida, condições degradantes (trabalho que nega a dignidade humana, colocando em risco a saúde e a vida do trabalhador) ou jornada exaustiva (levar ao trabalhador ao completo esgotamento dado à intensidade da exploração, também colocando em risco sua saúde e vida).

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