
O leilão que previa a entrega de 98 escolas estaduais à iniciativa privada, que pela pressão anterior já havia sido protelado de 26/06 para 23/07, agora foi suspenso sem nova data para ocorrer.
Mais do que um freio em uma canetada burocrática da Comissão de Licitação, é uma vitória histórica da mobilização social, liderada pelo CPERS-Sindicato, e um recado nítido ao governo de Eduardo Leite.
Escola pública não é mercadoria, e o futuro dos nossos jovens não pode ser negociado em pregão de Bolsa de Valores.
O Absurdo dos Números: O Negócio Bilionário do Governo Leite
Para além do debate ideológico sobre a privatização de serviços essenciais, os termos técnicos e financeiros desse edital de Parceria Público-Privada (PPP) revelavam uma lógica financeira no mínimo alarmante para os cofres públicos do Rio Grande do Sul.
O plano do governo estadual era repassar a gestão de 98 escolas para a iniciativa privada pelo período de 30 anos. Para isso, o Estado pretendia entregar cerca de R$ 4,5 bilhões à empresa vencedora do certame.
Quando colocamos esses valores na ponta do lápis, a conta simplesmente não fecha a favor do cidadão:
O Contraste do Investimento: O montante que seria repassado à concessionária privada equivale, em média, a três vezes mais do que o próprio governo investe hoje na manutenção dessas mesmas escolas.
A Pergunta Inevitável: Se o Estado tem bilhões em caixa para repassar e garantir o lucro de uma empresa privada, por que esse mesmo recurso não é injetado diretamente na valorização dos professores, na reestruturação física das escolas e na merenda de qualidade sob a gestão pública?
A lógica da privatização foca no lucro do acionista. A lógica da escola pública deve focar, exclusivamente, no desenvolvimento do estudante.
Uma Vitória que vai muito além do CPERS
Embora a resistência do CPERS-Sindicato tenha sido o motor jurídico e político para barrar esse retrocesso, esta não é uma vitória corporativista. É uma conquista de toda a sociedade gaúcha:
Para as Comunidades Escolares: Pais, mães e alunos que corriam o risco de ver a escola do bairro transformada em um ativo financeiro, onde a lógica do corte de custos dita as regras.
Para a Soberania Educacional: Garante que o projeto pedagógico e a gestão dos espaços escolares continuem respondendo às necessidades reais da comunidade, e não a metas de eficiência de uma planilha de investidores.
Para a Responsabilidade Fiscal: Evita o endividamento do Estado a longo prazo com contratos leoninos que drenam recursos que deveriam ir para a saúde, segurança e para a própria rede pública de ensino.
Educação Pública: Direito Constitucional, Não Ativo Financeiro
A tentativa de colocar escolas públicas na Bolsa de Valores é o ápice de um modelo de gestão que enxerga o cidadão como cliente e o serviço público como fardo.
A suspensão deste leilão serve como um freio indispensável e um precedente essencial para o Rio Grande.
Ela demonstra que, quando a sociedade se une para defender a escola pública, é possível barrar projetos que visam apenas o desmonte do Estado.
Educação Não Tem Preço. Educação tem Valor!!
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