
A democracia brasileira, embora tenha sido testada ao limite em 2022, demonstra em 2026 que a impunidade não é pra quem atenta contra as instituições. O início das execuções judiciais das multas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra empresas e empresários que bloquearam rodovias marca um momento histórico de pedagogia democrática.
O que ocorreu após as eleições de 2022 não foi um “protesto”. Foi um atentado coordenado contra o direito de ir e vir, com o objetivo explícito de impedir a posse de um presidente eleito pelo voto popular. Ao paralisar rodovias, essas empresas de transporte não apenas apoiaram uma retórica golpista, mas colocaram em risco a segurança alimentar e a saúde de milhões de brasileiros, ameaçando o desabastecimento de produtos básicos e insumos hospitalares.
O valor total das multas em fase de cobrança ultrapassa os R$ 7,1 bilhões. A conta é fruto de uma decisão rigorosa: a aplicação de R$ 100 mil por hora para cada veículo identificado na obstrução das vias. Para muitos desses empresários, que acreditavam estar protegidos por uma rede de influência política, o choque com a realidade veio na forma de Cartas de Ordem executadas pela Justiça Federal.
No Rio Grande do Sul, estado que foi um dos epicentros dessa mobilização antidemocrática, Empresas do setor de logística e agronegócio que disponibilizaram frotas para os bloqueios agora enfrentam cobranças que podem levar à falência.
Durante os bloqueios em 2022, diversos caminhoneiros a mando de empresários bolsonaristas foram presos em flagrante por crimes como resistência, desobediência e associação criminosa.
Mais recentemente (em maio de 2024), a PGR denunciou grupos ligados a empresas (como o Grupo Bremer de SC, com reflexos em toda a região Sul) por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Empresários gaúchos foram alvos de dezenas de mandados onde foram apreendidos celulares, documentos e até armas irregulares, comprovando que o movimento não era “espontâneo”, mas sim organizado via aplicativos de mensagem.
Ainda em novembro de 2022, o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de contas bancárias de 43 empresas e pessoas físicas suspeitas de financiar os atos antidemocráticos. Entre elas, destacam-se várias com sede ou forte atuação no Rio Grande do Sul, como:
Carrocerias Nova Prata Ltda (Nova Prata, RS): Uma das primeiras a ter contas bloqueadas por suspeita de suporte logístico.
Comando Diesel Transp e Logística Ltda: Empresa que se tornou símbolo das investigações sobre a organização dos bloqueios.
Dalila Lermen Eireli e Transportadora Lermen: Também figuraram na lista de bens bloqueados logo após as eleições.
Sipal Indústria e Comércio: Empresa com forte presença no Sul, identificada como parte do grupo que monitorava e apoiava as paralisações.
Atualmente, a Justiça Federal do Rio Grande do Sul é uma das que mais recebeu Cartas de Ordem para iniciar as cobranças:
São pelo menos 50 ordens de execução diretas para o estado gaúcho.
Enquanto estados como Paraná e Santa Catarina têm números maiores (257 e 198, respectivamente), o valor das multas no RS é alto devido ao grande porte das transportadoras e indústrias de implementos rodoviários envolvidas. Como o processo corre em segredo de justiça, não é possível saber todas as empresas, mas é claro que nas regiões, todos sabem quem cometeu este crime de tentar semear o Caos contra a Democracia e as Instituições.
A narrativa de que “nada aconteceria” com os donos das empresas caiu por terra. O Judiciário separou os executores (quem estava no asfalto) dos financiadores (quem pagou o combustível, a alimentação e cedeu a frota).
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