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Mais Perigosa que a Maldade: A Estupidez Coletiva por Trás dos Ataques a Flávio Dino e Ana Elisa

O operário e Educador Popular Naiton Gama gravou um vídeo  nas redes sociais que  aborda a escalada da violência política e a proliferação do ódio no ambiente digital. Tomando um chimarrão, ele traz uma provocação direta: o que pode ser mais perigoso do que a própria maldade?

A resposta vem de uma reflexão histórica de Dietrich Bonhoeffer, um pastor luterano e teólogo alemão que enfrentou o nazismo na década de 1930. Para Bonhoeffer, a estupidez é um inimigo do bem muito mais perigoso do que a malícia.

Ele não estava se referindo à falta de instrução ou diploma. Como explica Naiton no vídeo, uma pessoa pode ter alto nível acadêmico e conhecimento técnico, mas se tornar “estúpida” no sentido sociológico ao abrir mão de pensar por conta própria para seguir o fluxo da multidão.

Naiton destaca que, enquanto o maldoso tem consciência de seus atos, a pessoa tomada pela estupidez coletiva perde o discernimento e é capaz de cometer atrocidades achando que cumpre um dever moral. É exatamente disso que regimes autoritários precisam: que as pessoas parem de duvidar, parem de checar os fatos e apenas obedeçam.

Do Discurso Virtual à Ameaça Real: Flávio Dino e Ana Elisa

Essa anestesia da razão se reflete diretamente na nossa política. O linchamento virtual contínuo cria um ambiente propício para que agressões verbais migrem para o mundo real.

Dois casos emblemáticos mostram até onde esse fenômeno pode chegar:

  • Ministro Flávio Dino: Alvo de milhares de ataques digitais diários, o ministro do STF enfrenta uma máquina contínua de desinformação e ameaças violentas que tentam deslegitimar as instituições democráticas e colocar em risco sua segurança pessoal.
  • Deputada Ana Elisa: Eleita de forma expressiva em Minas Gerais, a jovem parlamentar tornou-se vítima de uma enxurrada coordenada de fake news, agressões misóginas, racistas e ameaças explícitas contra sua integridade física e sua vida.

Quando a massa é engajada para desumanizar figuras públicas, o freio moral do grupo se rompe. Basta que um indivíduo imerso nesse transe coletivo resolva transformar as ameaças das redes em atos concretos no mundo real.

O Algoritmo e o “Transe” Digital

Hoje, a engrenagem que espalha essa estupidez não precisa de grandes comícios como nos anos 1930. A propaganda de ódio chega diretamente no celular através de vídeos de 30 segundos, memes preconceituosos e narrativas falsas repetidas milhares de vezes.

Os algoritmos aprisionam os usuários em bolhas de confirmação. Quanto mais se consome um mesmo conteúdo distorcido, mais familiar e verdadeiro ele parece. Como pontua Naiton Gama, o indivíduo entra em um verdadeiro “transe”, manipulado por tecnologias sofisticadas desenhadas para lucrar com o engajamento gerado pela raiva.

Como Virar o Jogo?

Como conclui Naiton Gama em sua reflexão, a liberdade de uma sociedade depende da capacidade individual de preservar o pensamento crítico contra a manipulação de algoritmos ou slogans simplistas.

Os maiores atos de coragem no Brasil atual são práticos: parar, respirar, desconfiar, pesquisar e pensar com a própria cabeça. Não podemos entregar nosso discernimento ao efeito manada.


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