
Em pronunciamento emocionante, o senador Paulo Paim (PT-RS) citou o “dia histórico” no Senado com a apreciação da PEC 221/2019 do Governo Lula, que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil, sem redução de salários.
“Um menino negro e pobre que esperou 50 anos”
Durante o discurso na tribuna, tomado pela emoção, o senador precisou retirar do bolso um lenço para enxugar as lágrimas. Paim expressou o sentimento de representatividade e resgate histórico que o momento carrega para a classe trabalhadora:
“Quando eu olho para trás, para 30, 40, 50 anos, eu me sinto aqui, agora, um menino negro e pobre que esperou 50 anos para este momento acontecer. Quem operou, trabalhou, em fundições, em fábricas, em marcenarias, em fábricas de barro e de vasos, como eu e tanto trabalhadores, sabe que este momento é especial”, declarou o parlamentar.
A trajetória lembrada por Paim reflete o acúmulo de lutas desde a Assembleia Nacional Constitucional de 1988, quando a jornada semanal brasileira caiu de 48 para as atuais 44 horas.
Tecnologia, Humanidade e a Tese “Trabalhar para Viver”
A proposta defende que os ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, automação e avanços tecnológicos modernos devem servir para melhorar a qualidade de vida do trabalhador, permitindo mais convivência familiar, descanso, saúde e lazer.
Paim reforçou que a redução da jornada não significa produzir menos, mas sim humanizar o trabalho e modernizar a economia de forma sustentável.
Trabalhar para viver, e não viver para trabalhar
A desgastante escala 6×1 e a Jornada de 44 horas é desgastante e compromete o bem-estar e a saúde mental da Classe Trabalhadora.
A transição para uma jornada mais equilibrada é a evolução natural das conquistas sociais, como aconteceu na Europa e nos países desenvolvidos no Século passado.
Para Paim, o papel do Senado ao votar essa matéria é responder aos anseios populares acumulados ao longo de décadas:
“Essa vitória será de todo o povo brasileiro. Dizem os poetas que ‘o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço’. É assim que eu entendo, com a vitória do nosso povo, que o Senado vai abraçar a nossa gente”, concluiu o senador.
A votação da PEC marca um novo capítulo do ciclo legislativo focado nos direitos sociais e no redesenho das relações laborais frente aos novos tempos do país.
Mas esta nova conquista e os direitos conquistados que restaram na legislação depois da Deforma Trabalhista do Golpista Governo Temer, estão sob ameaça severa.
Com maioria eleita no Senado e na Câmara, Flavio Bolsonaro se eleito Presidente, prometeu passar a régua e acabar com a CLT e instaurar a pura e simples “negociação direta” entre patrão e empregado.
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