Cultura/Livros/Lula

“Vamos precisar de todo mundo” (Por Ricardo Queiroz Pinheiro)

A fala do Lula na entrevista de ontem (19/01/2022) foi franca e direta. Entre convergências e divergências, o saldo é positivo e destaco uma parte óbvia: a ênfase que ele dará para a cultura em um possível novo governo.

Fonte: “Vamos precisar de todo mundo” — klaxonsbc

É evidente que é algo louvável.

O caminho até a possível eleição de Lula ainda é longo. Quero distância daqueles que vivem um clima de “já ganhou”. É preciso reconhecer os conflitos no campo econômico e social que atormentam o capital diante de uma candidatura que fere parte de seus interesses e interrompe um caminho gerado por um golpe e a consequente ruptura institucional.

A cultura é um campo que a despeito do retrato cosmético que o senso comum lhe confere, afeta estruturalmente os interesses do capital. Os processos culturais produzem crítica e reflexão, estimulam a diversidade sem a necessidade de caminhos marqueteiros com altas doses de caô liberal, abrem a janela para a construção de identidade e para a liberdade estética e podem promover as ações coletivas em detrimento da egotrip suicida promovida pela razão neoliberal.

Tudo isso é lindo, maravilhoso e cheiroso, mas, só conseguiremos construir todas essas possibilidades com política pública e, principalmente, com a politização da política pública, sobretudo tendo como eixo e horizonte principal o conceito de cultura como algo comum, para todos e não apenas para os iluminados de plantão.

É nesse sentido que peço aos companheiros e companheiras de militância da leitura e do livro que se mobilizem e se unam, para que possamos construir (insisto nessa palavra) um projeto em comum que inclua e relacione dentre os vários eixos da área, para que a leitura ocupe um lugar merecido e necessário na política cultural de um futuro e possível (insisto nesse termo) governo Lula e exerça sua centralidade.

A leitura é o principal ponto de intersecção entre a cultura e a educação. Como um exemplo: bibliotecas públicas, escolares e comunitárias estão espalhadas pelos municípios brasileiros, regidas por políticas fragmentadas ou mesmo ausentes, sem integração e colaboração entre si, sem políticas de desenvolvimento de coleções e de mediação de leitura, para ficarmos no mais óbvio.

E há muita coisa a ser incluída nesse farnel: as médias e pequenas editoras, o estímulo àqueles que escrevem e/ou desejam escrever, as políticas oficiais de distribuição de livros, a bibliodiversidade, os diversos tipos de mediadores, os espaços não convencionais de formação de leitores…é amplo.

Quando Lula destaca a necessidade da volta da Cultura para o centro das prioridades, ele está apontando um rumo que demanda trabalho e politização e não mais uma sessão de comemoração laudatória. Há um longo caminho a ser percorrido nos próximos meses, espero e desejo que a leitura ocupe um papel de destaque nessa jornada.

À luta.

#LulaPresidente13

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s