Eleições 2022/política

Lula e Alckmin apresentam ao Brasil as diretrizes para a Reconstrução Nacional

Documento elaborado pelos sete partidos da coligação propõe a retomada dos investimentos públicos, a recuperação do salário mínimo e o fim do teto de gastos e das privatizações. Sociedade poderá participar com propostas pela internet

A campanha dos pré-candidatos à Presidência da República e vice, Lula e Alckmin, apresentou nesta terça-feira (21), em São Paulo, as Diretrizes para o Programa de Reconstrução e Transformação do Brasil.

Estiveram presentes ao ato, além de Lula e Alckmin, os presidentes dos sete partidos (PT, PSB, PCdoB, PSOL, Rede, Solidariedade e PV) que compõem a coligação “Vamos Juntos pelo Brasil”. Dezenas de entidades da sociedade civil que defendem a democracia e a retomada do desenvolvimento também prestigiaram o evento. O senador Humberto Costa, da executiva do PT e o deputado federal Orlando Silva, da direção do PCdoB, também estavam presentes.

RECONSTRUIR O BRASIL

O programa de reconstrução do Brasil ressalta a gravidade da crise que se abateu sobre o país e aponta as diretrizes para a reconstrução nacional. Destaca-se a importância da reindustrialização nacional, a retomada dos investimentos públicos e o fim do teto de gastos. “É preciso fortalecer e modernizar a estrutura produtiva por meio da reindustrialização, do fortalecimento da produção agropecuária e do estímulo a setores e projetos inovadores”, propõe.

O documento afirma que é necessário suspender as privatizações de empresas como a Eletrobrás, a Petrobrás e os Correios, além de fortalecer os bancos públicos e de fomento como BNDES, CEF e BB.

Assista abaixo a apresentação do programa

Leia aqui a proposta na íntegra

As diretrizes, que estarão disponíveis ao público na internet para sugestões e contribuições, apontam também a necessidade da revogação dos aspectos regressivos da reforma trabalhista levada a cabo no governo Temer e a recuperação do poder de compra do salário mínimo, corroído pela política de arrocho salarial e destruição dos direitos sociais do atual governo. O documento aponta, ainda, para um grande compromisso com a defesa da Amazônia e a proteção do meio ambiente.

PARTIDOS UNIDOS PELA DEMOCRACIA E A SOBERANIA

Há ainda referências importantes aos estímulos que o novo governo dará à transição energética em curso no mundo. Grande prioridade também aparece nos investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Esta prioridade na Educação e na ciência visa colocar o Brasil em sintonia com a quarta revolução tecnológica em desenvolvimento no planeta.

A pré-campanha entra também em temas da atualidade como a crise nos preços dos combustíveis. “O país precisa de uma transição para uma nova política de preços dos combustíveis e do gás, que considere os custos nacionais e que seja adequada à ampliação dos investimentos em refino e distribuição e à redução da carestia. Os ganhos do pré-sal não podem se esvair por uma política de preços internacionalizada e dolarizada: é preciso abrasileirar o preço dos combustíveis e ampliar a produção nacional de derivados, com expansão do parque de refino”, defende.

GLEISI: TODOS AQUI QUEREM RECONSTRUIR O PAÍS

A primeira a discursar no ato foi a presidente do PT, a deputada Gleisi Hoffmann. Ela saudou a todos que contribuíram, técnicos, movimentos sociais e academia, e destacou a grande unidade conquistada entre os sete partidos para a produção do programa. As mãos que escreveram esse documento, as cabeças que o pensaram têm um profundo compromisso com a reconstrução do país”, disse.

Carlos Siqueira, presidente do PSB, também saudou os presentes e salientou a importância das propostas na área de “Ciência & Tecnologia e Inovação” para a retomada do desenvolvimento. Nós não acreditamos no desenvolvimento num país da dimensão do Brasil com a potencialidades extraordinárias que tem esse país maravilhoso, com essa gente fantástica que são os brasileiros e brasileiras sem que nós possamos desenvolver fortemente investimentos em Ciência & Tecnologia e Inovação”, argumentou.

LUCIANA DESTACA ESPÍRITO DE UNIDADE

A vice-governadora de Pernambuco e presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, saudou o espírito de unidade na construção do programa e destacou a necessidade de uma frente ampla diante do diagnóstico do grave retrocesso vivido pelo Brasil.

“Vivemos um momento de destruição dos principais instrumentos e ferramentas indutoras do nosso desenvolvimento. Precisamos acabar com o teto de gastos. Nós construímos os instrumentos de desenvolvimento, a Petrobrás, a Eletrobrás, que estão sendo destruídos. A atual política está criando a situação trágica do mapa da fome, com 116 milhões de brasileiros na insegurança alimentar”, denunciou Luciana. “Vamos resgatar o papel do Estado forte e necessário para desenvolver essas vocações extraordinárias do Brasil”, acrescentou.

José Luiz Penna, presidente nacional do PV se considerou bastante satisfeito com a unidade conquistada e afirmou ter certeza da vitória nas eleições. “Vamos derrotar a afronta, a burrice, a ignorância, a violência deste governo”, apontou. O senador Randolfe Rodrigues, representando a Rede, salientou que a tarefa atual de derrotar Bolsonaro e recuperar o Brasil “é a tarefa de nossas vidas”. “O Brasil já passou por diversas crises, mas nenhuma delas é tao grave como a que estamos passando atualmente. O atual governo é uma ameaça ao nosso pacto civilizatório”, disse o senador.

Acesse aqui e contribua com sugestões para o programa

Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, ressaltou a importância de que a campanha acerte. Segundo ele, “se o Lula e o Alckmin errarem, o Brasil é que perde com isso”. Juliano Medeiros afirmou que o PSOL está satisfeito com o programa  e destacou o acerto no “combate ao teto de gastos, à reforma trabalhista, à reforma da Previdência e à política de preços da Petrobrás, além das estatais e todo o arcabouço político ilegal que tem como propósito enfraquecer o Estado brasileiro”.

ALCKMIN: NÃO SE FAZ PROGRAMA DEMOCRÁTICO EM MOTOCIATAS

O pré-candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), destacou a importância da experiência de ter visitado vários Estados junto com Lula para ouvir setores importantes da sociedade. Não se faz um programa de governo democrático em cima de motociata e jet ski, mas sim ouvindo a população, dialogando. “Esse trabalho que hoje apresentamos foi feito por muitos e será debatido por todos”, afirmou Alckmin.

“Eu notei que algumas palavras se repetem e a primeira delas é reconstrução. Nós tivemos um verdadeiro desmanche do Estado, em todas as áreas um processo de quase destruição, na Saúde, Educação, Cultura, Meio Ambiente, Direitos Humanos, enfim, os valores da cidadania”. “A segunda palavra que se repete é esperança, porque há uma grande esperança da população brasileira, uma grande expectativa dos brasileiros em, como disse um frentista de Pindamonhangaba, de tirar o homem para que o povo possa comer”, disse.

O ex-presidente Lula lembrou que “a tarefa que está diante de nós é de reconstruir o país”. “Ganhar a eleição é mais fácil do que governar”, disse Lula. “Não sei quantos engenheiros temos aqui, mas nós temos uma tarefa de engenharia muito séria pela frente. É como se fosse a construção de uma casa. Nós sabemos que é muito importante que os alicerces desta casa sejam fortes e esse programa é esse alicerce”, acrescentou o ex-presidente.

“Eu penso”, afirmou Lula, “que vocês sabem que nós não estamos vivendo um período de normalidade no nosso país”. “Parece que teve um terremoto e que muita coisa virou de ponta a cabeça neste país. Estamos num processo ainda de compreender tudo o que aconteceu e o que pode ainda acontecer no Brasil. Nós não temos uma governança normal neste país”, denunciou.

LULA: NOSSA TAREFA É RECONSTRUIR O BRASIL

“A primeira coisa que o governo tenta fazer é jogar a sua incapacidade diuturnamente em cima dos outros. Quando Pedro Parente adotou a PPI (Paridade de Preços de Importação), ele não levou para o Congresso Nacional, não foi numa Conferência da ONU, não foi no Senado, foi uma decisão do presidente da Petrobrás, a pretexto de que era preciso salvar a Petrobrás. Da mesma forma ele privatizaram a BR, dizendo que era preciso mais competitividade e o preço do combustível não para é de subir”, afirmou Lula.

“O Bolsonaro podia determinar ao presidente da Petrobrás a redução do preço. Ele poderia ouvir o Conselho da Petrobrás. Se ele tivesse qualquer dúvida, podia ouvir o Conselho Nacional de Política Energética e ele, presidente, tomar a  decisão de baixar os preços em benefício da sociedade brasileira. Ele não faz isso. Faz muita bravata e mantém o preço alto porque ele não quer brigar com os acionistas que ficam com o lucro que a Petrobrás está tendo e que é exorbitante”, prosseguiu o ex-presidente.

“Nada para o reinvestimento da empresa, nada para melhorar a vida do povo e tudo para os acionistas que estão recebendo os dividendos, que não recebiam no nosso governo, porque a nossa prioridade era a Petrobrás se transformar numa grande empresa, não de petróleo, mas de energia. Eles estão desmontando isso e tentando privatizar a Petrobrás ainda este ano. Como fizeram da forma mais vergonhosa possível o processo de privatização da Eletrobrás. Por isso, nós estamos num processo de reconstrução do país”, afirmou Lula.

No final do discurso de Lula, um provocador bolsonarista tentou atrapalhar o evento, mas foi instantaneamente neutralizado pelos seguranças e levado para fora do recinto. O ex-ministro Aloizio Mercadante informou, ao final, do ato, que as milícias digitais de Bolsonaro ficaram nervosas e tentaram entrar na transmissão, mas também foram neutralizadas.

Com informações do Hora do Povo

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