América Latina/Brasil/Mundo

EUA em Caracas e a perda do protagonismo brasileiro, por André Araújo

Com a presença de Thomas Shannon na Venezuela, EUA substitui Brasil nas mediações políticas na América Latina. O Brasil perde todo o espaço e respeitabilidade internacional conquistados em 13 anos do Governo do PT no mundo. A república dos bananas voltou. E veste camiseta da CBF e se fantasia de tucano pra enganar os bobos e os idiotas. Aliás, o Trump ganhou as eleições, mas o Imperialismo Americano continua operando do mesmo jeito (Comentário do Blogueiro)

EUA em Caracas e a perda do protagonismo brasileiro

Do Jornal GGN,brasileiro, por André Araújo

SHANNON EM CARACAS – A inusitada aparição em Caracas do Subsecretário para Assuntos Políticos do Departamento de Estado, Thomas Shannon como mediador da situação e da oposição tira do Brasil qualquer papel preponderante na arbitragem de conflitos regionais no continente.

O maior país da região abdica de seu papel de ator em conflitos de política regional abrindo espaço para a volta dos EUA como agente de processos de política interna na América do Sul.

Essa perda de espaço e protagonismo do Brasil se deu por múltiplas razões. Nos anos do PT a diplomacia brasileira erroneamente se posicionou como avalista do chavismo de maneira um tanto amadora. Não é da tradição do Itamaraty tomar lado como o sub-Itamaraty da Assessoria Internacional do Palácio do Planalto tomou em relação ao bolivarianismo de 2002 a 2016.

Esse partidarismo na diplomacia custou ao Brasil a perde de referência como potência arbitral em conflitos internos, papel para o qual o Brasil deveria estar talhado por ser o maior Estado da América Latina.

Em situações de conflito é de maior eficiência diplomática ser mais discreto no apoio a regimes instáveis como sempre foi o chavismo. Registre-se que mesmo no grande conflito da Guerra Civil Espanhola, quando Itália e Alemanha apoiavam Franco com grande quantidade de material bélico, força aérea e tropas, no campo diplomático mantiveram-se discretos. A mesma coisa fez Stalin apoiando a República com enorme quantidade de armamento, mas sem discursos de apoio à República ou de crítica aos nacionalistas de Franco.

Já no novo regime pós-impeachment de 2016, o Itamaraty ‘sob nova direção’ está cometendo o mesmo erro no lado oposto, com declarações pessoais do Chanceler que, em um quadro de quase guerra civil, jamais deveriam ser proferidas. As Chancelarias devem operar por Notas Diplomáticas redigidas por profissionais onde o fraseado protege o País de riscos desnecessários.

A impressionante estultice do chanceler para a diplomacia o fez disparar declarações nada diplomáticas sobre a Venezuela, que inviabilizam qualquer papel do Brasil no conflito interno. E a ponto tal que Maduro recebeu com cortesia Tom Shannon e deu-lhe boas vindas como intermediário, ignorando completamente qualquer papel para o Brasil.

A entrada de Washington no cenário se dá, evidentemente, porque não há o grande maestro regional para agir na Venezuela, tornando-se quase inevitável que, na falta de outro, os EUA se apresentem como possível árbitro no conflito, apesar de Washington e Caracas não terem Embaixadores nos respectivos países desde 2010.

Esse apagamento do Itamaraty em uma situação nas nossas fronteiras é impressionante. O Brasil desapareceu da tela do radar regional, é uma não-potência, uma não-diplomacia, prefere esconder-se para não agir. E, além do mais, tem na chefia da chancelaria um personagem sem qualquer aptidão para o cargo, a ponto de declarar publicamente seu apoio repetido a um dos candidatos na eleição americana, pecado absurdo em um chanceler, seria como o Secretário de Estado John Kerry declarar apoio a um político brasileiro candidato a Presidente, esse chanceler não serve nem para cônsul.

Não sei se Shannon terá algum sucesso, mas sua chegada em Caracas é um sinal de reentrada geopolítica dos EUA na América do Sul, de onde estavam fora oficialmente desde o fim do ciclo dos governos militares.

Não poderia, para essa missão, haver diplomata melhor que Shannon, que conhece a região como a palma da mão. Fluente em espanhol e português, tem o cargo certo, número 3 do Departamento de Estado, vai a Caracas defender evidentemente os interesses residuais americanos na Venezuela. A Chevron é a principal operadora da maior reserva de petróleo do mundo, o Campo das Franjas do Orinoco e a Venezuela durante toda sua crise tem os EUA como seu maior parceiro comercial, embora o Brasil seja o único Pais que lhe deu crédito comercial nos últimos cinco anos.

Há um outro fato, a retirada de Cuba do campo antiamericano alinhado com o bolivarianismo após seu acordo com os EUA, Caracas perde o apoio moral de Cuba para manobras cada vez mais erráticas de Maduro. A simples recepção de Shannon é um sinal da retirada de Cuba do anel de proteção do regime chavista, nem devemos duvidar que Shannon viajou a Caracas após avisar Havana de sua missão, uma vez que não se viu uma nota de protesto de Cuba sobre essa viagem emblemática do Subsecretário de Estado à zona de conflito.

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