Mundo

Brasil soberano pela paz.

Por Fernando Rosa no Senhor F

Em setembro deste ano, Russia e Estados Unidos firmaram um acordo para a resolução da crise na Síria. O texto final foi assinado pelos chanceleres russo, Sergei Lavrov, e norte-americano, John Kerry, depois de 14 horas de reunião. Entre outros pontos, o acordo previa uma ação conjunta para separar os grupos terroristas de oposicionistas moderados ao governo de Assad.

Apesar do esforço e da importância, o acordo foi posteriormente suspenso pelo porta-voz da diplomacia americana, John Kirby. A guinada significou uma desautorização não apenas a John Kerry, mas principalmente ao próprio presidente Barack Obama – uma espécie de “impeachment” branco. Diante do rompimento, o russo Lavrov seguiu defendendo o acordo, cobrando o compromisso assumido anteriormente.

Esse quadro é o pano de fundo das eleições americanas, demarcadas por posições antagônicas em relação ao tema da guerra. “Eu, com certeza, nunca serei o primeiro a atacar”, afirmou o candidato republicano Donald Trump em debate eleitoral. Já Hillary Clinton, falando em nome do sistema financeiro e da indústria bélica –  apresentou seu “programa de governo”, que se resume a combater o “eixo do mal” – Rússia, Irã e Síria.

Além disso, várias ações norte-americanas tem apontado para a radicalização belicista, ao que as autoridades russas têm respondido de bate-pronto. Entre elas, o terceiro teste de vôo da versão não nuclear da bomba nuclear de gravidade B61-12, no polígono Tonopah Test Range, no final de 2015. Assim como a instalação de bases militares norte-americanas em torno da Rússia e a tentativa de golpe na Turquia.

“Nós iremos pará-los e dar um ‘tranco’ que vocês nunca viram antes. Não se enganem” – disse o chefe do Estado Maior do Exército dos EUA, Mark Milly. A declaração do general Mark Milly, e não do presidente Obama, foi resposta a Putin, que havia cancelado o acordo sobre plutônio. Por sua vez, o general russo Igor Konashenkov recomendou aos “colegas” de Washington que “calculassem atentamente todas as consequências de seus planos”.

Nesta semana, o primeiro-ministro da Turquia, Numan Kurtulmus, afirmou que a continuidade do conflito na Síria, entre EUA e Rússia, resultará em uma ampla guerra regional ou na Terceira Guerra Mundial. A situação, portanto, ainda que sem a devida e responsável percepção no Brasil, é de extrema gravidade para o mundo. Uma guerra mundial não premia vencedores e, pior, traz consequências ainda mais graves para os países periféricos.

O Brasil precisa superar o golpismo submisso aos interesses norte americanos e resgatar rapidamente o seu papel soberano de protagonista mundial para somar-se na dissuasão do conflito iminente. Os brasileiros – civis e militares – já provaram seu compromisso com a paz mundial e com os destinos da humanidade. Neste momento, com neutralidade, mas com determinação, é fundamental reafirmar o nosso compromisso histórico.

Nuclear Explosion

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