democracia/Fascismo

Antônio Hohlfeldt Deixa o MDB e Alerta sobre os Riscos da Aliança com o Bolsonarismo

“O MDB, neste momento, está repetindo o processo vivido pela Alemanha, na década de 1930, que levaria ao nazismo, naquele país” ( Antônio Hohlfeldt)

O professor, ex-vereador por cinco mandatos e ex-vice-governador do Rio Grande do Sul, Antônio Hohlfeldt, anunciou sua desfiliação irrevogável do MDB.

O gesto, marcado pela altivez de quem recusa a conivência com o autoritarismo, joga luz sobre os rumos claudicantes de uma sigla histórica e ecoa um paralelo assustador com os eventos que destruíram a democracia alemã na década de 1930.

O Manifesto de Hohlfeldt: A Ruptura com o Oportunismo

Em seu manifesto de desligamento, Hohlfeldt recupera sua trajetória na vida pública — que remonta à fundação do Partido dos Trabalhadores em 1982, passando pelas cinco legislaturas no PSDB até chegar ao MDB, agremiação pela qual se elegeu vice-governador na chapa de Germano Rigotto.

Contudo, o que era um partido pautado pela construção democrática e pela memória de Ulysses Guimarães viu-se, segundo o professor, corrompido pela falta de planejamento sucessório, pelo inchaço oportunista e pela recepção acrítica de figuras oriundas da centro-direita conservadora.

A gota d’água para Hohlfeldt foi a adesão do MDB, tanto em âmbito nacional quanto regional, à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Para ele, isto não é uma mera divergência de projetos eleitorais, mas de uma traição frontal à democracia e à cidadania brasileira.

Em trecho contundente de seu manifesto, Hohlfeldt adverte:

“O MDB, neste momento, está repetindo o processo vivido pela Alemanha, na década de 1930, que levaria ao nazismo, naquele país. NÃO QUERO E NÃO POSSO CALAR OU ME OMITIR. Fui apenas vereador de cinco mandatos e um de vice-governador, mas sou, acima de tudo, UM CIDADÃO BRASILEIRO. Não pretendo, num futuro que, (…) pode ser muito imediato, se Flávio Bolsonaro vencer essas eleições, me sentir corresponsável por uma ditadura institucional a se instalar no país.”

Recusando-se a negociar princípios por cargos ou conveniências partidárias, Hohlfeldt reafirma sua identidade primordial: “Continuo apenas, mas com muito orgulho, UM PROFESSOR. E seria absolutamente irracional, um professor dar um mau exemplo”.

O Eco Histórico: Rigotto, o Bolsonarismo e os Liberais Alemães de 1933

Ja o  ex-governador Germano Rigotto declarando apoio ao bolsonarismo na expectativa de encontrar um suposto “equilíbrio, sensatez e diálogo” — é a escancarada repetição trágica (ou farsesca) dos erros históricos cometidos pelos liberais e conservadores alemães na República de Weimar, como mostra artigo de Gerson Almeida aqui no Blog.

Assim como os liberais alemães que acreditaram ser possível domesticar ou usar o movimento nazista em benefício próprio em 1933 — abrindo as portas para a ascensão de Adolf Hitler —, setores do MDB contemporâneo parecem ignorar a sanha autoritária do bolsonarismo em troca de conveniências de poder conjuntural.

Enquanto Rigotto e a cúpula partidária optam por contemporizar com o extremismo de direita, Hohlfeldt faz o caminho inverso.

Ele escolhe a trincheira da dignidade histórica. Sobrevivente dos “anos de chumbo” pós-AI-5 de 1968, o professor avisa que não se omitirá caso o país seja forçado a uma nova mobilização de resistência democrática.

Ao remeter o atual momento do partido ao colapso da Alemanha dos anos 1930 — na mesma linha crítica apontada por análises como a de Gerson Almeida aqui no Blog —, Hohlfeldt presta um serviço inestimável à República.

Fica o alerta explícito: a história não perdoa os que se acovardam diante da ameaça totalitária, e ser professor, cidadão ou militante exige, acima de tudo, coerência para não ser cúmplice do arbítrio.

Leia o Manifesto na Íntegra, clicando a seguir


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