
Mobilização reuniu movimentos sociais, lideranças políticas e comunidade LGBTI+ em apoio ao professor Cleber Veiga, vítima de agressão no Parque Farroupilha
Os movimentos que organizam a Parada Livre de Porto Alegre realizaram, neste domingo (24), um ato contra a LGBTfobia no Arco da Redenção. A mobilização aconteceu em conjunto com os mandatos da vereadora Natasha Ferreira (PT) e do vereador Giovani Culau e Coletivo (PCdoB), após a denúncia de agressão homofóbica sofrida pelo professor de ballet Cleber Veiga no início de maio.
O ato reuniu integrantes de movimentos sociais, lideranças políticas e representantes da comunidade LGBTI+ para marcar o Dia Nacional de Combate à LGBTfobia e denunciar a violência contra o bailarino. O caso ocorreu na madrugada do dia 9, quando Cleber foi agredido fisicamente por vigilantes no Parque Farroupilha após ouvir um dos agressores dizer que “não queria mais veado na Redenção”.
Durante o protesto, Veiga relatou o impacto da violência sofrida e explicou por que decidiu tornar o caso público.
“Eu sou bailarino clássico, trabalho com a minha imagem e hoje eu tô aqui com a ‘cara’ desse jeito. Cheguei a pensar em não denunciar, em dizer que sofri um acidente de carro e não vir a público. Mas decidi falar porque a gente não pode achar isso normal. Ninguém tem o direito de me bater só porque eu vou pra cama com quem eu quiser. Eu sou um cidadão que paga impostos como qualquer outro”, afirmou.
Após a denúncia, a vereadora Natasha protocolou um ofício junto à Prefeitura solicitando a apuração dos fatos e informações sobre o vínculo dos seguranças envolvidos com o município. A iniciativa também se apoia no artigo 150 da Lei Orgânica de Porto Alegre, que prevê multa e até cassação de alvará para estabelecimentos que pratiquem discriminação por orientação sexual ou qualquer outra condição.
Presidenta da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), Natasha reforçou que seguirá acompanhando o caso e cobrou uma reunião com a Prefeitura.
“Porto Alegre tem LGBTs eleitos e nós exigimos uma reunião com Sebastião Melo, com o secretário de Segurança e com os responsáveis pelo estabelecimento envolvido no caso. Eles precisam responder não apenas à Justiça, mas também às autoridades públicas da cidade que defendem a nossa comunidade”, afirmou a parlamentar.
A parlamentar também defendeu que a violência sofrida por Cleber não pode ser tratada como um episódio isolado.
“Nós não vamos deixar que o que aconteceu aqui se repita. Vai ter LGBT em todos os lugares da cidade, eles querendo ou não. Nossa dignidade não é negociável”, concluiu.
O caso segue em investigação policial e será acompanhado pelo mandato da vereadora, que continuará cobrando esclarecimentos da Prefeitura e a responsabilização dos envolvidos na agressão.
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