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New York Times vê apoio de militares a golpe de Bolsonaro. Lula Eleito no 1º turno com ampla vantagem, é o Antidoto ao Golpe

O presidente não se conforma com a previsão e possibilidade de derrota no pleito de outubro, apontada por todas as pesquisas de intenção de voto, que mostram ainda uma grande possibilidade de vitória do ex-presidente LULA já no primeiro turno

O jornal americano The New York Times publicou uma extensa matéria, neste domingo (12/6), em que lançou dúvidas sobre o mais recente episódio relacionado ao questionamento dos militares brasileiros sobre a segurança das urnas eletrônicas no processo eleitoral e ligou o fato a um possível apoio a um golpe de Estado do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O atual ocupante do Palácio do Planalto dá sinais de que não se conforma com a previsão e possibilidade de derrota no pleito de outubro, apontada por todas as pesquisas de intenção de voto, que mostram ainda uma grande possibilidade de vitória do ex-presidente LULA já no primeiro turno.

A mídia americana afirma que o jornalista Jack Nicas, que endossa a matéria e é chefe da sucursal do Brasil sediada no Rio de Janeiro, conversou com generais, juízes e políticos brasileiros para este artigo, que teve colaboração dos repórteres André Spigariol, de Brasília, e Leonardo Coelho, também do Rio de Janeiro.

Nicas aborda, inicialmente, os questionamentos de Bolsonaro, que “está há meses atrás nas pesquisas“, quanto ao “sistema de votação“, destacando que o presidente chegou a afirmar que “se ele perder a eleição de outubro” será por fraude e que tais alegações foram consideradas conversa fiada, mas que agora ele tem apoio dos militares do país, em relação aos mesmo questionamentos, colocando os defensores da democracia de prontidão.

Os líderes das Forças Armadas de repente começaram a levantar dúvidas sobre a integridade das eleições, apesar de poucas evidências de fraudes anteriores“, dis o NYT, que recapitulou as tensões entre os poderes Judiciário e Executivo do Brasil, que agora tem o adicional dos militares.

Faltando pouco mais de quatro meses para uma das votações mais importantes da América Latina em anos, um confronto de alto risco está se formando. De um lado, o presidente, alguns líderes militares e muitos eleitores de direita argumentam que a eleição está aberta a fraudes. Do outro, políticos, juízes, diplomatas estrangeiros e jornalistas estão soando o alarme de que Bolsonaro está preparando o cenário para uma tentativa de golpe“, escreve o jornalista do NYT.

As táticas de Bolsonaro parecem ter sido adotadas do manual do ex-presidente Donald J. Trump, e Trump e seus aliados trabalharam para apoiar as alegações de fraude de Bolsonaro. Os dois homens refletem um retrocesso democrático mais amplo que se desdobra em todo o mundo“, diz o jornalista e outro trecho do artigo.

O motim do ano passado no Capitólio dos EUA mostrou que as transferências pacíficas de poder não são mais garantidas mesmo em democracias maduras. No Brasil, onde as instituições democráticas são muito mais jovens, o envolvimento dos militares nas eleições aumenta os temores“.

“Como o apoio dos militares pode ser fundamental para um golpe, uma pergunta popular nos círculos políticos se tornou: se Bolsonaro contestasse a eleição, como os 340.000 membros das forças armadas reagiriam?”, questiona o jornalista em sua matéria.

Algumas autoridades americanas estão mais preocupadas com os cerca de meio milhão de policiais em todo o Brasil porque geralmente são menos profissionais e apoiam mais Bolsonaro do que os militares, de acordo com um funcionário do Departamento de Estado que falou sob condição de anonimato para discutir conversas privadas”, revelou o jornalista.

Leia os principais trechos do final do artigo no New York Times

“Nos 37 anos da democracia moderna do Brasil, nenhum presidente esteve tão próximo dos militares quanto Bolsonaro, um ex-paraquedista do Exército.

Como deputado, pendurou em seu gabinete retratos dos líderes da ditadura militar. Como presidente, triplicou o número de militares em cargos civis no governo federal para quase 1.100 . Seu vice-presidente também é um ex-general.

No ano passado, ao intensificar suas críticas ao sistema eleitoral, ele demitiu o ministro da Defesa e os três principais comandantes militares , instalando partidários em seus lugares.

O novo ministro da Defesa rapidamente opinou sobre o processo eleitoral , apoiando o esforço de Bolsonaro de usar cédulas impressas além das urnas eletrônicas, o que facilitaria a recontagem. O Brasil é um dos poucos países a contar inteiramente com urnas eletrônicas, 577.125 delas.

A Suprema Corte do Brasil rejeitou o uso de cédulas impressas, citando preocupações com a privacidade.

Em meio ao vai-e-vem, o ex-chefe do Tribunal Eleitoral, Luís Roberto Barroso, disse a repórteres que os líderes militares estavam “sendo orientados a atacar o processo eleitoral brasileiro”, uma afirmação que Nogueira, ministro da Defesa, chamou de “ irresponsável.”

O tribunal eleitoral também convidou autoridades europeias para observar a eleição, mas rescindiu o convite depois que o governo Bolsonaro se opôs. Em vez disso, o partido político de Bolsonaro está tentando fazer com que uma empresa externa audite os sistemas de votação antes da eleição.

Fachin, que agora dirige o tribunal eleitoral, disse que Bolsonaro é bem-vindo para conduzir sua própria revisão, mas acrescentou que as autoridades já testam as máquinas. “Isso é mais ou menos como arrombar a fechadura de uma porta aberta”, disse ele.

O governo Biden alertou Bolsonaro para respeitar o processo democrático. Na quinta-feira, na Cúpula das Américas em Los Angeles, o presidente Biden se encontrou pela primeira vez com Bolsonaro . Sentado ao lado de Biden, Bolsonaro disse que acabaria deixando o cargo “de maneira democrática”, acrescentando que a eleição de outubro deve ser “limpa, confiável e auditável”.

Scott Hamilton, o principal diplomata dos Estados Unidos no Rio de Janeiro até o ano passado, escreveu no jornal brasileiro O Globo que a “intenção de Bolsonaro é clara e perigosa: minar a fé do público e preparar o terreno para se recusar a aceitar os resultados”

Bolsonaro insiste que está simplesmente tentando garantir um voto preciso.

“Como quero um golpe se já sou presidente?” perguntou Bolsonaro no mês passado. “Nas Banana Republics, vemos líderes conspirando para permanecer no poder, cooptando partes do governo para fraudar eleições. Aqui é exatamente o contrário”.

Do URBS MAGNA

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