Educação

A Luz que Nenhuma Sombra Apaga: Minha Homenagem às Professoras e Professores da Minha Vida

Hoje é dia do Professor e da Professora. Ele foi instituído por Decreto do Presidente João Goulart, em 1963.

Se hoje sou quem sou, devo isso à sala de aula. Devo à educação pública e, de forma muito especial, às professoras e professores que não apenas me ensinaram matérias, mas moldaram meu caráter e a minha consciência de cidadão.

Lembro-me, com carinho e profunda admiração, da Professora Maria Helena, minha mestra na 5ª série do primário, lá no ano de 1970. Vivíamos o período mais duro, ostensivo e virulento da Ditadura Militar. A Professora Maria Helena não carregava livros de Paulo Freire embaixo do braço — o momento não permitia tamanha exposição —, mas fui saber anos mais tarde que o método com o qual ela nos alfabetizava e despertava para o mundo era, sim, o método freiriano.

Maria Helena era uma mulher de coragem monumental. Em plena ditadura, ela me ensinava muito mais do que números e letras: ensinava a pensar, a questionar e a exercer a cidadania plena.

Essa coragem de ensinar dentro da sala de aula é a mesma que se desdobra fora dela, na luta intransigente pelos direitos da categoria e por uma educação pública, gratuita e de qualidade social para todos e todas. É a coragem histórica de lideranças combatentes como a Julieta Balestro e a Helenir Schürer, e que hoje segue viva e pulsante na liderança da Rosane Zan à frente do CPERS Sindicato.

Os Ventos Sombrios sobre a Escola Pública Gaúcha

Infelizmente, a Educação Pública do Rio Grande do Sul — essa mesma educação que formou gerações e ajudou a constituir quem sou — corre hoje um risco inédito em nossa história. A ameaça atual ganha contornos talvez até mais perigosos do que nos tempos sombrios em que a Professora Maria Helena me lecionava.

De um lado, assistimos ao avanço do projeto de privatização de 98 escolas estaduais. Do outro, presenciamos a tentativa de submeter o ambiente escolar ao tacão militarista, entregando a gestão de escolas a brigadianos por meio do modelo de “escolas cívico-militares”. Querem trocar a pedagogia pelo comando, o debate crítico pela obediência cega.

Vejo com profunda tristeza o desmonte da carreira do magistério no RS. O nosso estado tornou-se um dos que pior paga e mais massacra suas professoras e professores — tirando direitos inclusive daqueles e daquelas que já dedicaram a vida inteira à docência e hoje estão aposentados. Não é por acaso que muitos jovens já não vislumbram a sala de aula como futuro.

A Esperança e a Resistência

Mas a história também se constrói com atos de reconstrução e valorização. Por isso, vejo com esperança e alegria as iniciativas do governo do Presidente Lula, que estabeleceu o Piso Salarial Nacional do Magistério e criou incentivos como o Pé-de-Meia Licenciatura, medidas fundamentais para atrair e reanimar nossa juventude a abraçar a docência e garantir o futuro da educação pública.

Aos que tentam apagar a chama do conhecimento critical, deixo a minha convicção: a escola pública resiste porque é feita por gente de coragem.

Às professoras e professores gaúchos, hoje representados pela coragem da Presidenta do CPERS, Rosane Zan, deixo minha eterna gratidão e meu abraço fraterno. Que as sombras que hoje apontam no horizonte do nosso Estado não consigam encobrir a Luz que diariamente irradia de cada sala de aula.

Vocês continuam ensinando matemática, ciência, história e geografia — mas, acima de tudo, seguem ensinando o Brasil a ser livre e cidadão.

Muito obrigado a todas as minhas professoras e professores! Viva a Educação Pública!


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