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O exoesqueleto e a culpa da TvGlobo

Pescado do Blog MegaCidadania
A TvGlobo CENSURA replay

Se o blog Megacidadania conseguiu a íntegra das imagens acima com o jovem paraplégico Juliano Pinto, de 29 anos, que não movimenta o tronco nem as pernas, dando o ponta-pé inicial da Copa 2014 utilizando um exoesqueleto, imaginem o que poderia ter feito a Rede Globo.

E conseguimos mais.

A TV NBR fez em julho de 2013 uma reportagem de apenas três minutos e entrevistou o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis que em dois momentos disse:

“Pra mim foi um grande orgulho ter a possibilidade de trazer para o Brasil esse consórcio e tentar mostrar para os jovens brasileiros em um evento esportivo, o futebol está na alma do Brasil … e mesmo em um evento esportivo a gente pode usar um, dois minutos deste evento pra mostrar o que a ciência pode fazer pela humanidade.”

“A FINEP é basicamente hoje uma das maiores financiadoras de projetos científicos do mundo … ela hoje suplantou financiadoras europeias e americanas e ela acreditou na ousadia deste projeto … pra vocês terem uma ideia foi uma das primeiras vezes que o nome do Brasil e da FINEP [apareceu] em jornais americanos, jornais na Europa, em revistas especializadas em ciência, por que foi um passo ousado acreditar num projeto dessa magnitude feito com cientistas do mundo inteiro, é um projeto global em que o financiamento é brasileiro isso é muito raro.”

ASSISTA A SEGUIR A MATÉRIA DA TV NBR

IMPORTANTES CONSIDERAÇÕES

1) A FIFA obviamente que também tem culpa na pouco importância que dedicou a um evento de alto significado para toda humanidade, pois, a cena do chute inicial foi realizada depois da cerimônia inaugural e não segundos antes do início do jogo Brasil-Croácia.

2) A Rede Globo teve acesso às imagens que acima reproduzimos e mesmo assim seus apresentadores não deram qualquer destaque durante a festa de abertura e sequer abordaram o aspecto do financiamento inédito realizado pelo governo federal via FINEP.

3) A Rede Globo deveria ter disponibilizado ao distinto público e antes do início da transmissão as informações que aqui apresentamos. Mas não, a Globo tenta passar a impressão de que só a FIFA é responsável. Se quisesse a Rede Globo poderia desde o dia anterior exibir a seguinte informação: O exoesqueleto robótico de Miguel Nicolelis está pronto para a Copa (CLIQUE AQUI)

A estreita relação existente entre a Rede Globo e a FIFA nos permite considerar a possibilidade de terem “decidido” impedir que a cena ocorresse antes do início da partida, com as equipes já em campo e o mundo inteiro assistindo.

Foi censura política sim.

2 pensamentos sobre “O exoesqueleto e a culpa da TvGlobo

  1. O show do exoesqueleto
    Roberto Lent é professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro e escritor do Livro “200 Bilhões de Neurônios”
    http://oglobo.globo.com/opiniao/o-show-do-exoesqueleto-12856030#ixzz34iQ0zwvb 14-6-2014

    Não deve ter sido por acaso que a Fifa reduziu para poucos segundos a exibição do exoesqueleto do cientista Miguel Nicolelis na abertura da Copa do Mundo. Talvez a prudência lhe tenha imposto essa medida.
    Em torno desse polêmico episódio, há várias questões a considerar. Primeiro: não é possível aferir a originalidade e o impacto científico e prático da propalada tecnologia de comando cerebral do exoesqueleto sob feedback sensorial eletrônico. A razão é simples: Nicolelis ainda não a publicou em revistas especializadas. Sua produção científica e sua capacidade de trabalho permitem supor que o fará brevemente para a avaliação da comunidade científica da área. Ficaremos aguardando. Mas o fato é que até o momento pouco se pode comentar sobre o experimento da Copa que não sejam especulações.
    Segundo: a exibição pública, para milhões de pessoas em todo o mundo, do chute à bola efetuado por um paraplégico vestindo o exoesqueleto é em si uma iniciativa importante para valorizar a ciência perante a sociedade. No entanto, do modo como foi feita, viola um princípio ético básico da divulgação científica — só se deve divulgar ao público leigo o que antes se publica nas revistas especializadas. Elitismo? Falta de espírito democrático? Não, responsabilidade social. A prévia publicação nas revistas especializadas é o selo de qualidade do produto científico, como o selo do Inmetro o é para os produtos industriais, a licença da Anvisa para os medicamentos, o carimbo do Ministério da Agricultura para os produtos agrícolas. Essas revistas, antes de publicar qualquer artigo, submetem-no a uma rigorosa revisão por especialistas. Além disso, os autores têm que apresentar todos os detalhes dos métodos que empregaram e dos resultados que obtiveram. Na abertura da Copa, o show do exoesqueleto representou uma ruptura com esse princípio. Talvez tenha sido isso que a Fifa percebeu a tempo.
    Mas há outras questões em jogo: uma delas é o contraste entre o financiamento que o projeto Nicolelis obteve e o que conseguem obter os pesquisadores brasileiros de nossas universidades, com todo o crescimento dos recursos conseguido nos últimos anos. A Finep, agência de financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, colocou R$ 33 milhões no exoesqueleto. Nada errado nisso: trata-se de uma agência de inovação, cuja missão é justamente investir em projetos ousados, assumindo os riscos, que de resto são inerentes a todos os projetos científicos. Mas é inevitável comparar: o edital recentemente lançado por outras agências do mesmo ministério para a criação de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia anunciou que proverá no máximo R$ 10 milhões para cada um dos grupos que vencerem uma acirrada concorrência. Como esses R$ 10 milhões se destinam a grupos que associam vários pesquisadores independentes, cada pesquisador contará com algo em torno de R$ 1 milhão para o seu projeto.
    Três a um foi a vitória da seleção brasileira; 33 a 1 foi a vitória de Nicolelis sobre a comunidade científica brasileira.
    Roberto Lent é professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro e escritor do Livro “200 Bilhões de Neurônios”
    http://oglobo.globo.com/opiniao/o-show-do-exoesqueleto-12856030#ixzz34iQ0zwvb

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    • Mas o viralatismo subserviente da classe dominante contamina também os meios científicos: No texto publicado no Globo, o sujeito diz que não houve publicação prévia em revista Cientifica internacional. Mentira. Houve. E foi em 2012 na Scientific American. Aliás, o financiamento para o Projeto Walk Again não é só Brasileiro. É Mundial. O que importa aqui, é que a tecnologia é coordenada pelo Brasil. Mas os ciúmes de outros “cientistas” que muitas vezes fazem pesquisas inócuas e sem nenhuma consequência para a cidadania se juntam ao viralatismo da classe dominante.
      Vai a síntese da matéria na Scientific American

      Miguel Nicolelis na Scientific American

      14 de agosto de 2012
      Projeto Andar de Novo, do colunista da Brasileiros, é publicado na renomada revista científica norte-americana

      Manoel Marques e reprodução do artigo da Scientific American

      Miguel A. L.Nicolelis

      Resultado de décadas de trabalho, o Projeto Andar de Novo (Walk Again Project), de Miguel A.L. Nicolelis e seus colegas do Centro de Neuroengenharia da Universidade Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos, promete o que outros neurocientistas do mundo todo – e milhões de pessoas acometidas por tetra ou paraplegia – sonham realizar: o movimento de membros paralisados por meio de ondas cerebrais. Na sua última edição, a publicação cientifica Scientific American reservou lugar de honra em suas páginas para apresentar e discutir os desafios do revolucionário trabalho do grande cientista e colunista da Revista Brasileiros e Inovação!Brasileiros.

      De acordo com o Andar de Novo, apresentado na primeira edição da Inovação!Brasileiros, um paciente paraplégico é capaz de restaurar mobilidade corpórea a partir do uso de uma neuroprótese que controla uma vestimenta robótica ligada à ela. Segundo Nicolelis, o protótipo do traje que pode ser controlado por sinais cerebrais já está em construção e deve ser apresentado ao mundo durante as cerimônias de abertura da Copa do Mundo de Futebol em 2014, que acontecerá no Brasil. Na ocasião, um paciente com paralisia cerebral deve realizar o chute inaugural dos jogos, mostrando ao mundo não só este sucesso da neurociência, mas também a qualidade dos cientistas brasileiros representados por Nicolelis neste trabalho.

      Desenho da neuroprótese apresentado no artigo

      A neuroprótese
      O grupo de cientistas dirigido pelo brasileiro na Duke University demonstraram que artefatos como braços e pernas robóticos podem ser controlados por ondas cerebrais “traduzindo” um pensamento de mover o membro em sinais elétricos. Por meio de um computador, esse sinais elétricos são transformados em comandos que iniciam o movimento na prótese. Esses artefatos, com as interfaces cérebro-máquina (ICMs), foram testados em experimentos com macacos rhesus e permitiram que os primatas fossem capazes de utilizar apenas a atividade elétrica produzida por grupos de centenas de neurônios para controlar os seus movimentos.

      Ao aprender a operar uma ICM, esses animais foram capazes de realizar seus desejos motores voluntários sem a necessidade de recrutar qualquer músculo de seus membros biológicos. Esses resultados deram à equipe de Nicolelis as bases para o desenvolvimento do traje controlado por sinais cerebrais que está em fase de construção.
      http://www.revistabrasileiros.com.br/2012/08/14/projeto-andar-de-novo-de-miguel-nicolelis-e-publicado-na-scientific-american/#.U53KoJRdUWM

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