Exatos 50 anos depois do primeiro livro, EM MÃOS, de poemas, do Grupo Veredas, livro coletivo lançado em 1976 em livraria nos altos do Mercado Público de Porto Alegre, com grande sucesso, e depois de muitos textos e poemas em diferentes livros, e depois de já ter acontecido o EM MÃOS IV, chegou a hora, finalmente, do primeiro livro sólo, meu, só textos e escritos meus, ao longo de mais de 50 anos (Selvino Heck, ´Fé e Politica – Ensaios de uma Vida peregrina´, Ed. USIDEIAS, 2026).
Registro na ´Apresentação´ (p. 9): “Este é meu primeiro livro sólo. Nos mais de 50 anos em que escrevo, em que sou, ou fui, colunista de diferentes veículos de imprensa como o Correio do Povo, a Folha do Mate, o Jornal do Brasil, o Diário de Cuiabá, e de sites como a ADITAL, o Brasil de Fato RS, o Sul 21, estou em dezenas de livros como os EM MÃOS I, II, III e IV, em outras muitas publicações. Mas nunca fiz ou lancei um sozinho, um livro só meu.”
Tarso Genro escreveu na ´Apresentação´ do EM MÃOS, em 1976: “ Uma mostra da poesia nova do Rio Grande do Sul há muito é uma necessidade. Nestes tempos de desespero, que envolvem curtos salários e insegurança, a lira do poeta não é uma mercadoria de primeira necessidade, pelo menos na indicação da experiência diária de cada pessoa do meu povo.” E Tarso Genro escreveu em 1976: “Selvino Heck, cuja poesia escorre num belo tom nerudiano: ´Trabalhador da palavra sou. Canto o povo, sangue nos dedos, boca suja, miséria no meio´.”
A ditadura militar, via DOPS, SNI, PF, registrou, em 15.04.77: “Assunto. Estão sendo vendidos exemplares do livro de poesias denominado EM MÃOS, de autoria dos escritores Humberto Gaspary Sudbrack, Umberto Gabbi Zanatta, Dilan D´Ornellas Camargo, José Eduardo Degrazia, Selvino Heck, Cesar Pereira, junto com outros elementos que se uniram a este grupo, entre os quais Sérgio Conceição Faraco, Horácio Goulart, Paulo Kruel de Almeida, Suzana Kilpp, Aldir Garcia Schlee e Airton Aloísio Michels. A apresentação é de Tarso Fernando Herz Genro, elemento pertencente à organização subversiva Ala Vermelha do PCdoB. O livro em questão traz conteúdo ideológico, com tendência esquerdista. Antecedentes subversivos de elementos envolvidos na elaboração do citado livro, bem como pessoas a eles. Constam dados de qualificação.”
Escreve Mauri Cruz, no Prefácio do Fé e Política (p. 7): “A reflexão sobre fé e política precisa ser realizada com a atenção e o cuidado que o tema merece. Isso porque, ao olhar criticamente a história, é possível identificar a fé sendo utilizada como instrumento de poder, alienação, guerras e dominação. Mas também, há momentos cruciais em que a fé é mola propulsora de mudanças, libertação e construção de uma sociedade mais justa e solidária.”
Escrevem Loiva Dietrich e Marcelo Moura em ´SOBRE O AUTOR – Ranzinza, mas democrático´(p. 170): “É assim que o Selvino se define, é assim que seus colegas do Palácio do Planalto e da RECID (Rede de Educação Cidadã) o chamavam ´carinhosamente´. Quem sempre conviveu com ele sabe que isso é extremamente verdade. Ele traz consigo a ranzinzez da idade, de quem já viveu vida longa e de muitas histórias. Mas sem deixar de lado a construção coletiva, a comunidade, a luta pela boa política e pela democracia.”
São algumas referências do livro FÉ E POLÍTICA, que vai ser lançado em Porto Alegre dia 21 de maio no bar Maria Maria, na rua Fernando Machado, 464, ás 19h, com muita festa e alegria. Todas e todos convidadas-os.
O livro tem textos e reflexões com os seguintes títulos: Sem Armas, Livros na Mão. Profetismo e Poder. Ser parlamentar e ser cristão. Cristianismo e Capitalismo (Esta reflexão de 1977, publicada então no Boletim oficial da Província Franciscana gaúcha, era dito por Frei Sérgio Görgen como tendo ajudado em sua ´conversão´). Mística e Política. CEBs e Agroecologia. Ética e Política. Generosidade revolucionária. Os cristãos na política partidária. Mística feminina. Cuidar da vida: Espiritualidade, Ecologia e Economia. Igreja e Movimentos Populares. E alguns poemas: Lutadoras/lutadores. A manhã vai chegar.
O primeiro livro sólo tem seus anjos da guarda, que ajudaram na sua publicação e/ou a estimularam: Loiva Dietrich, Marcelo Moura, Mauri Cruz, Frei Betto, João Marcelo Santos, Luís Augusto Fischer e José Eduardo Degrazia. Dedicado a eles, está no livro o poema ´Meus Anjos da Guarda´.
MEUS ANJOS DA GUARDA
Ter anjos da guarda na vida/ é bênção./ O anjo da guarda não só cuida,/ mas também anda lado a lado./ O anjo da aguarda trabalha de graça,/ por puro prazer./ O anjo da guarda faz companhia./ O anjo da guarda lê os pensamentos/ de quem cuida e acompanha./ O anjo da guarda protege, mostra, aponta caminhos,/ possibilidades,/ aventuras,/ futuro. O anjo da guarda é tri solidário,/ sempre./ O anjo da guarda nunca solta a mão de ninguém,/ sem medo de ser feliz./ O anjo da guarda é espírito,/ alma,/ coração,/fraternidade./ Quem tem anjo da guarda está vivo,/ respirando,/ como eu,/ em dois mil e vinte seis,/ aos 75 (mais ou menos) bem vividos.
Viva meus anjos da guarda!
Brigadérrimo por tudo.
Viva a vida! Na boa luta, com fé e coragem, ESPERANÇAR.
Selvino Heck
Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)
Em quinze de maio de dois mil e vinte seis
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