
A geopolítica imperialista nunca dorme, e seus tentáculos no Brasil mostram, mais uma vez, a que vieram. A recente articulação para que os Estados Unidos classifiquem as facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), sob o rótulo de “organizações terroristas” não é uma medida de segurança pública. É, na verdade, uma indisfarçável ferramenta de coerção geopolítica externa, desenhada para impor o medo, relativizar nossa soberania e preparar o terreno para narrativas de intervenção.
O mais alarmante, contudo, não é a sanha intervencionista de Washington, mas sim a comemoração entusiástica dessa medida pela extrema-direita brasileira, liderada pelo clã Bolsonaro. Ao aplaudirem a tutela estrangeira sobre os problemas internos do país, esses setores escancaram sua verdadeira face: a de autênticos vendilhões da Pátria.
A armadilha jurídica do “terrorismo” estrangeiro
Ninguém em sã consciência nega a gravidade do crime organizado no Brasil ou o sofrimento que ele impõe às populações periféricas. No entanto, tratar o narcotráfico e o crime comum sob a ótica do “terrorismo” por meio de leis de outra nação altera completamente a natureza do problema.
Classificar juridicamente essas facções como terroristas nos EUA confere ao governo norte-americano permissões legais internas para congelar ativos, sancionar autoridades e, no limite, justificar operações extraterritoriais. O que se busca criar é o fantasma de uma “ameaça à segurança hemisférica”, uma cartilha amplamente utilizada na América Latina para justificar intromissões políticas e militares. O crime organizado deve ser combatido com inteligência, polícia e forte investimento social pelo Estado brasileiro — e não transformado em pretexto para a tutela de Washington.
O precedente histórico: A história da América Latina está repleta de exemplos onde o combate a ameaças classificadas externamente serviu de biombo para a desestabilização de governos soberanos e a pilhagem de riquezas nacionais.
Os entreguistas de plantão e o falso patriotismo
É nesse cenário que a atuação do bolsonarismo e da chamada “tradireita” (direita tradicional/reacionária) se torna uma afronta direta à dignidade nacional. Setores que se apropriaram das cores da bandeira e do discurso nacionalista revelam-se, na prática, os maiores defensores da subordinação do Brasil aos interesses externos.
Ao articularem e celebrarem a possibilidade de o establishment norte-americano ditar as regras da segurança pública em solo brasileiro, esses grupos agem como as elites entreguistas do passado: preferem ver o país ajoelhado diante de uma potência estrangeira a aceitar que o Brasil resolva seus próprios dilemas de forma autônoma e democrática. É a consolidação da “síndrome de vira-lata” elevada ao status de plataforma política.A resposta virá das urnas
O povo brasileiro possui uma longa memória e uma profunda compreensão do valor de sua independência. A estratégia de governar pelo medo, importando ameaças e terceirizando a soberania nacional, não passará despercebida.
Aqueles que hoje conspiram contra a autonomia do Brasil, fantasiados de paladinos da justiça, receberão a resposta cabível no único tribunal legítimo da democracia: as urnas. O eleitorado saberá distinguir o verdadeiro amor ao Brasil do falso patriotismo daqueles que estão dispostos a vender o futuro da nação em troca de dividendos políticos e aplausos no exterior. A soberania do Brasil pertence aos brasileiros, e é nas urnas que o destino de independência do país será reafirmado.
Descubra mais sobre Luíz Müller Blog
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.