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‘Militontos’. Antigos e recentes

Sempre ouvi falar que ‘militontos’ eram queles que invocavam seus princípios  em tudo e só falavam em nome da COERÊNCIA, esta entendida como firme intransigência ante qualquer possibilidade de cessão quando algo precisava ser negociado. Lembro até que essa parte mais barulhenta costumava cognominar aquela parcela que não rezava por essa cartilha de ‘reformista’, como contraponto ao comportamento revolucionário que imaginavam ter.
Do Blog Na Ilharga
O artigo de Breno Altman desloca a adjetivação para essa espécie de ‘nova classe’ que trocou os embates partidários internos pela dedicação exclusiva ao dia a dia de funcionários da burocracia estatal brasileira. Que deu de ombros à politização e optou pelo comportamento descolado que tangencia desesperadamente o debate árido, atirando ao lixo os temas mais incômodos. Enfim, aquele que evita participar de qualquer evento em que haja a possibilidade de avaliação crítica e só pontifica em reuniões de planejamento estratégico, isto é, aquelas sem política.

Desconfio que uma ‘tchurma’ não substitui a outra nessa cadeia. Ao contrário são as duas pontas dessa linha que ora nos enrola em algo bem mais complicado de se entender. Os primeiros continuam firmes falando em nome da coerência. Se bobear, ainda são capazes de clamar pelo não pagamento da dívida externa; enquanto os segundos seguirão com aquele ar superior que evita embate com quem não pensa no fortalecimento do partido e, pasmem, ainda achando que aquela fração não é petista e está apenas aguardando a hora de fundar o seu partido revolucionário.

InterrogaçãoAssim, a dificuldade principal persiste e nada indica que tão cedo será superada enquanto não for retomada a prática mais cara à história petista, que é o debate sistemático a respeito dos grandes temas políticos. Não se trata de praticar o assembleísmo estéril que nada decide, mas inserir a massa partidária naquilo que é interesse do governo. Só isso nos libertará dessa dicotomia entre a coerência/intransigência de um lado, e a aceitação/omissão do outro, no meio a militância desorientada em busca do equilíbrio.

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