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Os Deputados gaúchos que Viraram as Costas para o Trabalhador e votaram Contra a Redução da Jornada de Trabalho

A aprovação histórica da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da escala 6×1 e estabelece a redução gradual da jornada de trabalho para 40 horas semanais foi um divisor de águas no Congresso Nacional. Diante de uma demanda popular avassaladora, que uniu o país em torno da saúde mental, do direito ao descanso e da dignidade humana, a maioria dos parlamentares entendeu o recado das ruas. No entanto, o Rio Grande do Sul assistiu a uma fatia de sua representação federal escolher o lado do atraso.

Enquanto 26 deputados gaúchos votaram a favor da emancipação do trabalhador, cinco parlamentares decidiram cravar o “Não”, alinhando-se a um modelo produtivo anacrônico e exaustivo. Não bastasse a oposição declarada, o cenário ganha contornos de cumplicidade silenciosa com os que optaram por lavar as mãos na hora do voto, recorrendo à abstenção ou à ausência, como foi o caso do Deputado Tenente Coronel Zucco (PL).

Os Cinco do “Não”: A Defesa de uma Escala Desumana

Votar contra o fim da escala 6×1 não é apenas uma divergência econômica; é uma escolha política de manter o trabalhador em um regime que sabota sua saúde mental, sua convivência familiar e sua qualidade de vida. Os cinco deputados gaúchos que se posicionaram frontalmente contra o projeto carregam siglas diferentes, mas compartilham a mesma miopia social:

  • Bibo Nunes (PL)
  • Marcel van Hattem (Novo)
  • Mauricio Marcon (PL)
  • Lucas Redecker (PSD)
  • Sérgio Turra (PP)

O discurso desse grupo costuma se travestir de “defesa do livre mercado” ou de “alerta contra o colapso econômico”. É o mesmo terrorismo psicológico patronal utilizado no século XIX contra a abolição da escravidão e, no século XX, contra a criação do 13º salário e das férias remuneradas. Ao rejeitarem uma transição justa de 14 meses — desenhada justamente para mitigar impactos no comércio e nos pequenos negócios —, esses parlamentares ignoram os dados que mostram que jornadas menores aumentam a produtividade e reduzem o absenteísmo (afastamento por doenças). Preferem manter o Rio Grande preso ao topo das estatísticas de adoecimento laboral crônico (Burnout).

A Conveniência do Silêncio: A Abstenção como Omissão

Se o voto contrário é um ataque direto, a abstenção ou o sumiço do plenário em votações cruciais representam a covardia política. O Deputado Zucco (PL) personifica essa postura. Em temas de forte apelo ideológico ou de interesse corporativo de suas bases tradicionais, o parlamentar costuma ser barulhento e incisivo. Na hora de votar se o trabalhador que ganha um salário mínimo merece ter dois dias de folga na semana, preferiu o silêncio da não votação ou da abstenção.

A ausência ou a neutralidade calculada em temas de tamanha relevância social é uma tentativa deliberada de não se indispor com o empresariado financiador e, ao mesmo tempo, tentar escapar do “paredão da vergonha” nas redes sociais, onde a pressão popular cobrava o voto favorável. No jargão político, quem se omite em uma votação como essa valida o status quo. Zucco e os demais ausentes escolheram não estender a mão a quem carrega a economia gaúcha nas costas.

Um Recado para as Urnas

O mundo do trabalho mudou. Grandes empresas globais e nacionais já adotam escalas mais flexíveis porque entendem que humanos exaustos produzem pior. Ao marcharem na contramão da história, a bancada do “Não” e a bancada da omissão deixaram claro que enxergam a força de trabalho como mero insumo descartável, e não como cidadãos.

A PEC segue para o Senado, onde o povo gaúcho precisará manter a vigilância. Aos cinco deputados que votaram contra e aos que se omitiram por conveniência, resta o julgamento histórico. O trabalhador gaúcho, que passa horas no transporte público e tem apenas um dia de folga para limpar a casa, cuidar dos filhos e respirar, não vai esquecer quem lhe negou o direito ao tempo e à vida.

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