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Barack Obama e o “Trabalho Interno” ou poderiamos dizer: “o cinema desnuda o rei”

Pra quem não viu ainda, sugiro ver o Filme “Trabalho Interno”. Este filme  retrata os lados obscuros de Wall Street. Narrado pelo ator Matt Damon, revela verdades incômodas da crise que teve início com a quebra do banco americano Lehman Brothers. Com base numa pesquisa e entrevistas com políticos, economistas, jornalistas e personalidades do setor financeiro – como o mega investidor George Soros –, o filme documentário revela as corrosivas relações e o jogo de interesses entre governantes, agentes reguladores do sistema financeiro e o mundo acadêmico. Os depoimentos  revelam ainda o esquema de mentiras e condutas criminosas, inflado pelos altos salários e pelos bônus bilionários oferecidos aos executivos do mercado financeiro. O documentário deixa nús, o rei, o imperador e o império e revela de forma explicita a podridão do capitalismo selvagem e predador. Mostra ainda a aquiecência de Barack Obama a estes que manipulam a economia mundial, quando este nomeia uns destes que jogaram o mundo na crise para cargos públicos e promove outros a cargos mais importantes. Essa ciranda prejudicou seriamente a vida de milhões de pessoas em diversas partes do mundo, como, por exemplo, a Islândia, que no início do filme é usada por Ferguson para ilustrar os efeitos desastrosos da crise sobre a economia do país e de seus cidadãos. Após apresentar de forma dura os resultados do caos na maior economia do mundo, o documentário divide sua narrativa em cinco partes, até certo ponto didáticas, para que o espectador entenda como tudo aquilo aconteceu. O diretor vasculha as entranhas de Wall Street na fase que antecedeu a crise de 2008 de forma implacável, esclarecendo as origens do tsunami financeiro com perdas globais estimadas em cerca de US$ 20 trilhões (R$ 33,2 trilhões). Ferguson não poupa republicanos nem democratas: culpa ex-presidentes dos dois partidos, começando por Ronald Reagan, que assumiu o comando dos Estados Unidos em 1981 – ou seja 27 anos antes da eclosão da crise –, passando pelos governos Bush (pai) e Bush (Jr.), Bill Clinton até Barack Obama. Foi no  governo de Reagan que teve início o processo de desregulação do setor financeiro, com a suspensão de diversas barreiras de segurança que poderiam ter evitado as operações de risco e as fraudes financeiras nas demonstrações contábeis dos bancos. Esse descaso em nome de uma suposta melhoria nas condições de competição do sistema financeiro americano criou situações assombrosas, como a existência de um único funcionário responsável na Securities and Exchange Commission (SEC) – o órgão similar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil – por toda a

Henry Paulson, Ben Bernank e Geithner continuam ocupando postos chave da economia no Governo Obama

gestão e fiscalização de exposição ao risco do mercado financeiro. Ferguson revela também as medidas desastrosas do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, potencializadas por uma condução governamental perigosa para a sustentabilidade econômica, num caldeirão com boas doses de corrupção, vista grossa e irresponsabilidade.  Com a  sensação de impunidade, de propriedade absoluta de poder e inviolabilidade, os executivos e operadoree financeiros construíram uma cultura de excessos e insensibilidade crônica, onde havia, e ainda há, a participação explosiva de elementos como drogas e prostituição em larga escala. Uma mistura que, em vez de ampliar as riquezas do sistema financeiro, produziu tragédias econômicas, desemprego, miséria e fome ao redor do mundo. Mas, nem no Filme, nem na vida real,  o mundo não está livre de novos abalos financeiros, já que muitos dos causadores da crise, como o ex-secretário de Tesouro dos Estados Unidos Henry Paulson, o presidente do Fed Ben Bernanke e até mesmo o atual secretário de Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, ocupam postos estratégicos no Governo do suposto defensor dos Direitos Humanos, Barack Obama. Ou seja, os mesmos personagens permanecem dando as cartas na mesa. Algumas das mais novas vítimas são gregos, irlandeses, espanhóis, portugueses e outros povos europeus. A ajuda do FMI esta sendo oferecida a eles enquanto o déficit americano cresce cada vez mais, se abatendo sobre o lombo já cansado da humanidade, que continua pagando a conta da extravagância capitalista.

6 pensamentos sobre “Barack Obama e o “Trabalho Interno” ou poderiamos dizer: “o cinema desnuda o rei”

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  6. Realmente excelente documentário, merecedor do Oscar. Três abordagens q me chamaram a atenção: Primeiro, a datação do fator que culminará na crise de 2008; em 1980 com a deregulação do mercado financeiro, é impressionante. Segundo, a promiscuidade dos setores intelectuais, uma lástima. E, por fim, essa relação intima de Obama com os banqueiros de Wall Street, dando a entender como sendo o seu maior erro. Enfim, achei um documentário muito bem produzido e montado de forma didática, apesar de ter uma série de informações técnicas que acabam cansando, mas de forma geral a mensagem é de fácil entendimento. O diretor é eficaz em seus questionamentos e coloca os entrevistados em “saias-justa”. Pra mim deixou claro a importância de um Estado forte e de sistemas reguladores rígidos.

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