
“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa“**
A declaração de apoio de Germano Rigotto (MDB), dizendo esperar de Flávio Bolsonaro um “governo com equilíbrio, sensatez e diálogo”, confirma que a história só pode ser repetida como farsa.
Essa escolha de Rigotto, oriundo da velha guarda democrática do PMDB, de Ulisses Guimarães, confirma que, nos momentos decisivos das disputas de projeto, o compromisso com a democracia é sobreposto pelos interesses das classes.
Nos momentos de acirramento do embate, grande parte do autointitulado “centro político” é polarizada pelo campo que os setores ligados ao capital financeiro e outros grupos que orbitam no seu entorno compreendem como melhor alinhado aos seus interesses.
Ao esperar “equilíbrio, sensatez e diálogo” do representante do clã que liderou a tentativa de golpe e vandalizou as sedes dos Três Poderes, no infame dia 8 de janeiro, esse setor repete de forma farsesca as escolhas feitas pelos políticos alemães na década de 1930.
Eles apoiaram a indicação de Hitler como primeiro-ministro. Ao fazerem isso, eles deliberadamente fecharam os olhos à realidade.
Hitler havia tentado tomar o poder por meio de um golpe que ficou conhecido como o ‘Putsch da Cervejaria”, em 1923, tendo sido preso e condenado por traição.
Dez anos depois (1933), foi nomeado como primeiro-ministro pelo então presidente Hindenburg, que acreditava poder controlar Hitler e limitar seu poder.
Eles também acreditaram no compromisso público assumido por Hitler de seguir um caminho de legalidade e fazer um “governo com equilíbrio, sensatez e diálogo”.
Naquele momento, a violência política das SA (grupo paramilitar ligado ao partido nazista) já era incontrolável e muitos dos seus adversários políticos já tinham sido assassinados, tal como aconteceu com Marcelo Arruda (2022), assassinado em sua festa de aniversário, por Jorge José da Rocha Guaranho.
Ele entrou no espaço privado da festa e atirou contra os presentes, gritando: “Aqui é Bolsonaro!”.
Na quarta-feira (07/26), apenas três dias após o primeiro turno das eleições e no dia seguinte a uma manifestação dos estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em defesa da democracia e apoio à candidatura de Lula, o fogo destruiu um importante prédio da universidade.
Na Alemanha dos anos 1930, assim como no Brasil de agora, a extrema-direita seduz facilmente algumas lideranças que gostariam de defender os interesses econômicos dominantes de uma forma mais “refinada”.
No entanto, elas deixam qualquer pudor democrático e ético de lado, quando qualquer interesse dos seus verdadeiros chefes pode estar em questão.
Convenientemente, eles esquecem a violência política, a perseguição, o assassinato dos oponentes e a ausência de compromisso democrático da extrema-direita.
Escolhem abdicar da democracia para permanecerem fiéis àqueles que acham a democracia boa apenas enquanto os setores populares não conseguem disputar os governos e ameaçar a continuidade da extração de toda a riqueza econômica e ambiental.
Eles sabem muito bem quais são os interesses que defendem.
Convenientemente evitam falar contra a real polarização existente na sociedade: a desigualdade obscena que faz 1% dos muito ricos terem mais riqueza que os outros 99%.
Para eles, não há problema algum em apoiar a extração de dinheiro dos setores mais vulneráveis, como dos aposentados, dos beneficiários do Bolsa-família e dos setores médios. Mas, por favor, que isso seja feito com “equilíbrio, sensatez e diálogo”.
**Frase de Karl Marx no 18 Brumario
*Gerson Almeida é Sociólogo, foi secretário nacional de articulação social da presidência no governo Lula II.
Opinião do Blogueiro: Mesmo com a possível vitória de Lula, o PT precisa voltar a Classe que lhe deu origem, não para pedir votos, mad pra construir consciência coletiva da Classe.
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