Lava Jato/política

Profeta Isaias e o Moro

“Eu tenho esperança. Isso vai ter de mudar!”

isaiasDo Conversa Afiada

O ansioso blogueiro entrou no Uber Black e, logo depois de trocar as primeiras palavras, percebeu que Isaias – ele tem outro nome de profeta – era um motorista de táxi especial.

De terno, camisa social branca, gravata, cabelos quase todos brancos e de aproximadamente 60 anos.

Isaias, negro, é nascido e criado na periferia de São Paulo.

Estudou no SENAI e, depois, fez faculdade de Administração.

Desde cedo se especializou na função de Inspetor de plataforma de petróleo.

Dentre as varias sub-especializações, ele se tornou Inspetor de equipamentos de plataforma de petróleo.

Visitou e inspecionou estaleiros na China, Cingapura, e passou um ano meio na Europa, em vários países, na mesma função.

Sempre a serviço de empresas brasileiras, que forneciam serviços à Petrobras.

Ultimamente, Isaias se dedicava a inspecionar plataforma construída para a Petrobras, em estaleiro nacional.

O ansioso blogueiro vai se permitir resumir algumas considerações de Isaias.

– Ele fazia parte de um grupo de 150 inspetores.
– Foi dos primeiros a ser demitido, porque não há mais plataformas novas a inspecionar.
– O grupo hoje tem, no máximo, 15 inspetores.
– Vários dos demitidos ele reencontrou na Uber, assim como reencontrou na Uber engenheiros e diretores de empresas.
– Esses inspetores e essas empresas detém um conhecimento especializado que exige uma atualização permanente – e esse patrimônio intelectual será dilapidado, em pouco tempo.
– O Moro está certo em punir os empresários e diretores da Petrobras apanhados em corrupção.
– Ele próprio achava muito estranho diretores de empresas fornecedoras da Petrobras negligenciarem certos pré-requisitos logísticos, porque havia sempre a possibilidade de fazer “aditivos”.
– “Aditivo” é sinal de má gestão, diz Isaias.
– Mas isso não justifica fechar as empresas.
– As empresas que contrataram inspetores como Isaias fecharam antes de serem indiciadas.
– Porque quebraram na imprensa!
– Quando chegaram à Lava Jato já estavam destruídas.
– E eu, desempregado!
– A Odebrecht era o “sonho de consumo” de todo profissional brasileiro!
– Fechar a Odebrecht é um crime que nenhum outro país permitiria!
– Eu estagiei na Bardella, na Persico Pizzamiglio, na Metal Leve!
– Empresas fabulosas!
– Cadê a indústria nacional?
– Não me surpreenderei se o Claudinho Bardella tiver que fechar a empresa dele.
– Sabe o que aconteceu com a Metal Leve?
– Ela era a melhor produtora de pistões e bronzinas para a indústria automobilística. A melhor do mundo.
– Aí, o Governo alemão financiou uma empresa muito menor que a Metal Leve, ela comprou a Metal Leve e fechou a principal planta em São Bernardo!
– Para dar emprego na Alemanha!
– E aqui a gente deixa fechar a Odebrecht e as empresas – brasileiras – em que eu trabalhava!
– Eu tenho esperança: isso vai ter de mudar.
– Um país não comete um suicídio como esse.

Aí, o ansioso blogueiro interrompeu:

– Você tem filhos, Isaias?
– Uma filha.
– O que ela estuda?
– Engenharia do Petróleo, em Santos.
– Do petróleo?
– Pois é…

O ansioso blogueiro chegou ao destino.

No dia seguinte, recebeu o recibo por e-mail.
Isaias tinha acabado de faturar R$ 37,52.

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