
Sim. No entanto, se a maioria eleitoral de Lula na cidade fosse garantia de vitória para a esquerda, isso já teria acontecido em 2024.
Bora encarar a realidade?
Em 2022, Lula conquistou 53,5% dos votos em Porto Alegre, no último domingo, quatro anos depois, a vantagem foi ampliada. E todo mundo sabe o que aconteceu no meio dessas duas eleições: Sebastião Melo foi reeleito com 61,53% dos votos em 2024.
Cálculos formais não funcionam na política. As circunstâncias das duas últimas vitórias de Lula produziram movimentos mais amplos que a esquerda, por isso, os seus votos não serão transferidos automaticamente para nós.
E há um problema a mais: gostem ou não, Melo tem um traço comum com Lula, pois, guardadas todas as diferenças, ambos sabem dialogar com a periferia e o povo trabalhador.
Apesar de apoiar o bolsonarismo e ter uma base de extrema-direita, Melo construiu a imagem de “homem do povo”.
Nas periferias, sustenta uma ampla rede de CC’s, que usam a estrutura do poder municipal para bloquear demandas e iniciativas construídas por lideranças comunitárias não alinhadas à gestão municipal.
A vitória de Lula indica um caminho: apesar das inúmeras caminhadas e carreatas de Melo, nós vencemos nas periferias.
Valeu todo o esforço de “porta em porta”, mas, sobretudo, fez a diferença ter propostas concretas como o fim da 6×1 e das Bets, as políticas para MEIs e microempreendedores, a defesa das mulheres, dos programas assistenciais, de políticas de segurança pública e a denúncia do histórico criminoso de Flávio, da extrema-direita e da interferência dos EUA.
Foi a partir desse conteúdo político que produzimos o fator determinante: a mobilização histórica nas redes e nas ruas.
E qual o seu efeito principal? Criar um movimento muito mais amplo que a força dos partidos políticos de esquerda em Porto Alegre, capaz de ampliar a vantagem de Lula e diminuir a abstenção.
Essa é uma lição fundamental.
A eleição de 2028 será um momento de renovação geral. Melo esteve no poder em 10 dos últimos 14 anos e agora não poderá concorrer.
Precisaremos inovar e ter uma boa dupla de representantes, no entanto, a criatividade vai muito além da escolha dos nomes.
Aliás, a pior coisa agora seria uma disputa afobada e despolitizada entre figuras.
O outro lado se renova pela força e a capilaridade das suas ideias e instrumentos de ação, mesmo que não gostemos.
Por isso, antes de disputar o protagonismo entre si, nossas lideranças devem se unir e pensar estrategicamente: como construir um movimento amplo que renove e supere a força atual dos partidos de esquerda?
E quando falo em amplitude, não penso necessariamente em “moderar o discurso” ou “caminhar em direção ao centro”.
A radicalidade foi uma marca fundamental do nosso 2° turno vitorioso, afinal, nós formamos um “exército” e entramos num modo de combate permanente, nas redes e ruas.
Falamos com um público maior no 2° turno agindo de forma radical.
PODEMOS VENCER!
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