
O que a gente vê se espalhar pela Serra e pelo interior do Rio Grande do Sul — com a criação e o compartilhamento de listas de boicote a pequenos comércios, profissionais liberais e pressão para demitir quem votou em Lula — passa longe de ser apenas radicalismo de campanha. É método. E um método com passado assustador.
Não dá para tapar o sol com a peneira. O mecanismo que estamos vendo funcionar aqui do nosso lado é rigorosamente o mesmo que a História já registrou nas páginas mais sombrias do século XX.
O Espelho da História: Como o Nazismo Começou no Comércio
Na Alemanha dos anos 1930, o regime nazista não começou do dia para a noite mandando pessoas para campos de concentração. Ele começou devagar, naturalizado no dia a dia, inflamando a vizinhança e mexendo no bolso.
Em 1933, uma das primeiras grandes cartadas do nazismo foi o Judenboykott: a ordem para boicotar o comércio de judeus. Militantes iam para a frente das lojas, pintavam a Estrela de Davi nas vitrines, marcavam as portas das casas e espalhavam panfletos dizendo para o cidadão comum não comprar dali.
A ideia era simples e cruel: quebrar financeiramente, isolar socialmente e sufocar quem pensava ou era diferente.
Parecia “apenas” uma pressão econômica. Mas o ovo da serpente chocou e resultou no Holocausto e na destruição de um país inteiro.
Quando líderanças locais e parlamentares como a Deputada Ali Klempt incentivam a população a não comprar do vizinho ou pedem a empresários para colocar o trabalhador no olho da rua porque ele votou em determinado candidato, o gatilho psicológico e político é exatamente o mesmo.
É a tentativa de exterminar a sobrevivência do outro por causa da ideologia.
Nomes, Listas e a Tática do “Recuo” na Serra Gaúcha
Na Serra, essa engrenagem rodou sem pudor. Casos como o da dirigente do PL de São Marcos, Cristiana Uliana, viraram símbolo dessa prática quando mensagens explícitas de “Funcionário petista, demite” e orientações para sufocar estabelecimentos locais circularam abertamente.
Em outras cidades como Caxias do Sul, Flores da Cunha, Casca e Nova Prata, circularam listas informais com dezenas de estabelecimentos expostos.
Algumas mensagens até sugeriam que o comerciante colasse um adesivo na porta do seu negócio — uma releitura moderna e assustadora do que se fazia na Europa dos anos 30.
Depois que a bomba estourou, veio o movimento ensaiado: apagar postagens, gravar vídeos dizendo que “foram mal interpretados”, falar em “emooção do momento” ou pedir desculpas.
Mas será que basta?
Apagar o post ou pedir desculpas depois de atear fogo na reputação e no sustento de uma família resolve o problema? Claro que não. A retratação nas redes sociais só vem quando o calo da responsabilização jurídica aperta. O estrago na vida do pequeno comerciante e o medo implantado no trabalhador já foram feitos. Pedido de desculpas não apaga o vírus do fascismo inoculado na comunidade.
Vai Muito Além do Bolsonaro: É Caso de Polícia!
É um erro infantil achar que tudo isso se resume à figura de Jair Bolsonaro. Essa ideologia de segregação e destruição do adversário virou um projeto que vai muito além dele. Ela impregnou o chão de fábrica, o balcão da loja e os grupos de mensagem da família.
Recentemente, ancoras da própria TV Globo chegaram a pontuar no noticiário que certas condutas e ataques antidemocráticos deixaram de ser debate político e viraram “caso de polícia”.
Mas a grande contradição é essa: por que a perseguição escancarada e as listas de exclusão contra trabalhadores e comerciantes continuam sendo tratadas, na maioria das vezes, quase como um mero “desentendimento de trabalho” ou infração trabalhista?
Criar listas de segregação, incitar o boicote a famílias e coagir empregados sob ameaça de demissão por motivos políticos não é só matéria para a Justiça do Trabalho. É crime. É caso de polícia! É atentado direto contra o Estado Democrático de Direito, discriminação velada, coação e associação criminosa.
A Reação Necessária: Denise Pessôa Aciona as Esferas Criminais
Foi percebendo essa gravidade que a deputada federal Denise Pessôa (PT-RS) agiu de forma firme na Serra. Diante da enxurrada de denúncias em Caxias do Sul e região, ela não bateu apenas na porta do Ministério Público do Trabalho (MPT).
Como bem registrado na cobertura do caso (confira a matéria no blog), a parlamentar acionou simultaneamente o Ministerio Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MPRS).
O enquadramento precisa ser total. O sujeito ou a autoridade que incita o linchamento financeiro do vizinho precisa responder na esfera cível, trabalhista e, principalmente, na esfera criminal.
O Alerta que Fica
A história nos mostra que o fascismo não pede licença para entrar; ele vai se aconchegando no cotidiano. Ele começa no grupo de WhatsApp do bairro, passa pelo setor de RH da empresa e termina na porta do comércio marcado.
Se a gente aceitar o pedido de desculpas amarelado de quem atiçou o ódio e fingir que nada aconteceu, amanhã a marcação não será apenas virtual. Enfrentar esse projeto com a força da lei e da polícia não é vingança: é legítima defesa da nossa democracia e da nossa humanidade.
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Essa porta foi aberta pelo Aécio do pó. Continua aberta com a prisão absurda do Lula, já tendo passado pelo impeachment da Dilma, com o Supremo, com tudo.
E só se agravando com a postura pragmática da imprensa corporativa, a tomada do poder pelo crime no RJ é em andamento em SP, com o avanço nazista das células no sul do país, com as traições institucionais normalizadas, com a cretinice odiosa de um medíocre classe média.
E assim caminha o Brasil.
Abraço grande e fraterno.
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