
Hoje o Rio Grande do Sul amanheceu mais silencioso. Despedimo-nos de Euclides Fagundes, eternizado carinhosamente no coração do povo gaúcho como “Bagre” Fagundes — uma das figuras mais emblemáticas, generosas e queridas da nossa música e cultura.
Poucos sabem, mas o apelido marcante que o acompanhou por toda a vida vem dos tempos de infância em Alegrete.
Filho do poeta e compositor Nico Fagundes, o jovem Euclides gostava muito de pescar nas águas dos rios da região.
Por conta dessa paixão e de sua agilidade nas margens dos rios e lagoas, acabou ganhando o apelido de “Bagre” — uma alcunha simples, popular e com gosto de terra e água, que mais tarde se tornaria um verdadeiro sinônimo de brasilidade e gauchismo.
Mais do que um grande músico e compositor, Bagre era a própria personificação da alma pampa: o carisma em pessoa, o sorriso largo, a gaita afinada e o amor incondicional pelas nossas tradições.
Ao lado de seus irmãos e da família no lendário grupo Os Fagundes, ele ajudou a construir a trilha sonora da vida de gerações.
A Poesia que Fica
Bagre trazia na voz e nos dedos a capacidade única de transformar o cotidiano do campo e o sentimento do povo em poesia simples e profunda.
Entre tantas obras inesquecíveis que ganharam o Brasil na voz da família Fagundes, versos como os de Canto Alegretense ecoam hoje como um abraço de despedida e um lembrete do orgulho de nossas raízes:
“Não me perguntes onde fica o Alegrete Segue o rumo do teu próprio coração Encontrarás os galpões da minha terra E o abraço de um gaúcho, meu irmão.”
Essas palavras, que já embalaram tantos encontros ao redor do fogo de chão, ganham agora um tom de saudade.
O Alegrete de Bagre Fagundes não era apenas um ponto no mapa ou o lugar de suas pescarias de infância, mas um estado de espírito — um lugar de acolhimento, fraternidade e amor pela terra.
Um Legado Inesgotável
A partida de Bagre deixa um vazio imenso nos palcos, nas tertúlias e nos corações de quem ama a tradição gaúcha.
Contudo, seu legado é daqueles que o tempo não apaga. Cada vez que uma gaita soar em um galpão, cada vez que o hino afetivo do nosso estado for cantado a uma só voz, o espírito alegre e generoso de Bagre estará presente.
Aos familiares, amigos e fãs espalhados por todos os cantos, nossos mais profundos sentimentos.
Vá em paz, Bagre Fagundes. O Rio Grande canta em tua homenagem e te agradece por cada nota, cada verso e cada sorriso. Tua estrela seguirá guiando o rumo do nosso coração.
Descubra mais sobre Luíz Müller Blog
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.