Condenado sem provas concretas, somente por ilações e interpretações geradas a partir de matérias “compradas” na Revista Veja e mentiras amplamente difundidas pela grande mídia nacional, Zé Dirceu aponta nesta carta o mais grave, muito além da sua condenação, qual seja o grave precedente que se abre na Justiça brasileira, de julgar cidadãos sem provas, somente pelo diz que diz que, neste caso levado a decima potência pela repercussão dada pela mídia a temas que ficaram evidenciados como mentiras que foram repetidas milhares de vezes, e que como tal passaram a parecer verdades. A justiça julgando a partir de acusações feitas pela mídia, que se constitui como partido político clandestino, abre o perigoso precedente de que qualquer cidadão, acusado pela mídia em notícias que podem ou não ser verdadeiras, já estará previamente condenado. Cuidado brasileiros. Por debaixo das suas negras togas, pressionados pela mídia, os supremos juízes plantam o embrião do que poderá se transformar no futuro em um golpe contra a institucionalidade vigente.
Reproduzo a Carta do Zé Dirceu:
Ao Povo Brasileiro
No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.
Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.
Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.
Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.
Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.
Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.
A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.
Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.
Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.
Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.
Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.
Vinhedo, 09 de outubro de 2012
José Dirceu
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